PCdoB também tenta entrar nessa trilha digital com o professor Thiago Bagatin, pré-candidato a deputado estadual
O Partido dos Trabalhadores (PT) abriu uma frente digital no Paraná ao apresentar o professor Júlio Rodrigues como pré-candidato a deputado federal e Thiago Foltran como pré-candidato a deputado estadual, dois nomes da chamada “bancada das redes” que a sigla tenta montar para 2026.
A aposta mostra que o PT entendeu um recado duro: não basta disputar palanque, sindicato, tempo de televisão e acordo de chapa.
É preciso disputar tela.
O projeto foi anunciado em 16 de abril de 2026 pelo pré-candidato Vinicios Betiol (PT-RJ), que apresentou nomes em vários estados para vagas na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas. No Paraná, a lista trouxe Júlio Rodrigues para federal e Thiago Foltran para estadual.
O PT prepara 37 nomes com presença digital para tentar ampliar bancadas no Congresso e nos legislativos estaduais. A articulação já teria 13 pré-candidatos anunciados, 4 em vias de divulgação e 20 em negociação.
No caso paranaense, o dado que chama atenção é o tamanho da vitrine.
Júlio Rodrigues aparece na lista com 414 mil seguidores no Instagram. Thiago Foltran aparece com 640 mil no Instagram e 271 mil no TikTok, segundo levantamento do Blog do Esmael.
O número não elege ninguém sozinho.
Mas muda o custo da largada.
Em um estado onde o bolsonarismo fez das redes um território permanente, o PT tenta transformar alcance em voto antes que a campanha oficial comece.
A pergunta incômoda é outra: Júlio Rodrigues e Thiago Foltran entram para renovar a bancada ou para cobrir um buraco antigo do PT na comunicação?
O Paraná não é terreno neutro para essa experiência.
A pesquisa Genial/Quaest mostrou o governador Ratinho Junior (PSD) com 80% de aprovação, mas também apontou que 84% dos eleitores não citaram espontaneamente nenhum nome para o governo do Paraná. O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 25 de abril de 2026, tem margem de erro de 3 pontos percentuais e registro PR-02588/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Esse vazio não está apenas na disputa pelo Palácio Iguaçu.
Ele também alcança a eleição proporcional, onde partidos precisam de nomes conhecidos, militância ativa, capilaridade municipal e voto de legenda para sobreviver à briga por cadeiras.
A direita já entendeu isso há anos.
No Paraná, deputados, vereadores, comunicadores, lideranças religiosas e perfis bolsonaristas operam como campanha permanente. A eleição começa antes da urna, no vídeo curto, no corte, na live, no grupo de WhatsApp e no comentário que viraliza.
O PT tenta entrar nesse jogo sem parecer visitante.
A dificuldade é conhecida: transformar audiência em voto exige mais do que postagem viral. Exige base territorial, chapa competitiva, coordenação com campanha majoritária e discurso local.
É aí que a sucessão de Ratinho Junior conversa com a “bancada das redes”.
Se o governador tem aprovação alta, mas ainda não transferiu voto para Sandro Alex (PSD), o campo progressista também precisa provar que suas telas conseguem sair do aplauso digital e virar urna.
Sandro Alex, escolhido por Ratinho Junior para a sucessão, ainda não colou ao nome do governador na Quaest. Segundo a reportagem, ele marcou 5% ou 6% nos cenários de primeiro turno e era desconhecido por 78% dos entrevistados.
Esse dado abre uma avenida para todos os lados.
Para Ratinho Junior, mostra que máquina e aprovação não resolvem sozinhas a transferência de voto.
Para Sergio Moro (PL), indica que a direita ainda tem vantagem de narrativa e recall.
Para o PT, revela que a eleição de 2026 no Paraná pode ser decidida também na disputa por atenção.
Júlio Rodrigues e Thiago Foltran chegam justamente nesse ponto cego.
Aliado do PT na Federação Brasil da Esperança, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) também tenta entrar nessa trilha digital com o professor Thiago Bagatin, pré-candidato a deputado estadual no Paraná. Doutor em Psicologia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Bagatin ganhou projeção nacional em 1º de janeiro de 2026, quando apareceu ao vivo em uma entrada da RPC, afiliada da TV Globo, no litoral paranaense, e respondeu ao repórter: “Sol, mar gostoso, Bolsonaro preso… não tem nada melhor do que isso”. O perfil público dele no Instagram registra cerca de 165 mil seguidores.
Eles não entram apenas como nomes de chapa.
Entram como teste de uma tese: se a esquerda consegue falar com público jovem, furar bolhas, disputar indignação diária e converter engajamento em mandato.
O risco também é claro.
Se o PT tratar influencer como atalho, pode repetir o erro de confundir curtida com base. Se tratar comunicação como organização política, pode abrir uma trilha nova em um estado onde a direita aprendeu a fazer campanha mesmo fora do calendário eleitoral.
No Paraná, a briga de 2026 não será só por governador.
Será por bancada, narrativa e presença diária no celular do eleitor.
O PT colocou Júlio Rodrigues e Thiago Foltran na disputa pela tela do eleitor paranaense. O PCdoB tenta reforçar esse campo com Thiago Bagatin. A urna dirá se a audiência digital virou voto ou ficou presa no espelho das redes.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
.btn-whatsapp-esmael { display: inline-flex; align-items: center; justify-content: center; gap: 10px; background-color: #25D366; color: #fff; padding: 12px 20px; border-radius: 8px; text-decoration: none; font-weight: 700; font-size: 16px; font-family: Arial, sans-serif; transition: background-color 0.3s; max-width: 100%; text-align: center; } .btn-whatsapp-esmael:hover { background-color: #1ebe5b; color: #fff; } .aviso-whatsapp-esmael { font-size: 12px; color: #666; margin: 8px 0 0; line-height: 1.4; font-family: Arial, sans-serif; max-width: 400px; } @media (max-width: 480px) { .btn-whatsapp-esmael { width: 100%; padding: 14px 20px; font-size: 17px; } }

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
