O dirigente sindical Paulo Rossi reuniu, em um condomínio no bairro Tingui, em Curitiba, integrantes da União Geral dos Trabalhadores no Paraná (UGT-PR) e três pré-candidaturas da esquerda para as eleições de 2026. Os anfitriões no condomínio foram os advogados Andreia Pacheco Godoy e Daniel Godoy Jr.
Requião Filho (PDT), Zeca Dirceu (PT) e Angelo Vanhoni (PT) foram apresentados ao núcleo sindical, enquanto Sergio Moro (PL) virou o principal alvo político após confundir “parnanguara”, gentílico de Paranaguá, com uma referência a povo indígena.
O prato principal foi tainha assada, receita tradicional do litoral paranaense. A escolha ganhou significado político porque Rossi nasceu em Paranaguá e transformou um símbolo da cidade em contraponto à gafe cometida por Moro durante uma agenda no município.
O episódio envolvendo o senador ocorreu durante uma entrevista em Paranaguá. Ao ouvir o termo “parnanguara”, Moro perguntou se a palavra identificava uma comunidade indígena. O vídeo passou a ser usado por adversários para questionar o conhecimento do pré-candidato ao governo sobre o estado que pretende administrar. Moro exerce mandato no Senado pelo Paraná e está filiado ao PL.
Na reunião do Tingui, Rossi dividiu a organização com Manassés Oliveira, presidente estadual da UGT-PR, e Lairson Sena, presidente do Sindicato dos Frentistas (Sinpospetro). Manassés comanda atualmente a central no Paraná. Andreia Pacheco Godoy e Daniel Godoy Jr. receberam os participantes no condomínio onde ocorreu a articulação política.
A presença dos dois dirigentes ampliou o peso sindical do encontro. A UGT reúne entidades de diferentes categorias profissionais e oferece às pré-candidaturas acesso a uma estrutura organizada de trabalhadores, sindicatos e lideranças distribuídas por Curitiba, Região Metropolitana e interior.
Requião Filho apresentou sua pré-candidatura ao Palácio Iguaçu. Deputado estadual pelo PDT, ele disputa espaço no campo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tenta concentrar o voto contrário a Moro e ao grupo político do governador Ratinho Junior (PSD). Requião Filho contará com o apoio da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) na empreitada.
A tainha também serviu para reforçar a crítica construída por Requião Filho após o tropeço verbal de Moro. O deputado já havia usado o episódio para sustentar que o senador conhece pouco a história e a cultura do Paraná. A disputa deixou de tratar apenas de propostas administrativas e alcançou uma questão de identidade: quem tem ligação efetiva com o território que pretende governar.
Zeca Dirceu apresentou sua pré-candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados. O petista exerce mandato federal pelo Paraná e busca renovar a representação do partido em Brasília.
Angelo Vanhoni levou ao encontro sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa do Paraná. Vereador de Curitiba e presidente municipal do Partido dos Trabalhadores, Vanhoni já exerceu mandatos de deputado estadual e federal. Em 2024, foi eleito para a Câmara Municipal.
A reunião conectou três frentes da eleição paranaense: a disputa pelo governo, a composição da bancada federal e a renovação da Alep. Essa combinação permite que as campanhas dividam estruturas, agendas e bases sociais sem depender exclusivamente das direções partidárias.
Gleisi Hoffmann (PT), pré-candidata ao Senado, não participou da confraternização. Segundo informação repassada ao Blog do Esmael, a ex-presidente nacional do PT cumpre uma rodada de articulações determinada por Lula para organizar palanques em São Paulo, Minas Gerais e estados do Nordeste.
Em São Paulo, um dos focos é a participação de Fernando Haddad na eleição estadual. Gleisi já defendeu publicamente que o ex-ministro dispute o governo ou uma vaga no Senado e afirmou que dirigentes petistas precisam fortalecer as campanhas nos estados.
A ausência de Gleisi não retirou o caráter lulista da reunião. Requião Filho, Zeca Dirceu e Vanhoni trabalham para compartilhar o eleitorado que apoia a reeleição presidencial, enquanto a UGT busca ampliar a presença das pautas trabalhistas nas chapas proporcionais e na disputa pelo Palácio Iguaçu.
No pantagruélico evento, as forças vivas presentes ensaiaram palavra de ordem sugerindo vitória de Lula no primeiro turno e eleição de Gleisi ao Senado, que, na fala de Zeca Dirceu, poderia alavancar Requião Filho ao Palácio Iguaçu num eventual segundo turno contra Moro.
O encontro não formalizou candidaturas nem substituiu decisões partidárias. O movimento revelou, porém, uma tentativa de coordenar lideranças sindicais, petistas e pedetistas num mesmo campo eleitoral contra Moro.
A tainha preparada por Rossi, Manassés e Lairson terminou como ingrediente de uma provocação política. Moro confundiu o gentílico de Paranaguá; seus adversários responderam levando a cultura parnanguara para o centro da articulação eleitoral em Curitiba.
Entretanto, uma ausência do meio sindical foi muito sentida: Messias da Silva, o Obama das Araucárias, que justificou a falta dizendo que estava em missão secreta por uma nova “geringonça” na frente progressista. A conferir.
Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026 e dos bastidores do poder no Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
