Democratas vencem primeiras disputas; Senado segue indefinido

Os democratas venceram as primeiras disputas das eleições de meio mandato nos Estados Unidos, com a reeleição do senador Mark Warner na Virgínia, a recondução de Debbie Wasserman Schultz ao 20º distrito congressional da Flórida e a projeção de vitória de Jon Ossoff na Geórgia. O controle da Câmara dos Representantes e do Senado seguia em aberto quando as urnas fecharam em Ohio, na Carolina do Norte, na Carolina do Sul, na Geórgia, na Virgínia, em Vermont e em parte da Flórida, de New Hampshire e de Indiana.

A noite eleitoral começou a ser apurada às 20h, no horário de Brasília, com o fechamento das seções em Kentucky e em Indiana. Duas horas depois, o resultado parcial já mostrava um padrão que a campanha de Donald Trump tentava evitar: o eleitorado compareceu em volume maior do que em 2022, segundo relatos publicados pelas agências que acompanham a votação, e as vitórias divulgadas até aquele momento eram do partido de oposição.

Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 cadeiras do Senado e o governo de 36 estados. Cerca de 250 milhões de norte-americanos estão aptos a votar. Os democratas precisam de três cadeiras para recuperar a maioria na Câmara, segundo a projeção de bancadas divulgada pelas emissoras que fazem a apuração paralela.

A sequência de fechamento das urnas explica por que o resultado demora. As seções de Kentucky e de Indiana encerraram às 18h, no horário local. Às 19h, fecharam a Flórida, a Geórgia, a Carolina do Sul, Vermont, a Virgínia e a maior parte de New Hampshire. Às 19h30, foi a vez de Ohio, da Carolina do Norte e da Virgínia Ocidental. A apuração da Câmara deve se arrastar pela madrugada, porque os distritos decisivos estão em estados que só fecham as urnas mais tarde e porque a contagem de votos por correio varia de condado para condado.

As corridas observadas com mais atenção estavam em estados onde Trump venceu por margem de dois dígitos em 2024. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper, democrata, disputava a cadeira aberta com Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano. Em Ohio, o ex-senador Sherrod Brown tentava voltar ao Senado contra o republicano Jon Husted, em uma eleição especial marcada pela disputa sobre data centers. Na Carolina do Sul, Darline Graham, irmã do senador Lindsey Graham, morto em julho, buscava mandato próprio contra a pediatra Annie Andrews. Em New Hampshire, o ex-senador John Sununu desafiava o deputado Chris Pappas em uma cadeira aberta.

Na Flórida, a disputa do 13º distrito congressional estava empatada tecnicamente com 96% dos votos apurados: a republicana Anna Paulina Luna e a democrata Leela Gray, veterana do Exército, se alternavam na liderança. O estado também realizava uma eleição especial para o Senado, com a progressista Angie Nixon tentando derrotar a republicana Ashley Moody.

Os primeiros números da boca de urna da Associated Press apontaram a economia e o estado da democracia como os temas que mais pesaram na decisão do eleitor. A reprovação ao desempenho de Trump apareceu majoritária na mesma pesquisa, e a maioria dos entrevistados disse que o Congresso faz pouco para conter o presidente.

A eleição ocorreu sob monitoramento federal inédito. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos mobilizou 1.000 observadores e monitores eleitorais para os 50 estados, o que o órgão chamou de maior operação do tipo na história. Democratas classificaram a medida como intimidação, porque a maior parte das jurisdições listadas votou em Kamala Harris em 2024.

A Suprema Corte dos Estados Unidos negou um pedido do governo Trump para obrigar a Califórnia a separar 20 mil cédulas contestadas, e a Casa Branca chegou a sugerir intervenção federal no Alasca caso o senador Dan Sullivan perdesse.

A eleição é lida como um referendo sobre o segundo mandato de Trump. A aprovação do presidente oscila perto da mínima histórica, pressionada pela insatisfação com o custo de vida e pela guerra contra o Irã, que elevou os preços dos combustíveis. Trump repetiu em entrevista de televisão, na manhã de terça-feira, o pedido para que os eleitores “fingissem” que ele estava na cédula, e prometeu um cheque de 5.000 dólares por adulto caso os republicanos mantenham o Congresso.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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