Lula e Flávio Bolsonaro medem forças na posse de Nunes Marques

Blog do Esmael, direto de Brasília – O ministro Kassio Nunes Marques assumiu nesta terça-feira (12) a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com André Mendonça na vice-presidência, numa cerimônia que colocou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no mesmo palco institucional antes da eleição geral de 2026.

A posse foi formal, mas o plenário do TSE virou termômetro político. Lula compareceu à cerimônia ao lado de autoridades dos Três Poderes, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu como pré-candidato presidencial do campo bolsonarista e cobrou “neutralidade” da Justiça Eleitoral.

Nunes Marques sucede Cármen Lúcia e comandará a Justiça Eleitoral até maio de 2027. Na prática, isso significa que a eleição presidencial de 2026 ficará sob a direção de dois ministros indicados por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF): Nunes Marques, na presidência, e André Mendonça, na vice.

O discurso de Nunes Marques procurou ocupar o centro entre dois recados. De um lado, defendeu o sistema eletrônico de votação como “patrimônio institucional” da democracia brasileira e afirmou que o modelo nacional é “o mais avançado do mundo”. De outro, falou em liberdade de expressão e prudência, termos caros à direita que acusa o TSE de excesso nas eleições anteriores.

A frase sobre as urnas foi o ponto mais forte da noite. Nunes Marques disse que cabe à Justiça Eleitoral “preservar, aperfeiçoar e fortalecer continuamente a confiança pública” no sistema de votação. O novo presidente também citou inteligência artificial e desinformação como desafios diretos para a disputa de outubro.

Esse equilíbrio não foi casual. Nunes Marques falou para uma Corte que saiu de 2022 sob ataque bolsonarista, mas também falou para uma plateia conservadora que espera dele uma gestão menos expansiva do que a de Alexandre de Moraes. A escolha das palavras tentou blindar as urnas sem comprar briga frontal com a oposição.

Flávio Bolsonaro aproveitou a chegada ao TSE para retomar a narrativa de 2022. O senador disse que o “próprio presidente do TSE” teria desequilibrado a disputa presidencial e afirmou esperar “neutralidade, nada além disso”. A fala é acusação política, não fato provado.

O Blog do Esmael acompanhou a chega de Flávio Bolsonaro, que preferiu desfilar pelo caudaloso salão vermelho do TSE, enquanto Lula optou por uma entrada mais discreta no plenário do tribunal.

A presença de Lula deu outro peso à cerimônia. O presidente sentou-se ao lado de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, em ambiente ainda marcado pela rejeição de Jorge Messias ao STF e pela derrubada do veto à lei da dosimetria. O encontro teve protocolo, mas também cobrança muda entre Executivo e Congresso.

O gesto mais sensível veio quando o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, saudou Jorge Messias. O advogado-geral da União foi aplaudido por parte do plenário, enquanto Alcolumbre, Edson Fachin e Hugo Motta não se somaram às palmas.

Não é de somenos as presenças dos presidentes nacionais do PT, Edinho Silva, do PL, Valdemar Costa Neto, e do PSD, Gilberto Kassab, que também desfilou pelo salão vermelho e foi abordado pela imprensa.

André Mendonça assumiu a vice-presidência sem ser o centro do pronunciamento público da noite. Seu papel político, porém, é evidente: ele reforça a marca conservadora da nova cúpula, que terá de arbitrar a eleição mais tensa desde 2022 sem transformar a Justiça Eleitoral em palanque.

A leitura dos discursos mostra uma tentativa de costura institucional. Nunes Marques falou em urnas, voto, inteligência artificial e liberdade. Mendonça, pela posição que passa a ocupar, dá à oposição bolsonarista a sensação de maior escuta dentro da Corte, mas sem poder prometer atalhos jurídicos para Jair Bolsonaro ou para qualquer candidato.

A consequência é direta para 2026. Lula saiu da posse como presidente que defende a continuidade institucional do processo eleitoral. Flávio Bolsonaro saiu como candidato que tenta transformar o TSE em tema de campanha antes mesmo do início oficial da disputa.

O teste de Nunes Marques começa agora. Se o TSE for firme contra fraude, mentira digital e abuso de poder, a direita dirá que há excesso. Se for omisso, a democracia pagará a conta.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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