Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio mandato de 3 de novembro e retiraram de Donald Trump o controle do Congresso nos dois últimos anos de mandato. A apuração do Blog do Esmael indicava 228 cadeiras democratas na Câmara, onde a maioria exige 218, contra 139 dos republicanos. No Senado, a oposição virou sete cadeiras e chegou a 54 dos 100 assentos; a maioria é de 51.
As viradas no Senado ocorreram em Iowa, Ohio, Maine, Kansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Texas, segundo o levantamento do Blog. Os republicanos somavam 44 assentos. A projeção da NBC News apontava onda democrata em estados de tradição republicana, com a conquista de pelo menos 29 cadeiras na Câmara e de até sete no Senado.
Entre os resultados que mudam o mapa eleitoral estão a vitória de James Talarico no Texas, o primeiro senador democrata do estado em mais de 30 anos, a de Abdul El-Sayed em Michigan, primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos, e a de Gina Hinojosa no governo do Texas, que derrotou Greg Abbott. Os democratas também garantiram maioria entre os governadores estaduais pela primeira vez em 16 anos, segundo a projeção da NBC News.
Trump reagiu com um discurso dividido. Em entrevista ao jornal The New York Times, afirmou estar “totalmente disposto a aceitar esses resultados” e disse esperar “poder trabalhar com eles”. Na rede Truth Social, publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “VETO” e responsabilizou correligionários e a Fox News pela derrota. “Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido COM UMA VITÓRIA ESMAGADORA!”, escreveu.
O novo desenho institucional muda o funcionamento do Legislativo a partir de janeiro de 2027. As comissões da Câmara passam a ser presididas pela oposição, com poder de convocar auxiliares do governo, requisitar documentos e abrir apurações. A agenda orçamentária e as indicações que dependem de confirmação do Senado passam a exigir negociação com os democratas.
Para o Brasil, a mudança em Washington altera o cálculo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito em 25 de outubro, que toma posse para o novo mandato em 1º de janeiro de 2027. Sem maioria no Congresso, Trump perde sustentação legislativa para uma agenda de tarifas e de pressão comercial e passa a depender de acordo com a oposição para aprovar qualquer medida.
A nova composição do Congresso toma posse em janeiro de 2027. Até lá, o governo Trump mantém a maioria nas duas casas e pode tentar aprovar o que restou da agenda antes da troca de comando.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
