Jeferson Miola: Para não se mostrar no espelho, Globo escondeu escândalo da parabólica na homenagem a Carlos Monforte

Por Jeferson Miola, em seu blog

O jornalista Carlos Monforte, falecido aos 77 anos, é reconhecido como um excelente profissional, tendo se destacado no noticiário televisivo da Rede Globo.

No seu noticiário, a Globo prestou merecida homenagem a Monforte, fazendo um retrospecto abrangente da trajetória dele e recitando seus momentos mais marcantes como entrevistador.

A Globo deixou de fora dessa retrospectiva, no entanto, a famosíssima entrevista do Monforte com o ex-embaixador Rubens Ricúpero, então ministro da Fazenda do governo Itamar, no episódio que ficou conhecido como o “escândalo da parabólica”, ocorrido no dia 1º de setembro de 1994, há exatos 32 anos no dia de hoje, faltando apenas 31 dias da disputa presidencial entre Lula e FHC.

É inevitável a analogia daquele escândalo com o papel desempenhado pelo Grupo Globo na eleição deste ano, como ficou bem evidenciado no procedimento faccional da emissora nas entrevistas do Jornal Nacional

Naquele momento, como hoje, a Globo optou pela mentira como arma da guerra contra Lula.

Para ajudar FHC se eleger, a empresa da família Marinho abandonou a isenção jornalística e adotou a “ética do Ricúpero”: “não tenho escrúpulos. O que é bom a gente mostra; o que é ruim a gente esconde”.

A fala do Ricúpero deu-se nos bastidores, quando ele se preparava no estúdio para a entrevista ao Monforte que entraria ao vivo no Jornal Nacional, e foi captada por telespectadores da época através de antenas parabólicas, e somente por isso se tornou notícia e ganhou a condição de fato jornalístico bombástico.

Se pudesse, a Globo teria escondido o mega-escândalo. Afinal, a autodeclaração de um ministro da Fazenda se assumindo como inescrupuloso teria um enorme valor jornalístico valiosíssimo em qualquer parte do mundo – menos, no entanto, no mundo da Globo, pois era essencial esconder a verdade para não permitir que Lula se beneficiasse eleitoralmente.

É compreensível a Globo se empenhar em apagar também este vestígio vergonhoso da sua tradição de jornalismo de guerra contra Lula, que hoje pratica de maneira descarada para impedir a reeleição e o quarto mandato dele.

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A Globo continua sendo a Globo de sempre; o mesmo grupo midiático-econômico que combateu o 13º salário na origem, que apoiou o golpe de 1964, a farsa do Collor, a falta de ética do Ricúpero, a derrubada da Dilma, a prisão do Lula pela gangue da Lava Jato, e a dinâmica política que levou à eleição de Jair Bolsonaro.

A Globo escondeu o escândalo da parabólica na homenagem ao Monforte para não se mostrar no espelho. A imagem da emissora dos Marinho está associada historicamente a uma maneira inescrupulosa de fazer “jornalismo”.

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Publicação de: Viomundo

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