Rosângela Moro vota contra 6×1 e empurra dilema para Moro

A deputada federal Rosângela Moro (PL-SP), esposa do senador Sergio Moro (PL-PR), votou contra a redução da jornada de trabalho na Câmara dos Deputados, enquanto a bancada federal do Paraná registrou 25 votos a favor do fim da escala 6×1 e nenhum voto contrário no painel nominal analisado.

O voto de Rosângela não apareceu na lista paranaense por uma razão objetiva: ela exerce mandato por São Paulo. No painel da Câmara, a parlamentar aparece entre os 22 deputados que votaram “não” no primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019.

A Câmara aprovou a proposta em dois turnos. O primeiro placar foi de 472 votos a 22. No segundo turno, a votação terminou em 461 a 19. O texto agora segue para o Senado Federal.

A PEC acaba com a escala de seis dias de trabalho para um dia de descanso e estabelece jornada semanal de 40 horas em cinco dias, com dois dias de folga. A mudança atinge trabalhadores do comércio, supermercados, farmácias, vigilância, restaurantes, telemarketing, transporte e setores com funcionamento contínuo.

No Paraná, o contraste virou combustível político. Deputados de PL, PT, PSD, União, Podemos, PP, PSB, PSDB e PV registraram voto favorável. Entre os paranaenses que aparecem no painel, não houve voto contra.

Rosângela Moro ficou do outro lado do placar. Eleita deputada federal por São Paulo em 2022, ela se filiou ao PL em 2026 e passou a circular no Paraná ao lado de Sergio Moro, que prepara a disputa pelo governo estadual.

A parlamentar também aparece em agenda pública no estado como pré-candidata à reeleição. Isso torna o voto contra a redução da jornada um problema maior para o palanque do casal no Paraná.

O dilema agora atravessa Sergio Moro. Como senador do Paraná, ele poderá ter de votar a PEC quando o texto chegar ao Senado. A pergunta que fica para comerciários, trabalhadores de mercado, farmácia, shopping, telemarketing, vigilância e restaurantes é direta: Moro repetirá o voto de Rosângela ou tentará se descolar da posição da própria esposa?

A dúvida tem peso eleitoral. Moro quer disputar o governo do Paraná pelo PL, partido que tenta montar um palanque competitivo no estado em 2026. A jornada de trabalho, porém, não é uma pauta abstrata para o eleitor. Ela mexe com folga, salário, escala, convivência familiar e exaustão de quem trabalha seis dias para descansar um.

O caso também atinge a direita paranaense. Filipe Barros, Itamar Paim, Sargento Fahur e Vermelho, todos do PL do Paraná, votaram a favor do fim da 6×1. A bancada bolsonarista do estado percebeu o custo político de ficar contra uma pauta popular.

Rosângela Moro não seguiu esse caminho. Seu voto a colocou ao lado do grupo minoritário que tentou barrar a proposta na Câmara. Entre os 22 votos contrários do primeiro turno, havia nomes do PL, Novo, MDB, União, PSD, PP e Missão.

A leitura eleitoral é inevitável, mas precisa ficar no limite do fato. O voto de Rosângela contra a redução da jornada está registrado. A posição futura de Sergio Moro no Senado ainda não está. O que existe agora é uma cobrança pública possível: o pré-candidato do PL ao governo do Paraná ficará com os trabalhadores paranaenses ou seguirá a linha adotada por Rosângela na Câmara?

A resposta interessa ao eleitor porque a Câmara já concluiu sua etapa. O Senado será o próximo campo de pressão. Para Moro, a PEC 221/2019 deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e virou teste de coerência política na pré-campanha ao Palácio Iguaçu.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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