O calendário oficial das Eleições 2026 coloca uma trava jurídica no barulho da pré-campanha: entre 20 de julho e 5 de agosto, partidos e federações farão as convenções que separam nome lançado em rede social, aposta de grupo político e candidatura formal. No Paraná, a regra atinge Ratinho Junior, Sandro Alex, Sergio Moro, Gleisi Hoffmann, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Alexandre Curi, Alvaro Dias, Cristina Graeml e Requião Filho, cada um conforme sua situação política, partidária e jurídica.
Até a convenção, ninguém é candidato de verdade.
Pode haver lançamento, evento, entrevista, pesquisa, foto com apoiador, slogan disfarçado e articulação de bastidor. Isso compõe a pré-campanha. A candidatura, porém, depende de três passos: escolha em convenção, pedido de registro na Justiça Eleitoral e análise desse registro.
A diferença importa porque o eleitor não vota em intenção de partido, vídeo de internet ou desejo de cacique político. O eleitor vota em candidatura registrada, com número, partido, prestação de contas, limite de gastos, CNPJ de campanha e responsabilidade jurídica.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a Resolução nº 23.760, que organiza o calendário das Eleições 2026. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) resumiu as principais datas: convenções partidárias de 20 de julho a 5 de agosto; registro de candidaturas até 15 de agosto; propaganda eleitoral a partir de 16 de agosto; primeiro turno em 4 de outubro; eventual segundo turno em 25 de outubro.
No Paraná, esse calendário corta o excesso de fumaça.
Sandro Alex pode ser o nome escolhido pelo grupo de Ratinho Junior para disputar o governo estadual, mas a candidatura precisa passar pela convenção, pela composição da chapa e pelo registro no TRE-PR.
Sergio Moro pode se movimentar como força eleitoral da direita, mas também depende de definição partidária, cargo escolhido, convenção e registro.
Gleisi Hoffmann pode ser tratada como nome forte da esquerda ao Senado, mas a urna só reconhecerá candidatura depois das etapas formais.
Filipe Barros, Alexandre Curi, Alvaro Dias, Cristina Graeml e Requião Filho entram na mesma régua: podem aparecer em pesquisas, articulações e discursos, mas precisam de partido, convenção e registro.
Deltan Dallagnol exige cuidado adicional na cobertura: além da decisão partidária e da convenção, qualquer eventual candidatura depende da situação jurídica aplicável no momento do registro. A imprensa não deve transformar desejo político em fato jurídico.
O ex-procurador da Lava Jato, no entanto, poderia abreviar especulações acerca de sua inelegibilidade fazendo uma Requerimento de Declaração de Elegibilidade (RDE) ao TRE-PR, como já sugeriu o Blog do Esmael.
Ratinho Junior também entra no calendário, embora não seja candidato a nada. Como governador e peça central do arranjo de seu grupo, qualquer movimento político dele precisa ser lido à luz das regras eleitorais.
Ratinho, portanto, é de fiador da sucessão estadual, cabo eleitoral de peso e dono da máquina política que tentará empurrar Sandro Alex até a convenção.
O serviço vale também para doadores. Antes do registro e da abertura regular da campanha, dinheiro, impulsionamento e estrutura precisam respeitar limites legais. A fronteira entre apoio político e campanha antecipada pode virar problema na Justiça Eleitoral.
A partir de 16 de agosto, começa a propaganda eleitoral, inclusive na internet. Antes disso, pré-candidatos podem falar de projetos, participar de entrevistas e defender plataformas, mas não podem pedir voto de forma explícita ou por expressões equivalentes.
O primeiro turno será em 4 de outubro. A votação escolherá presidente, governador, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais. No Paraná, portanto, a disputa pelo Senado terá duas vagas, mas não terá segundo turno.
O eventual segundo turno, marcado para 25 de outubro, só vale para presidente e governador onde a disputa não for resolvida no primeiro turno. Deputados e senadores são definidos em 4 de outubro.
A consequência prática para a cobertura é simples: até 5 de agosto, o Blog do Esmael vai continuar chamando de pré-candidato quem ainda não foi escolhido em convenção. Depois da convenção, o nome pode ser chamado de candidato escolhido pelo partido ou pela federação. Só depois do pedido de registro e da tramitação na Justiça Eleitoral a cobertura deve explicar a situação formal de cada candidatura.
Essa precisão reduz manipulação política.
Grupo político gosta de vender preferência como decisão. Pré-candidato gosta de vender apoio como candidatura. Adversário gosta de vender problema jurídico como cassação antecipada. O calendário eleitoral serve justamente para separar narrativa de ato formal.
No Paraná, essa régua será decisiva. A direita chega dividida entre bolsonarismo, lavajatismo, governismo e nomes municipais. A esquerda tenta organizar voto para governo e Senado. O Palácio Iguaçu trabalha para transformar máquina, prefeitos e base parlamentar em candidatura competitiva. Nada disso substitui a convenção.
A partir de 20 de julho, a política sai da espuma e entra no cartório.
Até lá, o eleitor deve desconfiar de três frases: “já é candidato”, “já está eleito” e “já está fora”. Em eleição, o calendário manda mais que a torcida.
Acompanhe a cobertura das Eleições 2026 no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
