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A Superlive pós-debate do Blog do Esmael reuniu na segunda-feira (10), após o primeiro confronto televisivo da eleição para o governo do Paraná, Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas; Valdomiro Cantini, da Rádio Massa FM de Cascavel; Cláudio Osti, do site Paçoca com Cebola, de Londrina; João Barbiero, do site D’Ponta e da TVCI, de Ponta Grossa; e Esmael Morais para avaliar o desempenho de Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e a ausência de Sérgio Moro (PL).
A conclusão predominante entre os participantes foi de que Sandro Alex saiu maior do debate, principalmente porque conseguiu se apresentar ao eleitorado estadual em uma disputa na qual ainda busca ampliar seu reconhecimento. Requião Filho foi considerado preparado, mas recebeu críticas por não ter sido mais incisivo. Moro, que havia confirmado presença e não compareceu, acabou transformando a cadeira vazia em um dos principais personagens da noite.
A transmissão do Blog do Esmael colocou uma pergunta no centro da discussão: a ausência de Moro foi uma decisão estratégica ou um erro político?
Murilo Hidalgo ponderou que, isoladamente, a falta ao primeiro debate não necessariamente produziria uma perda eleitoral imediata para o senador. Segundo ele, o efeito da estratégia deverá ser medido pelas próximas pesquisas.
Para Hidalgo, o risco aumenta caso Moro apresente queda nas pesquisas. Nesse cenário, a ausência no primeiro debate poderia aumentar a pressão sobre o candidato nos próximos confrontos, que ocorrerão mais perto do início da propaganda eleitoral.
João Barbiero apresentou outra leitura. Para ele, o ambiente das redes sociais mudou completamente o efeito de uma ausência em debates. O confronto não termina quando a transmissão acaba, porque os trechos e comentários continuam circulando nas plataformas digitais.
Na avaliação de Barbiero, Moro perdeu com a ausência justamente porque a cadeira vazia continuou sendo lembrada no dia seguinte.
Cláudio Osti foi mais crítico. Ele afirmou que, em sua experiência com campanhas eleitorais, a recomendação tradicional sempre foi participar dos debates. O jornalista também destacou que o confronto da Band alcançou um público significativo, citando mais de 80 mil visualizações no YouTube e na transmissão da emissora no momento em que fazia a análise.
Para Osti, Moro perdeu a oportunidade de responder diretamente às críticas sobre sua atuação política e de apresentar ao eleitor um projeto para governar o Paraná.
O jornalista também questionou a concentração do discurso de Moro no combate ao PT e na imagem construída durante a Operação Lava Jato. Na avaliação apresentada na Superlive, a eleição para governador exige que o candidato mostre como pretende administrar áreas como saúde, segurança, educação e infraestrutura.
Valdomiro Cantini também defendeu que Moro deveria ter comparecido. Para ele, o candidato que precisa se explicar constantemente nas redes sociais corre o risco de perder o foco da campanha.
Cantini argumentou que Moro ainda precisa transformar a imagem de juiz da Lava Jato em uma identidade de candidato ao governo do Paraná. Para o radialista, o eleitor precisa conhecer as propostas de gestão de Moro e não apenas sua trajetória no Judiciário.
A cadeira vazia, portanto, ganhou vida própria no debate. Mesmo sem falar, Moro foi lembrado diversas vezes pelos adversários e pelos comentaristas.
Sandro Alex foi a surpresa da noite
Se Moro dominou o debate mesmo ausente, Sandro Alex foi apontado pelos participantes como a principal surpresa entre os candidatos presentes.
Murilo Hidalgo avaliou que o candidato do PSD saiu maior porque conseguiu se tornar mais conhecido. Para o presidente da Paraná Pesquisas, esse foi um dos principais ganhos do primeiro confronto.
Cláudio Osti classificou a atuação de Sandro como de razoável para boa. Segundo ele, o candidato demonstrou tranquilidade, respondeu aos questionamentos e conseguiu escapar de algumas armadilhas do debate.
João Barbiero também avaliou positivamente o desempenho. Para ele, Sandro apresentou firmeza e mostrou conhecimento sobre o Paraná. O jornalista considerou que a exposição pode ajudar o candidato a deixar de ser apenas o nome escolhido pelo grupo político do governador Ratinho Junior e começar a construir identidade própria.
Cantini foi ainda mais enfático. Disse ter ficado surpreso com a desenvoltura de Sandro Alex diante de Requião Filho e avaliou que o candidato conseguiu responder rapidamente aos ataques sem ampliar os pontos negativos da candidatura.
A ressalva apresentada pelos comentaristas foi justamente a necessidade de Sandro deixar de ser apenas o defensor do legado de Ratinho Junior.
A Superlive apontou que a candidatura ainda está em construção. Sandro precisa defender o governo do qual fez parte, mas terá de apresentar uma agenda própria para o próximo mandato.
Requião Filho foi preparado, mas faltou confronto
Requião Filho recebeu avaliações diferentes, mas os participantes reconheceram sua preparação política.
Murilo Hidalgo afirmou que o candidato demonstra preparo e que isso aparece também nas pesquisas qualitativas mencionadas durante a transmissão. O problema, segundo ele, estaria na estratégia: em vez de concentrar o discurso na crítica ao governo Ratinho Junior, Requião Filho poderia ter usado sua preparação para apresentar propostas capazes de convencer eleitores além de sua base tradicional.
O ponto também foi levantado por Cláudio Osti. Para ele, faltou ao candidato uma postura mais incisiva para desconstruir a imagem positiva do governo Ratinho Junior.
Osti observou ainda que Requião Filho teria usado em alguns momentos realizações dos governos de seu pai, Roberto Requião, como parte de sua própria narrativa política. Na avaliação do jornalista, o candidato precisa apresentar com maior clareza aquilo que pretende fazer caso seja eleito.
João Barbiero apontou outro problema: a dificuldade de Requião Filho em assumir de maneira mais clara sua identidade política.
Na leitura de Barbiero, o candidato poderia ter explorado melhor sua aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o campo político de esquerda.
Cantini seguiu a mesma linha. Para ele, Requião Filho precisa assumir sua identidade política e consolidar o eleitorado de esquerda do Paraná.
Os dois candidatos perderam uma oportunidade contra Moro
Um dos pontos de consenso da Superlive foi que Requião Filho e Sandro Alex poderiam ter explorado mais a ausência de Sérgio Moro.
Cláudio Osti avaliou que os dois candidatos poderiam ter transformado a cadeira vazia em uma oportunidade política mais contundente.
João Barbiero também criticou a postura dos candidatos presentes. Para ele, se Moro não estava no estúdio para responder, havia espaço para questionar diretamente a decisão de não participar.
Na avaliação apresentada na transmissão, a ausência de Moro produziu um paradoxo: ele escapou do confronto direto, mas continuou no centro do debate.
Quem ganhou o debate?
Na hora da “sentença” proposta por Esmael Morais, as avaliações foram diferentes.
Murilo Hidalgo foi direto: Sandro Alex e Requião Filho ganharam simplesmente porque participaram, enquanto Moro perdeu por não comparecer. O presidente da Paraná Pesquisas, porém, fez uma ressalva importante: ainda é cedo para medir o tamanho desse efeito eleitoral.
João Barbiero colocou Sandro Alex à frente de Requião Filho quando considerado o debate e sua repercussão no dia seguinte. Para ele, Sandro teve mais oportunidade de se apresentar e demonstrou firmeza.
Cláudio Osti preferiu falar em empate técnico. Na leitura dele, os dois candidatos entraram no debate com objetivos diferentes e conseguiram apresentar suas respectivas mensagens.
Cantini, por sua vez, apontou Sandro Alex como vencedor. O radialista destacou especialmente a capacidade de reação do candidato e a impressão positiva deixada entre pessoas que ainda não conheciam suficientemente sua atuação.
A cadeira vazia de Moro, portanto, não foi considerada vencedora. Ela foi tratada como um personagem político produzido pela própria ausência.
Debate não muda eleição sozinho, diz Hidalgo
A principal cautela apresentada na Superlive veio de Murilo Hidalgo: não é possível atribuir ao debate uma eventual mudança eleitoral antes da divulgação de novas pesquisas.
Para o presidente da Paraná Pesquisas, o confronto televisivo pode produzir algum movimento marginal, mas a campanha de rua terá peso maior na definição das posições.
Hidalgo apontou a estrutura política reunida em torno de Sandro Alex como um fator que poderá influenciar seu crescimento. Também citou a presença de Rafael Greca (MDB) como vice na chapa governista como um elemento que deverá aparecer nas próximas pesquisas.
A avaliação é que a campanha propriamente dita terá capacidade maior de alterar o cenário do que um único debate.
O desafio de cada candidato
Na reta que começa após o primeiro debate, a Superlive identificou desafios distintos para os três principais nomes.
Para Requião Filho, o desafio é consolidar sua identidade política, dialogar com o eleitorado de esquerda e apresentar propostas próprias capazes de ampliar sua votação.
Para Sandro Alex, a tarefa é transformar o bom desempenho no debate em reconhecimento eleitoral e, ao mesmo tempo, deixar de ser visto apenas como extensão do governo Ratinho Junior.
Para Sérgio Moro, o problema é transformar liderança nas pesquisas em presença política. A ausência no primeiro debate evitou o confronto direto, mas criou uma discussão que agora terá de ser administrada pela própria campanha.
Na avaliação de Murilo Hidalgo, a estratégia de cada candidato deverá ficar mais clara nas próximas pesquisas.
A eleição terá de chegar às ruas
A Superlive terminou com uma constatação comum: o primeiro debate abriu a campanha, mas não decidiu a eleição.
Requião Filho tentou transformar o confronto em um julgamento do governo Ratinho Junior. Sandro Alex buscou usar o legado do atual governo como plataforma para sua candidatura. Moro, mesmo ausente, ocupou espaço na discussão justamente por causa da cadeira vazia.
O resultado eleitoral dessa primeira rodada ainda depende de uma variável que nenhum comentarista consegue antecipar: como o eleitor que assistiu ao debate, aos cortes nas redes sociais e à repercussão política vai transformar essa percepção em intenção de voto.
A resposta estará nas próximas pesquisas.
A campanha, agora, terá de sair dos estúdios e chegar às ruas. E os próximos debates deverão mostrar se Sandro Alex confirma a impressão positiva deixada na Band, se Requião Filho muda a estratégia e se Sérgio Moro decide entrar no confronto direto com os adversários.
Leia a cobertura completa da eleição de 2026 no Blog do Esmael.
Assista a íntegra da Superlive ocorrida segunda-feira, dia 10 de agosto
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
