O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que concederia perdões preventivos a Elon Musk e a assessores próximos caso os democratas conquistem o Congresso dos Estados Unidos na eleição de meio mandato desta terça-feira (3). A declaração foi dada no podcast Pod Force One, da jornalista Miranda Devine, do New York Post, divulgado nesta segunda-feira (2).
Questionado se recorreria a perdões antes de qualquer condenação, Trump respondeu: “Eu faria se precisasse. Claro.”. Em outro momento, disse: “Eu nem pensaria nisso. Eu faria.”. O perdão presidencial preventivo alcança pessoas que ainda não foram processadas e impede que autoridades federais as processem pelos crimes cobertos.
Trump citou os cerca de 1.500 condenados pelo ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021 que perdoou no início do segundo mandato. Também usou como exemplo os perdões preventivos concedidos por Joe Biden a aliados, entre eles o ex-assessor médico Anthony Fauci, o ex-presidente do Estado-Maior Conjunto Mark Milley e integrantes da comissão que investigou o ataque.
A fala sobre perdões ocorre no mesmo dia do pronunciamento final de Trump no espelho d’água do Lincoln Memorial, em Washington. No discurso, ele chamou os candidatos democratas de “os mais perigosos da história” e disse que a eleição é a mais importante da vida dos norte-americanos. O último comício presencial foi em Salina, no Kansas, no domingo (1º), depois de 28 compromissos de campanha.
A eleição renova todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado dos Estados Unidos, além de 39 governos estaduais e territoriais. Os democratas precisam de quatro cadeiras de virada na Câmara e de quatro no Senado. Os republicanos controlam o Senado por 53 a 47.
As corridas mais observadas no Senado estão em Michigan, Geórgia, Maine, Ohio e Texas. Em Michigan, o progressista Abdul El-Sayed disputa a cadeira aberta contra o republicano Mike Rogers, que recebeu o endosso da democrata Haley Stevens. No Texas, o democrata James Talarico enfrenta o procurador-geral Ken Paxton, e os republicanos gastaram cerca de US$ 210 milhões na disputa.
Na Câmara, os republicanos defendem distritos vulneráveis em Nova York, Texas e Iowa, enquanto os democratas protegem cadeiras em distritos redesenhados. A agência Reuters estima que apenas 40 a 50 corridas sejam realmente competitivas, o que reduz o tamanho de uma eventual onda.
O custo de vida lidera as preocupações do eleitor. Os democratas fazem campanha em torno de preços de alimentos, moradia, combustível e saúde. A guerra contra o Irã complica a posição republicana, e a imigração segue como tema decisivo, com críticas à abordagem do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
O partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 18 das últimas 20 eleições de meio mandato, segundo o The Guardian. O custo de vida, a guerra contra o Irã e a imigração estão entre os temas que dominam a reta final.
A possibilidade de os democratas retomarem o Congresso explica a discussão sobre perdões. Parlamentares democratas já falaram em investigar aliados de Trump. O deputado Jamie Raskin, principal democrata na Comissão de Justiça da Câmara, disse que o partido poderia usar o poder de intimação. A senadora Elissa Slotkin defendeu que uma maioria democrata abra casos contra pessoas que ajudaram a viabilizar o governo.
A eleição ocorre nesta terça-feira (3). Os eleitos tomam posse em janeiro de 2027, no início da 120ª legislatura do Congresso.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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