O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) suspendeu, na terça-feira (7/7), a divulgação da pesquisa PR-09668/2026, da Vox Brasil, sobre as disputas de governador e senador no Paraná, após representação do Diretório Estadual do Partido Social Democrático (PSD-PR), presidido em exercício por Sandro Alex, pré-candidato ao Palácio Iguaçu e herdeiro político de Ratinho Junior (PSD). Um dia depois, os procuradores do partido notificaram veículos de imprensa para remover notícias que publicaram ou replicaram os resultados do levantamento impugnado.
A decisão liminar foi assinada pela desembargadora federal Cláudia Cristina Cristofani, juíza auxiliar do TRE-PR, no processo 0600461-59.2026.6.16.0000. A representação foi movida pelo PSD-PR contra o Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas Ltda., com fundamento no artigo 33 da Lei das Eleições e nos artigos 15 e 16 da Resolução nº 23.600/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O levantamento impugnado é relativo às Eleições Gerais de 2026, para os cargos de governador e senador no Paraná. A decisão registra que a pesquisa foi cadastrada sob o número PR-09668/2026, com registro em 27 de junho de 2026 e data de divulgação indicada para 3 de julho de 2026.
O fundamento da liminar é formal e fiscalizatório. Segundo a decisão, o sistema PesqEle indicava que a pesquisa “não possui arquivo de bairros/municípios”. O PSD-PR alegou que a Vox Brasil não teria complementado o registro, no prazo regulamentar, com os dados relativos aos municípios e bairros abrangidos pelo levantamento.
A magistrada apontou, em exame preliminar, que a ausência dessa informação obrigatória compromete a transparência e a verificabilidade da pesquisa pelos interessados. A decisão afirma que a complementação é exigida para pesquisas não municipais ou distritais, a partir do dia em que o levantamento puder ser divulgado e até o dia seguinte.
A liminar determinou que a Vox Brasil se abstenha de divulgar, republicar ou promover nova divulgação dos resultados da pesquisa PR-09668/2026 até nova decisão judicial. A multa diária fixada é de R$ 5 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil. Caso a pesquisa tenha sido divulgada em canais próprios do instituto, a Vox Brasil deve suspender os conteúdos em 24 horas ou inserir aviso ostensivo de que a divulgação está suspensa por decisão judicial.
A própria decisão ressalva que a liminar não representa juízo definitivo sobre a regularidade da pesquisa nem sobre eventual aplicação de sanção pecuniária. Esses pontos serão analisados depois do contraditório. A Vox Brasil foi notificada para cumprir a ordem e apresentar defesa no prazo legal de dois dias.
O caso ganhou outra dimensão nesta quarta-feira, dia 8 de julho. Em ofício encaminhado a veículos de comunicação, portais de notícias, emissoras de rádio e televisão, provedores de aplicações de internet e demais interessados, os advogados do PSD-PR comunicaram a suspensão da pesquisa e solicitaram a remoção imediata das publicações com os resultados do levantamento.
O documento foi assinado por Gustavo Bonini Guedes e Cassio Prudente Vieira Leite. No texto, os procuradores do PSD-PR afirmam que todos os que tenham publicado, replicado ou veiculado os resultados da pesquisa PR-09668/2026 devem remover as respectivas publicações e se abster de novas divulgações enquanto perdurar a ordem judicial.
O ofício também afirma que o descumprimento da solicitação poderá levar à adoção de medidas judiciais cabíveis, inclusive com pedido de aplicação de multa e demais sanções previstas na legislação eleitoral.
A diferença política é relevante. A decisão judicial tem como alvo formal o Instituto Vox Brasil, mas a reação jurídica do PSD-PR buscou irradiar o efeito da liminar para a imprensa que havia publicado ou replicado a pesquisa. A suspensão de um levantamento eleitoral, portanto, deixou de ser apenas uma disputa entre partido e instituto de pesquisa e passou a envolver também a circulação jornalística de informações sobre a corrida estadual.
A procuração juntada ao processo mostra Sandro Alex como presidente em exercício do PSD-PR. O documento, assinado em 3 de julho, nomeia os advogados do partido para atuação perante a Justiça Eleitoral, tribunais regionais eleitorais, Tribunal Superior Eleitoral e Supremo Tribunal Federal (STF).
Sandro Alex tenta se consolidar como nome do grupo de Ratinho Junior na sucessão estadual. A ofensiva contra a pesquisa da Vox Brasil ocorre às vésperas do período de convenções partidárias, que vai de 20 de julho a 5 de agosto de 2026, quando os partidos formalizam candidaturas, alianças e palanques.
No Paraná, a disputa de 2026 terá peso ampliado porque o eleitor escolherá governador, dois senadores, deputados estaduais, deputados federais e presidente. Cada pesquisa estadual interfere na montagem de palanques, na negociação entre partidos e na tentativa de pré-candidatos demonstrarem viabilidade antes da campanha oficial.
A suspensão não transforma a pesquisa em fraude nem encerra o debate sobre sua regularidade. Mas o movimento do PSD de Sandro Alex mostra que a guerra eleitoral paranaense entrou no terreno da fiscalização dos registros, da circulação de pesquisas e da disputa pela narrativa pública antes das convenções.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026 no Paraná e em Brasília.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
