O deputado Aécio Neves (MG) tirou o PSDB da corrida presidencial de 2026 nesta quinta-feira, 9 de julho, ao descartar candidatura própria ao Palácio do Planalto; a decisão esvazia a tentativa tucana de disputar o centro e empurra o partido para a negociação de sobrevivência parlamentar.
O gesto é mais forte pelo que desmonta do que pelo que anuncia. O PSDB, que governou o Brasil por dois mandatos com Fernando Henrique Cardoso e disputou o segundo turno presidencial de 2014 com o próprio Aécio, chega a 2026 sem nome próprio no tabuleiro nacional.
A decisão foi confirmada pelo PSDB, que informou que não lançará candidato à Presidência da República em 2026. O partido havia formalizado convite para Aécio disputar a eleição em 27 de maio, depois de tentar antes atrair Ciro Gomes, filiado ao PSDB, para a disputa presidencial; Ciro recusou e manteve o projeto de disputar o governo do Ceará.
Aécio passou a falar em ganhar tempo para construir um projeto de terceira via em 2030. A frase traduz a operação real: em 2026, o PSDB não entra para vencer a Presidência; entra para preservar bancadas, tempo de televisão, fundo eleitoral, federações e palanques estaduais.
Aécio afrouxou o sutiã tucano em 2026 porque o PSDB já não segura sozinho o centro político que ocupou por três décadas. Sem candidatura nacional, o partido deixa de oferecer um polo próprio entre Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ronaldo Caiado (PSD-GO) e outros nomes da direita e do centro-direita.
A consequência é direta: dirigentes tucanos ganham liberdade para negociar estado por estado. O PSDB deixa de ser projeto presidencial e vira peça de composição.
No Paraná, a decisão abre uma pergunta que não cabe no rodapé da política nacional: para onde vai o tucanato paranaense? O estado já tem Sandro Alex (PSD) tentando fechar a base de Ratinho Junior, Rafael Greca (MDB) lançado ao Palácio Iguaçu, Sergio Moro no campo bolsonarista, Requião Filho (PDT) com apoio da Federação Brasil da Esperança e uma direita fragmentada nas convenções de julho e agosto.
O Blog do Esmael mostrou que Sandro Alex marcou convenção do PSD para 25 de julho sem fechar MDB, Progressistas (PP), União Brasil e Podemos. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixa de 20 de julho a 5 de agosto de 2026 o período de convenções partidárias, o que aumenta o valor de cada partido com tempo, nominata e estrutura municipal.
Rafael Greca foi oficializado pelo MDB como pré-candidato ao governo do Paraná em 20 de junho, em Curitiba, com presença de Baleia Rossi e Sérgio Souza. O MDB apresentou Greca como candidato próprio ao Palácio Iguaçu, não como satélite automático do PSD.
O PSDB paranaense, portanto, terá de escolher entre cinco caminhos: aderir ao governismo de Sandro Alex, reforçar Greca, compor com Moro, buscar ponte com o projeto nacional de Caiado ou praticar neutralidade operacional para salvar nominatas proporcionais. Nenhuma dessas rotas devolve ao partido o protagonismo presidencial perdido.
A saída de Aécio da disputa também sepulta de vez a velha promessa da terceira via como candidatura salvadora. A direita travestida de centro, que não constrói nome próprio antes das convenções, vira balcão de apoio depois delas. Em 2026, o PSDB não parece disposto a liderar esse campo; parece disposto a sobreviver nele.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura política do Paraná, de Brasília e das eleições de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
