O senador eleito por Santa Catarina Carlos Bolsonaro (PL) reafirmou neste sábado, 31 de outubro, o apoio do clã à candidatura do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL), à presidência da Casa. A declaração foi dada depois de uma visita de duas horas ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar.
“A gente tem uma eleição no Senado agora. Nosso candidato é o Rogério Marinho e a gente vai seguir essa linha para que a gente possa defender, minimamente, tudo aquilo que a gente acredita, tudo aquilo que a gente prometeu para vocês”, afirmou Carlos, em vídeo publicado nas redes sociais.
A informação nova não é o apoio, que já era esperado. É o timing. A declaração sai no mesmo fim de semana em que Flávio Bolsonaro, senador e candidato derrotado à presidência, completa uma semana fora do país, e a três dias da eleição americana. O clã escolhe manter influência na única instância em que ainda tem voto: a Mesa do Senado.
O nome de Marinho é o obstáculo direto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O Blog do Esmael informou em 30 de outubro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu empoderar Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na montagem da base do novo mandato. A promessa foi feita na conversa de uma hora e quarenta minutos que os três tiveram em 26 de outubro, um dia depois da eleição.
A lógica de Lula é de troca explícita: espaço no governo para quem entrega voto no plenário. Ao apoiar Marinho, o bolsonarismo se posiciona fora desse arranjo e transforma a eleição da Mesa em teste de força entre o governo e a oposição. O problema é aritmético. O PL cresceu na eleição, mas a escolha do presidente do Senado depende de maioria no plenário, e a disputa pela Mesa exige negociação com siglas que já sinalizaram disposição de compor com o governo.
O momento também é de fragilidade interna. Em 30 de outubro, o Blog do Esmael mostrou que, em 72 horas, Flávio Bolsonaro perdeu apoio e o PL passou a buscar outro nome para a disputa presidencial de 2030. O senador deixa o mandato em 1º de fevereiro, quando começa a nova legislatura, e responde a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A visita de Carlos também tem um componente doméstico. Ele relatou que o pai voltou a ter crises de soluço, demonstrou preocupação com o emagrecimento e com o crescimento da barriga, e disse que Jair Bolsonaro afirmou estar com saudade de Flávio e de Eduardo. “Em relação à política, não quero que façam maldade com ele”, afirmou. A fala é de um filho, mas também de um parlamentar que precisa manter o eleitorado do pai mobilizado sem o pai na vitrine.
Não há, até a publicação desta matéria, confirmação de que Marinho tenha votos para vencer. Também não há data oficial divulgada para a eleição da Mesa, que ocorre no início da legislatura. O senador eleito por Santa Catarina não respondeu a perguntas sobre a composição do apoio nem sobre a posição de outros partidos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
