Datafolha vira prova de fogo para Flávio Bolsonaro após queda nas pesquisas

A nova pesquisa Datafolha registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026 será divulgada na sexta-feira (19) e virou prova de fogo para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), depois de sondagens mostrarem queda do filho zero um e de partidos do Centrão reduzirem o apetite por sua candidatura presidencial.

O levantamento foi registrado em 13 de junho, começou a ser realizado nesta quarta-feira (17) e termina na sexta-feira (19). A pesquisa prevê 2.004 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais, margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O trabalho foi contratado pela Folha de S.Paulo ao custo de R$ 307,6 mil. A metodologia informa abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional, com amostra estratificada por região, natureza do município, gênero, idade, escolaridade e renda.

O dado político mais sensível não está apenas na intenção de voto. Está no roteiro do questionário.

O Datafolha testa voto espontâneo, voto estimulado, rejeição, avaliação do governo Lula (PT) e cenários de segundo turno. No cartão principal aparecem Flávio Bolsonaro, Lula, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Joaquim Barbosa, Augusto Cury, Cabo Daciolo, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara Martins, Aécio Neves e Edmilson Costa.

No segundo turno, o instituto mede Lula contra Flávio Bolsonaro, Lula contra Ronaldo Caiado e Lula contra Romeu Zema. A simples presença de Caiado e Zema no teste já mostra que a direita chegou ao meio de junho com plano B na mesa.

Para Flávio Bolsonaro, o risco é duplo. Se perder mais terreno para Lula, enfraquece a tese de que é o herdeiro natural de Jair Bolsonaro. Se aparecer mais rejeitado do que os demais nomes da direita, vira problema para governadores, senadores, deputados e prefeitos que precisam disputar eleição sem carregar o custo do escândalo Banco Master.

O Blog do Esmael vem registrando esse movimento nos palanques regionais. No Paraná, a direita ligada a Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) já convive com constrangimento público após o caso BolsoMaster. O palanque de Flávio Bolsonaro deixou de ser ativo automático e passou a ser passivo eleitoral.

O mesmo cálculo aparece no Centrão. Republicanos, Progressistas (PP) e União Brasil já não se comportam como tropa de escolta do senador do PL. São partidos que olham para bancadas, fundo eleitoral, tempo de televisão e sobrevivência regional. A candidatura de Flávio Bolsonaro só interessa a esse bloco se entregar voto. Se entregar crise, a conta muda.

A pesquisa chega depois de levantamentos que acenderam a luz vermelha no bolsonarismo. A Quaest mostrou Lula com 39% contra 29% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e vantagem de 44% a 38% em eventual segundo turno. A CNT/MDA apontou Lula com 49,3% contra 36,8% no confronto direto. O problema para o PL não é apenas a diferença numérica; é a direção da curva.

O escândalo Banco Master entrou nessa conta porque deslocou Flávio Bolsonaro do discurso moralista para a defesa pessoal. Reportagens revelaram mensagens e tratativas envolvendo o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre recursos para o filme “Dark Horse”, produção ligada à imagem de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro nega ilegalidade e afirma que se tratava de iniciativa privada.

A urna, porém, não julga como tribunal. A urna cobra percepção. O eleitor pode não acompanhar cada documento, cada áudio ou cada contrato, mas entende quando um candidato que se apresenta como antissistema aparece associado a banqueiro, filme político, dinheiro privado e crise financeira.

O questionário do Datafolha também mede outro ponto explosivo: o peso de Donald Trump na eleição brasileira. O instituto pergunta se o apoio do presidente dos Estados Unidos a um candidato no Brasil aumentaria, diminuiria ou não faria diferença na vontade de voto.

Essa pergunta mira o coração da estratégia bolsonarista. Desde 2018, a extrema direita brasileira tenta importar símbolo, linguagem e método da direita trumpista. Em 2026, o custo pode ser outro. Com tarifas, pressão externa e disputa sobre soberania nacional, o apoio de Trump pode virar abraço incômodo fora da bolha.

O Datafolha ainda inclui perguntas sobre a classificação de facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, pelos Estados Unidos, e questiona se Flávio Bolsonaro teve influência nessa decisão. Para quem responder que houve influência, o instituto pergunta se ela foi positiva ou negativa para o Brasil.

É uma bomba política dentro do questionário. A direita tenta vender a pauta como segurança pública. O governo Lula pode enquadrar o tema como soberania nacional. No meio, Flávio Bolsonaro aparece associado à hipótese de interferência estrangeira em assunto brasileiro.

Até a divulgação da pesquisa, não há número novo do Datafolha a ser antecipado. O fato confirmado é o registro, a amostra, o período de campo, o custo, a contratante e o conteúdo do questionário. O resto será consequência política quando os percentuais aparecerem.

A prova de fogo para Flávio Bolsonaro será simples. Se ele resistir, ganha tempo para tentar recompor a direita, segurar o PL e negociar com o Centrão. Se cair de novo, a direita terá de admitir que o sobrenome Bolsonaro já não basta para manter palanque, partido e eleitor independente na mesma fotografia.

No Paraná, a resposta do Datafolha terá leitura imediata. Se Flávio Bolsonaro vier fraco, Moro, Deltan e Filipe Barros terão de explicar por que continuam amarrados a uma candidatura que pode contaminar a disputa estadual. Se vier competitivo, o PL tentará vender sobrevivência como virada.

A sexta-feira (19) não será apenas dia de pesquisa. Será dia de medir se o BolsoMaster virou ferida eleitoral ou se ainda cabe no curativo da bolha.

Continue acompanhando a cobertura das eleições de 2026, dos bastidores do poder e da crise do Banco Master no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *