LIDE leva políticos a NY na sombra de Vorcaro

O LIDE, grupo fundado por João Doria, reunirá nesta terça-feira (12), no Harvard Club of New York City, em Nova York, presidenciáveis, parlamentares e empresários para discutir “O Brasil e o seu Futuro”, mas o fórum chega à largada eleitoral de 2026 com um incômodo no currículo: a entidade premiou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na categoria Empreendedorismo em dezembro de 2024.

A programação oficial apresenta o 15º LIDE Brazil Investment Forum como encontro anual para reunir autoridades e empresários em torno de investimentos no Brasil. A abertura está prevista para 8h em Nova York, 9h em Brasília, com Michel Temer, Luiz Fernando Furlan, João Doria, João Doria Neto, Fernanda Baggio, Ricardo Alban e representantes da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

O nome bonito é fórum de investimentos. A tradução política é outra: um salão privado, fora do país, onde pré-candidatos, parlamentares, empresários e operadores de interesse medem força antes da eleição de 2026. A palavra usada pelo mercado é relacionamento. Em Brasília, isso atende pelo nome de lobby.

O lobby ocorre longe dos olhos dos brasileiros. É nesses salões que se discutem privatizações de ativos públicos e concessões de serviços essenciais por décadas. Dali também saem, muitas vezes, tarifas abusivas, contratos difíceis de rever e serviços que deixam o cidadão pagando mais para receber menos, da conta de luz aos apagões da vida real.

A lista de convidados mostra o tamanho da engrenagem. O LIDE anuncia um primeiro painel com nomes do Legislativo, governadores, integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU) e deputados federais de vários partidos. Entre eles aparece o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), nome conhecido do Centrão e peça recorrente nas articulações nacionais do Paraná.

O segundo painel é ainda mais explícito. A própria página do LIDE chama o bloco das 11h de “Presidenciáveis”. Na programação aparecem Michel Temer, Romeu Zema, Aldo Rebelo e Augusto Cury. Também está previsto Ronaldo Caiado no debate sobre sucessão presidencial e reformas econômicas.

A vitrine de Nova York interessa porque a campanha de 2026 já saiu dos palanques estaduais e entrou nos salões onde dinheiro, influência, lobby e imagem internacional circulam juntos. Zema, Caiado, Leite e outros nomes da direita e do centro buscam musculatura fora da política tradicional, enquanto o empresariado tenta arrancar compromissos antes de o eleitor decidir nas urnas.

O constrangimento de Vorcaro pesa nesse ambiente. O LIDE ocultou temporariamente de sua página no YouTube um vídeo do banqueiro após a premiação de 2024. A gravação era um depoimento de agradecimento de Vorcaro depois de receber o prêmio na categoria Empreendedorismo, na 14ª edição do Prêmio Líderes do Brasil, realizada em 9 de dezembro de 2024.

Depois de questionado, o LIDE afirmou que o vídeo continuava ativo no canal. Pouco depois, a gravação voltou a aparecer normalmente na página do grupo e na playlist do prêmio. O episódio não transforma a entidade em investigada, mas cria uma pergunta inevitável: qual é o critério de prestígio empresarial quando o homenageado vira personagem central de uma fraude bancária?

O Banco Master foi fechado pelo Banco Central em novembro de 2025, depois de investigação da Polícia Federal sobre fraude no sistema financeiro. O banco tinha até US$ 16 bilhões em ativos, enfrentava problemas de liquidez e passou ao controle de um administrador nomeado pelo governo.

A crise avançou sobre Brasília. A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, no âmbito da investigação sobre o Banco Master. Segundo a decisão citada, a apuração apontou suspeita de atuação em favor de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. A defesa de Ciro negou irregularidades.

No caso do Banco de Brasília (BRB), a Polícia Federal prendeu o ex-presidente Paulo Henrique Costa sob suspeita de negociar R$ 146 milhões em propina para beneficiar o Banco Master. A defesa dele negou crime, e a defesa de Vorcaro também rejeitou as acusações.

É esse pano de fundo que torna a semana brasileira em Nova York mais que uma agenda social de empresários. O problema não é discutir investimento fora do país. O ponto é a opacidade de encontros em que políticos com mandato, pré-candidatos e setores regulados se aproximam sem que o público saiba, com clareza, quem paga viagem, hospedagem, acesso, patrocínio e bastidor.

Para o Paraná, a presença de Ricardo Barros recoloca o estado dentro de uma conversa maior sobre Centrão, sistema financeiro e 2026. O eleitor paranaense vê a política local conectada a uma rede nacional em que a disputa pelo Palácio do Planalto, a sucessão no Senado e os interesses dos mais ricos se cruzam antes da campanha oficial.

O LIDE chega a Nova York vendendo futuro institucional, mas carrega o passado recente de uma homenagem embaraçosa a Vorcaro. Em ano eleitoral, fórum privado com presidenciáveis e parlamentares não é apenas networking: é ensaio de poder com plateia selecionada.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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