Baleia Rossi, presidente nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), disse ao Blog do Esmael neste sábado (20), em Curitiba, que o partido liberou os diretórios estaduais para apoiar o palanque presidencial que melhor atender à correlação de forças local em 2026; na prática, candidatos a governador, senador e deputado poderão estar com Lula (PT) ou com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sem amarra nacional.
A fala não foi feita no palco da Sociedade Thalia, onde o MDB lançou Greca ao Palácio Iguaçu. Baleia Rossi respondeu ao Blog do Esmael depois do evento, ao ser questionado sobre o rumo nacional do partido na eleição presidencial. O dirigente foi solene e peremptório: o MDB não estará, como partido nacional, em nenhum palanque presidencial.
A decisão tem consequência direta nos estados. O MDB tenta preservar candidaturas próprias, chapas proporcionais e alianças locais sem carregar, obrigatoriamente, o peso da polarização nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro.
No Paraná, a liberação dá a Greca margem para montar uma campanha estadual sem declarar, neste momento, submissão a uma candidatura presidencial. O ex-prefeito de Curitiba entra na disputa pelo Palácio Iguaçu em um ambiente fragmentado, com Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e outros nomes disputando espaço na corrida de 2026.
A posição anunciada por Baleia Rossi confirma uma tendência que ele já havia adiantado ao Blog do Esmael em dezembro de 2025, durante o evento de filiação de Alvaro Dias ao MDB. Naquele momento, o dirigente nacional já indicava que a legenda dificilmente caberia inteira em um só palanque presidencial.
O cálculo emedebista é simples e federativo: o MDB do Nordeste não vota igual ao MDB do Sul, o MDB de governos estaduais não se move como o MDB de oposição local, e a disputa por deputado federal pode exigir alianças diferentes da disputa por presidente da República.
No Paraná, interlocutores emedebistas avaliam que o eleitor bolsonarista mais duro não tem identidade orgânica com o MDB e tende a não transferir voto automaticamente para candidatos da legenda. Essa é uma leitura política interna, não um dado de pesquisa, mas ajuda a explicar por que o partido prefere não entregar seu destino estadual a um palanque nacional comandado por Flávio Bolsonaro.
A mesma lógica vale para Lula. Onde o presidente tiver força eleitoral, estrutura partidária e capacidade de transferência, o MDB poderá compor. Onde o lulismo for considerado um custo para candidaturas locais, o partido ficará livre para escolher outro caminho ou manter distância calculada.
A decisão também reduz o poder de chantagem dos polos nacionais sobre os diretórios regionais. Sem candidatura presidencial própria e sem adesão compulsória a Lula ou a Flávio Bolsonaro, o MDB tenta transformar sua capilaridade municipal em moeda de negociação para governos, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
No caso paranaense, o gesto ajuda Greca, mas não resolve seu problema central. O ex-prefeito ganha liberdade nacional, porém ainda precisa demonstrar musculatura estadual, atrair prefeitos, segurar quadros do MDB e provar que sua candidatura não será apenas uma terceira via de salão entre o bolsonarismo, o grupo de Ratinho Junior (PSD) e o campo progressista.
A presença de Baleia Rossi em Curitiba indica que o MDB nacional bancará a largada de Greca. A ausência de um palanque presidencial obrigatório, por outro lado, mostra que o partido quer disputar 2026 com uma regra pragmática: cada estado cuidará de sua própria sobrevivência eleitoral.
Para o eleitor, a consequência é objetiva. Um candidato do MDB ao governo, ao Senado ou à Câmara poderá aparecer em um estado ao lado de Lula e, em outro, ao lado de Flávio Bolsonaro. A legenda aposta que a elasticidade regional será vantagem. Os adversários dirão que é falta de lado. A urna dirá se o velho MDB ainda sabe transformar ambiguidade em poder.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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