Greca marca largada no Thalia e testa força do MDB

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) marcou para sábado (20), das 9h ao meio-dia, na Sociedade Thalia, no Centro da capital paranaense, o lançamento de sua pré-candidatura ao Palácio Iguaçu e abriu uma nova frente de disputa nas eleições de 2026.

O chamado foi feito nas redes sociais, com o estilo teatral que acompanha Greca desde a Prefeitura de Curitiba. Ele convocou “GrecaLovers”, companheiros do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e falou em preparar uma “Ação Metropolitana” para trilhar o caminho “em direção ao bem do Paraná”.

A frase mais política do anúncio não está no floreio. Está na escolha da palavra “metropolitana”. Greca sabe que sua largada nasce em Curitiba, mas sua candidatura só terá peso se ultrapassar a capital e conversar com prefeitos, vereadores, lideranças regionais e setores econômicos do interior.

O MDB tenta apresentar chapa de gente conhecida. Greca vai ao governo. Alvaro Dias (MDB), ex-governador e ex-senador, é tratado pelo partido como pré-candidato ao Senado. No papel, é uma dupla com recall alto. No chão da política, os dois ainda precisam mostrar quem marcha junto.

A presença de Alvaro no lançamento de Greca foi anunciada pelo próprio ex-prefeito. O gesto reforça a posição oficial do MDB neste momento: Greca no Palácio Iguaçu e Alvaro na disputa por uma cadeira no Senado.

O problema é que a Boca Maldita trabalha com outra versão. Os línguas-pretas do centro de Curitiba juram que Alvaro poderia desistir da candidatura ao Senado em favor de Filipe Barros (PL), em uma costura atribuída ao entorno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A especulação ganhou força depois de uma foto, feita anteriormente em Brasília, em que Alvaro aparece ao lado de Filipe Barros. Para os operadores do veneno curitibano, a imagem serviria como pista de um possível acordo: Alvaro sairia da corrida e receberia, em troca, espaço em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Nada disso foi confirmado por documento, declaração oficial ou anúncio público. O fato verificável, até agora, é que o MDB apresenta Alvaro como pré-candidato ao Senado. A hipótese do ministério é bastidor, não fato consumado.

Ainda assim, a conversa existe porque toca em um nervo da eleição paranaense. Filipe Barros quer se afirmar como nome bolsonarista ao Senado. Alvaro tem memória eleitoral forte no estado. Se os dois estiverem na mesma pista, disputam parte do eleitorado conservador, curitibano e antipetista.

Greca também entra em uma raia difícil. O ex-prefeito tem vitrine administrativa em Curitiba, capital política e administrativa paranaense, mas enfrenta o desafio de provar que sua marca pessoal pode virar candidatura estadual competitiva.

Ratinho Junior (PSD) tenta transferir força para Sandro Alex (PSD). Sergio Moro (PL) se movimenta para disputar o governo. Requião Filho (PDT) trabalha o campo progressista com apoio de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado. O MDB entra nesse quadro tentando furar o bloqueio das máquinas já montadas.

O isolamento é o primeiro adversário de Greca e Alvaro. O MDB precisa buscar aliados, tempo de televisão, palanques municipais e capilaridade fora de Curitiba. Sem isso, a pré-candidatura corre o risco de virar moeda de negociação antes de virar campanha.

Até 5 de agosto, data final das convenções partidárias, o Paraná terá tempo suficiente para desistências, acertos, blefes, fotografias calculadas e surpresas. Pré-candidato forte, nesta fase, é também quem consegue convencer os outros de que estará de pé no prazo legal.

Greca vem aí. Alvaro, por enquanto, também. A dúvida é se o MDB conseguirá transformar nostalgia, lembrança administrativa e nome conhecido em aliança real. No Paraná de 2026, o leitor e o eleitor não morrerão de tédio.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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