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A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (24) mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 41% das intenções de voto para a Presidência da República no Paraná, contra 23% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de 18 pontos percentuais coloca o senador em vantagem fora da margem de erro e revela um cenário paranaense bem mais favorável ao bolsonarismo do que o quadro nacional.
O levantamento foi contratado pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, e ouviu 804 eleitores de 16 anos ou mais entre 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-05388/2026.
No cenário estimulado sem Pablo Marçal (PRTB), Flávio Bolsonaro aparece com 41%, enquanto Lula registra 23%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Romeu Zema (Novo), 3%, e Renan Santos (Missão), 2%.
Na sequência aparecem o escritor Augusto Cury (Avante) e Edmilson Costa (PCB), com 1% cada. Samara (Unidade Popular), Veterinário Wilson Grassi (Democrata), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO) não chegam a 1%.
O dado que completa a fotografia eleitoral é o tamanho do eleitorado ainda não definido. Segundo a Quaest, 17% estão indecisos e 7% afirmam que votarão em branco, nulo ou não votarão.
Mesmo com esse contingente, Flávio Bolsonaro reúne mais de quatro em cada dez intenções de voto no Paraná. Lula, por sua vez, fica 18 pontos atrás do senador.
A distância é suficientemente ampla para não ser explicada apenas pela margem de erro. Mesmo no limite estatístico mais favorável a Lula e mais desfavorável a Flávio, a diferença permaneceria relevante.
O levantamento também mostra que o voto presidencial está relativamente consolidado no estado. Para 72% dos eleitores entrevistados, a escolha do candidato é definitiva. Outros 28% admitem que ainda podem mudar de voto até 4 de outubro.
Esse grupo de 28% passa a ter peso estratégico na campanha, sobretudo porque a parcela dos indecisos ainda é superior à votação individual de todos os candidatos que aparecem depois de Flávio e Lula.
Flávio abre vantagem no Paraná
O resultado paranaense contrasta com o cenário nacional das pesquisas mais recentes, nas quais a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece muito mais equilibrada.
No levantamento BTG/Nexus divulgado também em 24 de agosto, Lula aparece com 41% no primeiro turno contra 37% de Flávio. No segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados: 46% para Lula e 45% para Flávio.
A diferença entre os dois levantamentos reforça o peso do Paraná como um dos principais redutos eleitorais da direita em 2026. Na pesquisa estadual, Flávio chega a 41%, enquanto Lula fica em 23%.
O desempenho de Flávio também aparece em linha com a trajetória observada pela Quaest em outros levantamentos, que apontaram recuperação do senador no campo da oposição e maior concentração do voto de direita em torno de sua candidatura.
O Paraná, portanto, apresenta uma configuração própria dentro da eleição presidencial. A vantagem de Flávio sobre Lula é maior do que a diferença registrada em pesquisas nacionais e coloca o estado no centro da estratégia eleitoral do candidato do PL.
Lula tem governo desaprovado no Paraná
A pesquisa ajuda a explicar parte desse ambiente ao medir a avaliação do governo federal.
Entre os paranaenses entrevistados, 60% desaprovam o governo Lula, enquanto 36% aprovam. Outros 4% não souberam ou não responderam.
Na avaliação qualitativa, 53% classificam o governo como negativo. Outros 27% consideram a gestão positiva e 19%, regular. Há ainda 1% que não soube ou não respondeu.
O resultado produz uma diferença de 24 pontos entre desaprovação e aprovação e uma distância de 26 pontos entre as avaliações negativa e positiva.
A avaliação do governo, porém, não deve ser confundida automaticamente com intenção de voto. São perguntas diferentes e medem dimensões distintas do comportamento eleitoral. O dado relevante é que, no Paraná, a desaprovação da administração federal aparece numericamente maior do que a votação de Lula no primeiro turno.
Marçal muda pouco o quadro
A Quaest também testou um segundo cenário com Pablo Marçal (PRTB).
Nesse caso, Flávio Bolsonaro sobe para 42% e Lula vai a 24%. Marçal aparece com 4%, Caiado tem 3%, Zema marca 2% e Renan Santos fica novamente com 2%.
Os demais candidatos permanecem entre zero e 1%.
A presença de Marçal, portanto, altera pouco a estrutura da disputa no Paraná. Flávio continua isolado na liderança e Lula permanece na segunda posição.
A principal mudança é a entrada de Marçal no espaço eleitoral da direita, mas sem produzir uma transferência suficiente para retirar Flávio da liderança.
Paraná entra na disputa nacional
A pesquisa contratada pela RPC também tem efeito sobre a disputa estadual porque mede a força dos dois principais polos nacionais entre os eleitores paranaenses.
O mesmo levantamento mostra Sergio Moro (PL) liderando a corrida ao governo do Paraná com 37%, seguido por Requião Filho (PDT), com 21%, e Sandro Alex (PSD), com 15%.
No Senado, Alexandre Curi (Republicanos) aparece com 15%, Gleisi Hoffmann (PT) tem 11%, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) registram 9% cada, e Cristina Graeml (PSD) marca 8%.
A fotografia completa da Quaest mostra, portanto, um Paraná com vantagem expressiva de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e uma disputa estadual liderada por Sergio Moro.
O dado presidencial é especialmente relevante para as campanhas porque 72% dos entrevistados dizem considerar definitiva a escolha do candidato. A eleição, entretanto, ainda tem 28% de eleitores que admitem mudar de posição, além de 17% que permanecem indecisos.
A pesquisa é uma fotografia do momento, não uma previsão do resultado de 4 de outubro. Mas a imagem registrada em 20 a 23 de agosto é objetiva: Flávio Bolsonaro tem 41% no Paraná, Lula aparece com 23%, e a distância entre os dois chega a 18 pontos percentuais.
Acompanhe a cobertura das eleições de 2026 pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael

