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O Partido Liberal (PL) confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência neste sábado, 25 de julho, mas encerrou sua convenção nacional sem definir o vice e sem incorporar União Brasil, Progressistas ou Republicanos à coligação. A candidatura saiu formalizada, porém ainda depende de negociações para ampliar palanques, recursos e tempo de propaganda além da base bolsonarista.
A convenção realizada em São Paulo adotou uma vitrine internacional para compensar as lacunas da articulação brasileira. O presidente da Argentina, Javier Milei, compareceu ao evento e discursou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enviou mensagem gravada de apoio a Flávio Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro também apareceu somente por vídeo. A ex-primeira-dama, considerada uma liderança relevante entre eleitores evangélicos, não participou presencialmente da convenção. Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro igualmente enviaram gravações, segundo a cobertura do evento.
A Associated Press registrou a baixa presença de dirigentes nacionais de outras legendas. A ausência reforçou o isolamento partidário de Flávio Bolsonaro, embora as negociações possam continuar até 5 de agosto, prazo final das convenções eleitorais.
Vice e alianças permanecem indefinidos
O Centrão não constitui um bloco formal, mas União Brasil, Progressistas e Republicanos possuem bancadas, diretórios estaduais e estruturas de campanha capazes de ampliar uma candidatura presidencial. Sem essas legendas, o PL perde alcance nos estados e enfrenta maior dificuldade para ocupar o espaço da direita não bolsonarista.
A convenção também não resolveu a escolha do vice. Sem um nome de outra legenda, Flávio Bolsonaro mantém aberta a possibilidade de negociar uma chapa multipartidária, mas o calendário reduz o tempo disponível para construir um acordo nacional.
Datafolha mede o desafio eleitoral
O lançamento ocorreu depois de o Datafolha mostrar Lula à frente em uma simulação de segundo turno. O presidente aparece com 48% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. A distância de cinco pontos supera a margem de erro de dois pontos percentuais.
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em todo o país entre 22 e 24 de julho. O levantamento presencial tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026.
Os números mostram uma disputa competitiva, mas também delimitam o desafio da candidatura. Flávio Bolsonaro precisa conquistar eleitores fora do núcleo fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro sem romper com a identidade política que garantiu sua indicação pelo PL.
Indefinição nacional chega ao Paraná
No Paraná, a indefinição nacional desembarca no campo liderado por Sergio Moro (PL). A composição estadual reúne o bolsonarismo de Filipe Barros (PL-PR) e o lavajatismo de Deltan Dallagnol (Novo), enquanto o Novo prepara a candidatura presidencial de Romeu Zema.
A legislação não obriga uma coligação estadual a reproduzir a aliança presidencial. O problema é político: dirigentes, candidatos e militantes do mesmo palanque paranaense poderão trabalhar por Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, adversários no primeiro turno de 4 de outubro.
Deltan Dallagnol já declarou que a aliança paranaense poderia atuar pelos dois presidenciáveis. A solução preserva formalmente o acordo com Moro, mas não elimina a disputa por agendas, materiais de campanha e declarações públicas.
Flávio Bolsonaro deixou a convenção com a candidatura confirmada e apoios estrangeiros visíveis. O palco, porém, não respondeu às duas questões capazes de ampliar seu alcance eleitoral: quem ocupará a vice e quais partidos dividirão com o PL a campanha nacional.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
