Índice de Tópicos
O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) classificou como “mentirosa” a declaração do deputado estadual Arilson Chiorato (PT), que, em 29 de julho de 2026, foi à sede do Partido Liberal (PL) em Curitiba e acusou o parlamentar bolsonarista de atuar em favor do Banco Master. Barros nega favorecimento, reivindica ter denunciado empresas relacionadas ao caso e anuncia que pretende reapresentar seu projeto sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A resposta foi enviada depois de Arilson chamar a sede estadual do PL de “filial do Banco Master”. A expressão integra a ofensiva eleitoral do presidente do Partido dos Trabalhadores no Paraná (PT-PR) contra a chapa bolsonarista formada no estado.
Arilson já havia protocolado, em 15 de junho, uma notícia de fato na Polícia Federal (PF), com pedido de encaminhamento à Procuradoria-Geral da República (PGR), para investigar a atuação de Filipe Barros. O pedido de apuração não comprova a acusação nem significa que o deputado federal tenha cometido irregularidade.
O confronto gira principalmente em torno do Projeto de Lei 4.395/2024. Apresentada por Filipe Barros na Câmara dos Deputados, a proposta elevava de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão, por CPF ou CNPJ, o limite de cobertura do FGC. A tramitação oficial da Câmara registra que o próprio autor pediu a retirada do projeto em fevereiro de 2026.
Barros afirma que a ampliação protegeria pessoas que acumularam recursos durante a vida. Seus críticos sustentam que uma garantia maior também poderia favorecer o modelo de captação de instituições que ofereciam rendimentos elevados com a proteção do fundo. O FGC é uma entidade privada mantida por contribuições das instituições financeiras associadas, e não diretamente pelo Orçamento da União.
Na nota, o deputado também atribui às próprias denúncias a deflagração da Operação Carbono Oculto. Essa relação causal é uma afirmação de Filipe Barros. Os documentos públicos consultados confirmam investigações sobre fundos ligados à Reag e menções ao Banco Master, mas não demonstram que as representações do parlamentar tenham originado a operação.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou, em apresentação oficial, que abriu apurações distintas envolvendo o Banco Master e a Reag. A autarquia registra investigação sobre o Master a partir de abril de 2025 e inquérito relacionado à Reag a partir de agosto daquele ano.
O embate acrescenta um problema político à campanha de Filipe Barros ao Senado. O deputado tenta preservar a imagem de acusador das empresas investigadas, enquanto Arilson usa o projeto do FGC para questionar a coerência do discurso anticorrupção do PL. Cabe às autoridades competentes apurar se houve favorecimento, conflito de interesses ou alguma irregularidade concreta.
Leia a íntegra da nota de Filipe Barros
NOTA — FILIPE BARROS
Sobre a fala mentirosa de Arilson Chiorato, que veio à porta do PL repetir a balela de que favoreci o Banco Master. A verdade é bem o oposto.
Em 2020, denunciei ao TCE-PR a venda da Sercomtel a Nelson Tanure, apontado por investigações como sócio oculto de Daniel Vorcaro. Em 30/12/2024 (antes de o caso Master estourar), fui o primeiro a fazer denúncias à PF, PGR, TCU, CGU, Receita e CVM pedindo investigação sobre a Reag Investimentos, empresa depois ligada ao Master.
Graças às minhas denúncias, foi deflagrada a Operação Carbono Oculto, a primeira contra o Banco Master. Quem caça essa gente desde 2020 sou eu.
Meu projeto sobre o FGC (fundo mantido pelos bancos, não pelo governo) protege quem poupou a vida inteira. Retirei quando distorceram o sentido real da proposta. Mas digo e repito: vou reapresentá-lo, porque o benefício é para a população, não para os poderosos.
Qualquer coisa fora isso é palanque político.
Filipe Barros
Deputado Federal (PL-PR)
Barros envolve Jane Reis e amplia ataque contra Arilson
O bate-boca não ficou restrito ao escândalo do Banco Master. Em vídeo publicado nas redes sociais, Filipe Barros envolveu a Professora Jane Reis (PT), mulher de Arilson Chiorato, que disputou a Prefeitura de Apucarana nas eleições de 2024.
Barros associou o resultado eleitoral de Jane a uma suposta rejeição ao deputado estadual. Na mesma gravação, chamou Arilson de “fraudador” e citou uma reportagem da Folha de S.Paulo sobre uma representação apresentada ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).
Segundo a acusação de Barros, Arilson teria usado “artimanhas” para direcionar o processo a determinado conselheiro do tribunal. A declaração constitui uma acusação política do deputado do PL, não uma fraude comprovada. A menção a uma reportagem jornalística também não substitui investigação, direito de defesa ou decisão das autoridades competentes.
O parlamentar bolsonarista ainda chamou integrantes do PT de “asseclas” de Lula e empregou uma referência pejorativa a um candidato ao governo do Paraná. O vídeo ampliou o confronto para além do Banco Master e levou a disputa eleitoral ao terreno dos ataques pessoais e familiares.
O Blog do Esmael mantém espaço aberto para manifestações de Arilson Chiorato, da Professora Jane Reis e das demais pessoas mencionadas por Filipe Barros.
Acompanhe no Blog do Esmael a disputa pelo Senado no Paraná e os desdobramentos políticos e judiciais do caso Banco Master.
Leia também:
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
