Maquila paraguaia aperta emprego no Oeste do Paraná

A maquila paraguaia entrou na conta eleitoral do Oeste do Paraná neste domingo (24), depois que empresas brasileiras instaladas no regime já deslocaram cerca de 25 mil empregos do Brasil. O dado atinge Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo e a base industrial que vive perto da fronteira.

O levantamento mostra 232 empresas brasileiras atraídas desde 2007. Das mais de 320 maquiladoras estrangeiras registradas no Paraguai, 70% têm origem brasileira. O recorte nacional já foi dado. O problema paranaense é outro: parte desse deslocamento passa pela logística, pela alfândega, pela indústria leve e pelo comércio que orbitam a Ponte da Amizade.

A maquila é um regime de produção voltado à exportação. Uma empresa estrangeira, chamada matriz, contrata uma unidade instalada no Paraguai para produzir bens ou prestar serviços. Essa unidade importa insumos, usa mão de obra local, agrega valor no país vizinho e reexporta o produto final.

O atrativo central está no custo. O contrato de maquila paga tributo único de 1% sobre o valor agregado em território paraguaio ou sobre a fatura feita por conta da matriz. A Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai informa que as atividades do contrato ficam isentas de outros tributos nacionais, departamentais ou municipais.

O regime não é improviso paraguaio. O Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai informa que a maquila passou a ser regulada pela Lei nº 7.547, de 8 de setembro de 2025, que substituiu a antiga Lei nº 1.064/1997. A mudança modernizou um instrumento usado para atrair investimento, emprego formal e exportações com valor agregado.

Os números oficiais mostram a velocidade do avanço. Em abril de 2026, as maquiladoras paraguaias registraram US$ 100 milhões em exportações, US$ 67 milhões em importações, 5.162 operações autorizadas e 35.357 empregos vinculados. Os dados são do Conselho Nacional de Indústrias Maquiladoras de Exportação (CNIME).

O Brasil é o destino principal dessa produção. No acumulado até abril de 2026, 65% das exportações das maquiladoras foram para o mercado brasileiro. Os países do Mercosul receberam 82% dos embarques. O que parece política industrial paraguaia, portanto, disputa consumidor, contrato e cadeia produtiva dentro do Brasil.

O dado que mais fala com o Paraná está no mapa. Segundo o relatório oficial, 48% das empresas com programa de maquila aprovado ficam no departamento de Alto Paraná, do outro lado da fronteira com Foz do Iguaçu. Alto Paraná, Central, Capital e Amambay concentram 92% das empresas aprovadas.

A fronteira não é abstração tributária. A Receita Federal informa que a Alfândega de Foz do Iguaçu atua na tríplice fronteira e fiscaliza a Ponte da Amizade, que conecta Brasil e Paraguai. É por essa engrenagem que passam mercadoria, insumo, caminhão, nota fiscal, informalidade e disputa por preço.

Os setores também explicam a dor local. Em abril, confecções e têxteis respondiam por 8.091 empregos vinculados à maquila, autopartes por 7.865, serviços intangíveis por 3.982, plásticos por 2.799 e químicos-farmacêuticos por 2.578. Esses cinco ramos concentravam 72% dos empregos do regime.

A consequência política é simples de entender. Quando uma fábrica cruza a fronteira para pagar menos imposto e contratar com menor custo, a prefeitura brasileira perde base de arrecadação, o trabalhador formal perde vaga potencial e a indústria local passa a competir com uma estrutura desenhada para exportar de volta ao Brasil.

A pauta cobra resposta concreta dos pré-candidatos de 2026 no Paraná. Quem pedir voto em Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo, Medianeira, Marechal Cândido Rondon ou Guaíra terá que dizer como pretende tratar imposto, crédito industrial, custo de energia, infraestrutura, alfândega e proteção ao emprego formal.

O peso eleitoral também explica por que a maquila não pode ficar fora da campanha. O Oeste do Paraná já superou a marca de 1 milhão de eleitores nos 50 municípios da região e responde por algo perto de 12% do eleitorado estadual. Em abril de 2026, só Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo somavam mais de 544 mil votantes. É voto suficiente para cobrar de pré-candidato a governador, senador e deputado uma posição clara sobre emprego, fronteira, indústria e competição com o Paraguai.

Também não basta repetir defesa genérica da indústria. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já apresenta a Nova Indústria Brasil como política de neoindustrialização com metas até 2033. O Oeste precisa saber onde entra nessa política, sob pena de virar apenas corredor logístico de uma indústria instalada do outro lado do rio.

O Paraguai aprovou 24 programas de maquila em abril, com US$ 57 milhões em investimento e 1.154 empregos projetados. O dado mostra que a disputa não ficou no passado. Ela continua contratando gente no país vizinho enquanto o Paraná ainda discute a pauta como se fosse tema distante de economista.

A eleição de 2026 no Paraná terá pesquisa, palanque, segurança, pedágio e sucessão estadual. Mas o emprego que cruza a Ponte da Amizade sem aparecer no palanque já virou teste de verdade para quem diz defender o trabalhador, a indústria e o interior.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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