Copom decide Selic nesta quarta com mercado à espera de pausa

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta terça e na quarta-feira, 4 de novembro, para decidir a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão sai na quarta. A maioria do mercado aposta que o colegiado interrompa o ciclo de cortes e mantenha o juro no patamar atual, por causa da piora na percepção de risco fiscal depois da eleição e da inflação acima da meta.

Levantamento do Valor Econômico com 105 bancos e consultorias mostra que 72 esperam a manutenção da Selic em 13,75% e 33 projetam ao menos mais um corte de 0,25 ponto percentual. Antes da eleição, a aposta predominante era de novo corte. O mercado de opções digitais indicava 68% de chance de manutenção e 29% de chance de redução de 0,25 ponto.

O argumento da maioria é que o cenário piorou em várias frentes. O dólar, que girava perto de R$ 5,15 na última reunião, passou a operar na faixa de R$ 5,35 a R$ 5,50, o que aumenta o repasse da alta da moeda para os preços. O petróleo se aproximou de US$ 115 por barril com a guerra no Irã. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro e acumulou 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta. A prévia de outubro, o IPCA-15, avançou 0,32% e chegou a 4,62% em 12 meses.

A inflação corrente mais persistente tem três componentes apontados pelos economistas: o efeito do El Niño sobre os alimentos, o fim da escala de trabalho 6×1 e a reforma tributária, além do possível fim do subsídio aos combustíveis. Os bancos Itaú Unibanco, BTG Pactual e Morgan Stanley e as gestoras Genoa, Legacy e XP Asset passaram a projetar a Selic estacionada em 13,75% pelo menos até o fim de 2027. Apenas quatro instituições trabalham com a hipótese de alta dos juros no próximo ano.

O governo pressiona pelo corte. Deputados do PT e aliados cobraram publicamente a redução do juro. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que os analistas que revisaram as projeções depois do segundo turno estão “fazendo política e sabotando a nossa economia”. A deputada Gleisi Hoffmann (PR) atribuiu ao mercado financeiro o “DNA do autoritarismo”. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) afirmou que os juros têm de cair, “mas não pode ser na marra”.

No centro do debate está a proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, de reduzir a Selic gradualmente ao longo de cerca de 12 meses até 7,5% ao ano. O Ministério da Fazenda, comandado por Dario Durigan, negou que o governo estude tabelar juros ou usar reservas cambiais para segurar o câmbio. “Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação”, afirmou o ministro.

Para o consumidor, a decisão tem efeito direto. A Selic é a taxa de referência do crédito no país: ela orienta os juros do cartão de crédito, do cheque especial, dos empréstimos pessoais e do financiamento imobiliário, além do rendimento da renda fixa. Uma pausa nos cortes mantém o crédito caro e segura a queda das parcelas. Um corte de 0,25 ponto, se vier, terá efeito pequeno no bolso no curto prazo, mas altera a expectativa para 2027.

O comunicado do Copom, divulgado na noite de quarta-feira, vai indicar o caminho dos próximos meses. O mercado quer saber se o Banco Central vai indicar pausa longa ou apenas uma interrupção temporária do ciclo. A resposta depende do comportamento do dólar, do petróleo e das expectativas de inflação até a próxima reunião, em dezembro.

Acompanhe a cobertura no Blog do Esmael.

esmaelmorais-128x128

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *