Ditadura de 1964: 61 anos do golpe que calou a democracia

O golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs o então presidente João Goulart, completa 61 anos. O que começou como um movimento militar “preventivo” contra o comunismo, como alegavam os generais, mergulhou o Brasil em 21 anos de censura, repressão e violações de direitos humanos.

Mas afinal: quem ganhou com esse golpe? Quem perdeu? E por que, mesmo seis décadas depois, ainda há quem comemore o início da ditadura militar no Brasil?

Em 1964, o Brasil vivia um turbilhão político, social e econômico. João Goulart, o presidente eleito com apoio das massas, defendia reformas de base, como a reforma agrária, o controle das remessas de lucros e a alfabetização popular.

As elites econômicas, os grandes latifundiários, setores da Igreja Católica, a imprensa conservadora e, claro, o alto comando das Forças Armadas, viam nas propostas de Jango uma ameaça ao “status quo”.

Com apoio logístico e estratégico dos Estados Unidos — documentado em telegramas e relatórios desclassificados décadas depois — os militares marcharam de Minas Gerais para o Rio de Janeiro e Brasília, com aval de governadores e parte do Congresso.

O golpe foi apresentado como “revolução democrática”. Mas quem viveu sabe: foi um regime que matou, torturou e censurou.

Porto de Paranaguá

Em 2025, diferentes autoridades se manifestam sobre os 61 anos do golpe:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “O golpe de 64 não foi uma revolução. Foi uma ruptura institucional brutal contra um governo legítimo.”
  • Sociedade Civil: Entidades como a OAB, CNBB, ABI e Comissão Arns organizaram atos simbólicos com o lema “Ditadura Nunca Mais”.
  • Setores bolsonaristas: Ainda tentam reescrever a história, chamando o golpe de “movimento democrático” — o que escancara a disputa ideológica sobre a memória nacional.

Não é coincidência que o golpe de 1964 tenha servido de modelo para outras intervenções autoritárias na América Latina, como as ditaduras no Chile (1973) e na Argentina (1976). O que muda são os uniformes, mas a lógica é a mesma: perseguir, silenciar e concentrar o poder.

Com as eleições presidenciais de 2026 batendo à porta e a memória do golpe ainda viva, o Brasil segue debatendo os limites da democracia, o papel das Forças Armadas e o risco de retrocessos autoritários.

O governo federal promete reforçar políticas de educação histórica e reparação. Já o Congresso Nacional se divide: enquanto parte cobra justiça de transição, outra — mais alinhada ao bolsonarismo — tenta emplacar anistias e minimizar os crimes da ditadura.

Nos tribunais, o Supremo Tribunal Federal (STF) coloca-se como guardião da Constituição. Mas a polarização nas redes e os discursos de ódio lembram que a democracia brasileira ainda caminha sob tensão.

? O que você precisa saber sobre a ditadura militar

ditadura repressao
Ditadura militar reprimiu a “Passeata dos Cem Mil” promovida pelos estudantes em 1968

O que foi o golpe militar de 1964?

Foi uma ruptura institucional promovida pelas Forças Armadas que depôs o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura no Brasil de 1964 a 1985.

Quem apoiou o golpe de 1964?

Elites econômicas, setores da mídia, militares, parte da Igreja e o governo dos EUA foram aliados decisivos para o sucesso do golpe.

Quantas pessoas foram mortas ou desaparecidas durante a ditadura?

Segundo a Comissão Nacional da Verdade, mais de 400 pessoas foram assassinadas ou desapareceram, além de milhares torturadas e perseguidas.

Por que o 31 de março de 1964 ainda divide opiniões?

Enquanto estudiosos e vítimas denunciam o golpe como início da ditadura, setores conservadores tentam rebatizar o ato como “revolução”, negando os crimes cometidos.

O que é feito hoje para preservar a memória do golpe?

Atos públicos, exposições, livros, filmes e ações da Comissão da Verdade buscam manter viva a memória e combater o negacionismo histórico.

Politécnica da USP homenageia quatro estudantes mortos na ditadura

Sessenta e um anos depois do golpe de 1964, o Brasil ainda luta para cicatrizar as feridas da ditadura. A democracia, embora imperfeita, é uma conquista que não pode ser relativizada — muito menos celebrada por aqueles que exaltam tanques e tortura.

É preciso lembrar para nunca mais repetir: Ditadura nunca mais!

E você? O que pensa sobre os 61 anos do golpe de 64? Deixe seu comentário e compartilhe este conteúdo nas redes!

Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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