Moro falta à sabatina da UVEPAR e abre flanco no Paraná

O senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao Governo do Paraná, não participou da primeira sabatina de 2026 organizada pela União de Câmaras, Vereadores e Gestores Públicos do Paraná (UVEPAR) durante a 5ª Marcha dos Legislativos Municipais Paranaenses, em Curitiba, e a ausência criou contraste político com Requião Filho, Luiz França, Sandro Alex e Rafael Greca, que falaram diretamente a vereadores e lideranças municipais.

O primeiro teste municipalista da disputa pelo Governo do Paraná em 2026 teve uma ausência calculada ou, no mínimo, politicamente custosa. Convidado para a sabatina da União de Câmaras, Vereadores e Gestores Públicos do Paraná (UVEPAR), o senador Sergio Moro não compareceu ao encontro e teve a falta atribuída a compromissos de agenda.

A sabatina reuniu Requião Filho, Luiz França, Sandro Alex e Rafael Greca diante de vereadores, presidentes de câmaras municipais, assessores parlamentares, procuradores, diretores legislativos, servidores públicos e lideranças de diferentes regiões do estado. O encontro ocorreu dentro da 5ª Marcha dos Legislativos Municipais Paranaenses, realizada pela UVEPAR em parceria com a DATALEGIS.

O fato confirmado é simples: quatro pré-candidatos aceitaram o confronto institucional com a base municipal; Moro não participou. A leitura política é menos neutra: em uma eleição estadual, faltar a um ambiente povoado por vereadores significa deixar adversários ocuparem a capilaridade do Paraná real, onde a política passa por câmaras municipais, orçamento local, fiscalização de obras, atendimento ao cidadão e cobrança direta por serviços públicos.

A justificativa informada foi agenda. Não há, até aqui, elemento público que permita afirmar boicote, fuga ou recusa deliberada ao debate. Mas a consequência política existe: a cadeira vazia de Moro virou o dado mais sensível de uma sabatina que pretendia apresentar projetos para o futuro do estado.

Moro falta à sabatina da UVEPAR e abre flanco no Paraná
Presidente da UVEPAR, Fatima Castro, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. Foto: reprodução

O evento também teve peso institucional porque contou com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza. Ele tratou de segurança do processo eleitoral, transparência e normas do pleito de 2026 em painel com o ex-desembargador José Rodrigo Sade, sob condução da Escola Paranaense de Direito, representada por Luiz Gustavo de Andrade e Roosevelt Arraes.

A presença do TRE-PR muda a natureza do encontro. Não foi apenas uma rodada de falas de pré-candidatos. Foi um espaço de pré-campanha sob observação institucional, com vereadores discutindo condutas vedadas, processo eleitoral e regras de disputa antes do início oficial da campanha.

Os inscritos também participaram do “Jogo da Eleição”, atividade de simulação do processo eleitoral conduzida pela Escola Paranaense de Direito, UVEPAR, Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Instituto Mais Cidadania e Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. A proposta foi traduzir, em prática, etapas do sistema democrático para agentes públicos municipais.

Esse ponto interessa ao eleitor porque 2026 não será decidido apenas em grandes comícios ou redes sociais. No Paraná, vereadores organizam base, medem humor local, conhecem demandas de bairro, levam queixas de estrada, saúde, escola, segurança e pedágio aos candidatos. Quem não comparece a uma sabatina desse tipo perde a chance de falar com esse intermediário direto entre campanha e território.

A presidente da UVEPAR, Fatima Castro, afirmou que a sabatina buscou fortalecer o Legislativo Municipal e garantir acesso direto dos vereadores às propostas de quem pretende governar o Paraná. A declaração reforça o sentido institucional do evento: os municípios querem ouvir antes de serem usados como palco eleitoral.

Moro falta à sabatina da UVEPAR e abre flanco no Paraná
Requião Filho participa da sabatina da UVEPAR. Foto: reprodução

Para Requião Filho, Luiz França, Sandro Alex e Rafael Greca, a sabatina serviu como vitrine diante de um público que carrega voto, demanda e cobrança. Para Moro, a ausência preservou a agenda do senador, mas abriu um flanco narrativo: o pré-candidato que tenta governar o Paraná não esteve no primeiro encontro coletivo com a vereança estadual.

O episódio não define a eleição. Mas ajuda a medir o tipo de campanha que cada nome pretende fazer. Uma disputa estadual exige televisão, rede social, palanque regional, estrutura partidária e conversa municipal. Na primeira sabatina da UVEPAR, Moro ficou fora da foto política; os adversários ficaram com o microfone.

O Blog do Esmael seguirá acompanhando a disputa pelo Governo do Paraná em 2026, com atenção às agendas públicas dos pré-candidatos, às regras eleitorais e ao impacto concreto das propostas nos municípios. Acompanhe, compartilhe e envie informações verificáveis sobre a pré-campanha no estado.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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