A bancada federal do Paraná colocou o estado na linha de frente da derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao Projeto de Lei (PL) da Dosimetria: os três senadores paranaenses e 21 dos 30 deputados federais votaram para abrir caminho à redução de penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.
O Congresso Nacional derrubou o veto na quinta-feira (30). O placar foi de 318 a 144 na Câmara, com 5 abstenções, e de 49 a 24 no Senado. O texto segue para promulgação.
A dosimetria é o cálculo da pena. No caso do PL da Dosimetria, o efeito político é direto: reduzir punições impostas a condenados ligados ao 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.
No Paraná, a votação juntou nomes que já se movimentam na sucessão estadual de 2026.
O senador Sergio Moro (PL) votou pela derrubada do veto e comemorou nas redes sociais. “Derrubado o veto cruel de Lula contra o PL da dosimetria. Vitória da justiça para os condenados a penas excessivas no 8/1”, escreveu o ex-juiz da Lava Jato.
O deputado federal Sandro Alex (PSD), pré-candidato do grupo do governador Ratinho Junior (PSD) ao Palácio Iguaçu, também votou contra o veto de Lula. O voto colocou Sandro no mesmo campo de Moro no tema mais sensível do bolsonarismo: o alívio penal aos condenados pela tentativa de golpe.
Moro e Sandro Alex não precisaram aparecer na mesma foto para alimentar a Boca Maldita. Bastou votarem na pauta mais preciosa do bolsonarismo para a conversa do acordo branco voltar a circular, como se eles já ensaiassem, debaixo do edredom, um palanque comum com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O Palácio Iguaçu nega a costura, mas a Dosimetria colocou os dois pré-candidatos do mesmo lado da trincheira bolsonarista.
A lista paranaense pela derrubada do veto incluiu ainda o deputado federal Filipe Barros (PL), um dos nomes mais identificados com o bolsonarismo no estado. Do outro lado, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) votou pela manutenção do veto e usou a sessão para cobrar a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.
A votação expôs a correlação de forças no Paraná.

Dos 30 deputados federais do estado, 21 votaram contra o veto de Lula. Seis votaram pela manutenção: Carol Dartora (PT), Gleisi Hoffmann, Tadeu Veneri (PT), Welter (PT), Zeca Dirceu (PT) e Aliel Machado (PV). O deputado Beto Preto (PSD) se absteve, e Luciano Ducci (PSB) e Vermelho (PL) não participaram da votação.
No Senado, os três paranaenses votaram pela derrubada: Sergio Moro, Oriovisto Guimarães (PSDB) e Flávio Arns (PSB).
O dado local pesa porque a disputa de 2026 já colocou Moro e Sandro Alex no mesmo patamar eleitoral. Um tenta se vender como alternativa bolsonarista ao governo estadual. O outro é tratado pelo Palácio Iguaçu como peça de contenção contra o avanço de Moro.
Na votação da Dosimetria, porém, os dois caminharam juntos.
Esse alinhamento ajuda Bolsonaro e pressiona Ratinho Junior. O governador tenta organizar a própria sucessão, mas sua base federal aparece, no Congresso, aderida à pauta mais cara do bolsonarismo nacional.
O PL da Dosimetria também dividiu o discurso sobre o 8 de Janeiro. Parlamentares favoráveis à derrubada do veto falam em penas excessivas. Governistas dizem que o projeto funciona como anistia disfarçada para condenados por ataques à democracia.
O Paraná saiu da votação com uma marca política difícil de esconder: sua bancada ajudou a transformar o alívio penal do 8 de Janeiro em lei. A conta eleitoral virá depois, no mesmo estado onde Moro, Sandro Alex, Ratinho Junior, Gleisi e o bolsonarismo disputarão a narrativa de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
