Por Jair de Souza*
A passagem da noite da quinta para a manhã da sexta-feira foi marcada por uma enorme onda de tristeza. É que o falecimento de um lutador do campo popular significa, invariavelmente, um motivo de pesar para quem compartilha dos ideais por ele encampados.
No entanto, a dor se mostra muito mais cortante quando aquele que partiu também fazia parte de nossos relacionamentos pessoais diretos. Por isso, a perda de nosso companheiro Lejeune Mirhan me sensibiliza e afeta de uma maneira ainda mais intensa.
Nossos contatos iniciais se deram há uns quantos anos, ao nos darmos conta de que ambos tínhamos uma similar compreensão sobre o nefasto papel exercido pelo sionismo cristão como baluarte da sustentação política do mais abominável e perverso regime de extermínio e degradação humana desde os tempos do nazismo hitlerista.
Sim, coincidíamos no entendimento de que o sionista Estado de Israel aplicava contra o povo palestino medidas de discriminação racista, desapropriação, expulsão e eliminação que o grosso da humanidade julgava já serem página virada da história.
Porém, longe de ser assim, aberrações inimagináveis estavam sendo constantemente cometidas em plena luz do dia contra um povo humilde e indefeso. E o mais estarrecedor em tudo isto era constatar que, no Brasil e em vários outros países, os grupos que numericamente compunham as principais forças que lhe davam aval eram constituídos por seguidores de certas igrejas que se diziam cristãs.
Assim, a partir desta constatação e indignação que nos eram comuns, decidimos trabalhar para publicar em nosso país uma edição em português de uma valiosa obra do reverendo evangélico Stephen Sizer, que revela e expõe a faceta falsamente cristã da odiosa ideologia neocolonialista conhecida como sionismo cristão. O resultado foi o lançamento pela editora de nosso eterno companheiro Lejeune do livro “Sionismo Cristão: na rota do Armagedom”.
Pelo convívio, ainda que modesto, que pude ter com nosso companheiro que acaba de partir, sinto que a maneira mais eficaz para assegurarmos que ele sempre estará por aqui junto a nós é não deixar que as justas causas às quais ele se dedicou sejam abandonadas, ou que percam força.
Portanto, se quisermos que a consigna “Lejeune está vivo” tenha um valor real, nosso empenho deve ser dirigido a fazer com que mais e mais pessoas entendam a importância de se incorporarem às lutas pelos objetivos aos quais ele se dedicou quase toda sua vida. E o mundo pelo qual ele lutou é o mundo do socialismo, um mundo no qual a dignidade e as aspirações das classes trabalhadoras norteiam os rumos que devem ser seguidos.
Quantos mais consigamos convencer desta necessidade, tanto mais estaremos garantindo que Lejeune continuará vivo a nosso lado.
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*Jair de Souza é economista formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e mestre em Linguística pela mesma Universidade.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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Publicação de: Viomundo
