Defesa de livre negociação entre lobo e cordeiros para jornada e escala de trabalho mostra como elite paulista vive no passado.
Por Marcos de Oliveira*, no Monitor Mercantil
No século passado, ainda se usava a expressão “quatrocentões” para designar a elite paulista tradicional, descendente de produtores rurais escravocratas (em sua maioria). O termo caiu em desuso junto ao declínio das famílias, mas a postura da elite – não somente, mas especialmente a paulista – não se alterou.
Nota divulgada nesta sexta-feira, 29, por Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), manifesta apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/26, apresentada pelo senador bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN).
Em resumo, a PEC propõe livre negociação direta entre empresário e trabalhador sobre jornada e escala de trabalho, inclusive com adoção do regime de trabalho por hora. Uma negociação similar à do lobo com o cordeiro. Cervone assegura que “a nova proposição, ao contrário do conceito leviano que começa a ser difundido nas mídias sociais, não é patronal, mas sim de interesse de todos os brasileiros”. Temos à frente do Ciesp um socialista?
O sistema de trabalho horário é um dos responsáveis pela precarização do emprego nos EUA e outros países que o adotaram, levando a queda de produtividade e desalento dos empregados. Este colunista pode apoiar a proposta… desde que se garanta um mínimo de US$ 7,25 (em moeda pátria, R$ 37) por hora trabalhada, como é nos EUA, a admirada nação dos patriotas (alguns estados de lá garantem mínimo horário maior, de até US$ 14).
* Marcos de Oliveira, jornalista, formado pela ECO/UFRJ, é diretor de Redação do Monitor Mercantil e conselheiro da Câmara de Intercâmbio Cultural Brasil-China
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Publicação de: Viomundo
