Datafolha reduz distância entre Lula e Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 38% das intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 3 de setembro. A diferença de cinco pontos mantém os dois na liderança, mas o dado que altera o desenho da disputa é o salto de Augusto Cury (Avante), que chegou a 8% e assumiu isoladamente a terceira posição.

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A pesquisa foi realizada com 2.002 eleitores em 125 municípios nos dias 1º e 2 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03669/2026.

Cury foi o principal movimento da rodada. Há duas semanas, o candidato do Avante tinha 2%. Agora marca 8%, avanço de seis pontos percentuais. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, Renan Santos (Missão) tem 3% e Romeu Zema (Novo), 2%.

Na pesquisa anterior, Lula tinha 39% e Flávio Bolsonaro, 33%. Caiado marcava 5%, Renan Santos, 4%, Zema, 3% e Cury, apenas 2%. A variação de Lula está dentro da margem de erro, enquanto Flávio manteve o mesmo percentual. O dado novo, portanto, está menos na movimentação dos dois líderes e mais na entrada de Cury no jogo eleitoral.

O resultado também reduz a folga de Lula em relação a Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, o petista tinha quatro pontos de vantagem no segundo turno, com 47% contra 43%. Agora, a diferença caiu para dois pontos: Lula registra 46% e Flávio Bolsonaro, 44%.

Tecnicamente, trata-se de empate dentro da margem de erro. O Datafolha, portanto, não autoriza afirmar que Lula esteja derrotado ou que Flávio Bolsonaro tenha passado à frente. O que a fotografia da pesquisa mostra é uma disputa de segundo turno mais apertada do que a registrada duas semanas antes.

A eleição, entretanto, ganhou uma variável que não estava presente com a mesma força nas rodadas anteriores. Cury saiu de 2% para 8% no Datafolha e já havia alcançado 11% na pesquisa BTG/Nexus divulgada em 31 de agosto. Naquele levantamento, Lula aparecia com 37% e Flávio Bolsonaro com 31%.

O crescimento de Cury vem acompanhado de forte expansão de sua presença digital. Segundo a Folha, o escritor ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram em duas semanas. O candidato atribui o fenômeno a um movimento espontâneo de apoio, enquanto adversários levantam suspeitas sobre mecanismos de impulsionamento, hipótese que ele nega. Não há, no levantamento do Datafolha, uma conclusão sobre a origem desse crescimento.

A ascensão do candidato do Avante interessa diretamente às duas campanhas que lideram a corrida porque altera a distribuição do eleitorado fora da polarização tradicional. A Folha relata que tanto lulistas quanto bolsonaristas passaram a acompanhar Cury com cautela, evitando transformá-lo em alvo principal enquanto tentam preservar seus próprios eleitores.

Outro dado relevante é a rejeição. Flávio Bolsonaro aparece com 47% de eleitores que dizem não votar nele de jeito nenhum, enquanto Lula registra 45%. Cury tem rejeição de 9%. A vantagem do terceiro colocado nesse indicador mostra que ele ainda dispõe de espaço potencial para crescer, embora rejeição baixa não signifique, por si só, capacidade de transferência automática de votos.

O levantamento é também o primeiro Datafolha realizado depois do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. A coleta ocorreu ainda em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e às repercussões políticas do caso Banco Master. Como as entrevistas foram feitas nos dias 1º e 2 de setembro, parte dos acontecimentos mais recentes não pode ser integralmente capturada pela pesquisa.

A campanha de Lula ganhou, no mesmo período, uma bandeira com potencial eleitoral: o avanço no Senado da proposta para acabar com a escala 6×1. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o texto em 2 de setembro, abrindo caminho para a votação em plenário. O governo passou a explorar o tema na comunicação eleitoral, enquanto a oposição tenta atribuir custos e responsabilidades à medida.

A pesquisa, portanto, registra uma disputa ainda concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro, mas com uma terceira candidatura crescendo mais rapidamente do que os demais nomes. Cury ainda está distante dos dois primeiros colocados, mas os 8% do Datafolha mudam a pergunta sobre o primeiro turno: já não se trata apenas de saber quem terminará na frente entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas também de medir até onde o candidato do Avante pode avançar sobre o eleitorado que ainda não fechou sua escolha.

Os números não são prognóstico do resultado das urnas. Eles representam o retrato do eleitorado no período em que as entrevistas foram realizadas. Com margem de erro de dois pontos percentuais, a diferença de cinco pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno equivale a uma vantagem numérica do presidente, enquanto os dois pontos que separam os adversários no segundo turno caracterizam empate técnico.

A eleição presidencial entra, assim, em uma fase mais aberta. Lula conserva a liderança no primeiro turno e também aparece numericamente à frente no segundo, mas Flávio Bolsonaro reduziu a distância na simulação decisiva. Ao mesmo tempo, Augusto Cury deixou a faixa residual das pesquisas e passou a ocupar o terceiro lugar com 8%.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026 e os efeitos da corrida presidencial sobre o Paraná e Brasília.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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