Lula goleia Flávio Bolsonaro no Ceará

O presidente Lula (PT) aplicou uma goleada eleitoral em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Ceará, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (20), e ampliou a pressão sobre a direita em um estado-chave do Nordeste no auge da crise do BolsoMaster.

No cenário estimulado para presidente, Lula aparece com 60% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro marca 21%. Romeu Zema (Novo) tem 4%, Renan Santos (Missão) soma 3%, Ronaldo Caiado (PSD) registra 2%, e os demais nomes ficam no piso da disputa.

A distância entre Lula e Flávio Bolsonaro chega a 39 pontos no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, o placar também é largo: Lula teria 63%, contra 27% de Flávio. Brancos e nulos somam 5%, mesmo índice dos que não souberam ou não responderam.

A pesquisa ouviu 1.600 eleitores no Ceará entre 18 e 19 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro informado no levantamento é BR-01744/2026.

O dado mais duro para Flávio Bolsonaro não está apenas na intenção de voto. A rejeição dele chega a 60% no Ceará, a maior entre os nomes testados. Lula também enfrenta rejeição, de 36%, mas com vantagem folgada no voto e aprovação de governo em 66% no estado.

O levantamento foi feito depois da crise aberta pelo áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A pesquisa ocorreu após o caso vir à tona na quarta-feira (13), com o pedido de dinheiro do senador ao empresário.

Flávio Bolsonaro também confirmou, na terça-feira (19), que se encontrou com Vorcaro depois da prisão do dono do Master. O senador disse que a visita em São Paulo serviu para encerrar a relação com o empresário, que, segundo ele, era investidor do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

O Ceará, portanto, virou um teste de resistência para Lula e um teste de desgaste para Flávio Bolsonaro. No Nordeste, onde o lulismo tem base social consolidada, a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro encontra uma barreira dupla: voto baixo e rejeição alta.

A consequência não fica presa ao mapa cearense. Se Lula mantiver vantagem ampla no Nordeste e a direita entrar dividida no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a eleição presidencial pode encurtar o calendário político dos palanques estaduais.

No Paraná, esse cálculo atinge Sergio Moro (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). A aliança de Moro com Flávio Bolsonaro reorganizou a disputa da direita no estado e abriu espaço para uma chapa com Deltan ao Senado, segundo apuração publicada pelo Blog do Esmael em março.

A filiação de Moro ao PL também enfrentou resistência interna no partido e reaproximação com Deltan. O Blog do Esmael registrou que a cerimônia marcou o lançamento da pré-candidatura de Moro ao governo, com Deltan como postulante ao Senado.

Esse é o ponto político da pesquisa no Ceará para o eleitor paranaense. Quanto mais Flávio Bolsonaro sangra nacionalmente, maior o risco de Moro carregar no estado o peso de uma candidatura presidencial enfraquecida. Deltan, por sua vez, depende da mesma ponte entre Novo e PL para sustentar espaço na disputa ao Senado.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) opera no sentido oposto. Para o PT, uma eleição nacionalizada ajuda a transformar a disputa paranaense em plebiscito sobre Lula, bolsonarismo, Lava Jato e futuro do estado. O Ceará oferece à esquerda um argumento simples: onde Lula mantém base forte, Flávio Bolsonaro não conseguiu atravessar a porteira.

A pesquisa Real Time Big Data não decide a eleição de 2026, mas mostra uma tendência incômoda para a direita. Flávio Bolsonaro pode até tentar resistir no eixo bolsonarista tradicional, mas o Nordeste cobra outro preço político. No Paraná, Moro e Deltan já fazem a conta desse prejuízo.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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