Trump empurra fusão e redes locais entram em crise

A fusão entre a Nexstar e a Tegna virou um teste de força entre regulação, concorrência e influência política nos Estados Unidos. O negócio, estimado em US$ 6,2 bilhões, cerca de R$ 31 bilhões, depende de mudanças nas regras da Comissão Federal de Comunicações (FCC), que limitam a concentração de emissoras no país.

A regra em vigor desde 2004 impede que uma empresa alcance mais de 39% dos lares com TV nos Estados Unidos. A Nexstar já opera mais de 200 estações e, segundo o texto de origem, ultrapassa o teto permitido, o que trava a operação sem aval regulatório.

A título de comparação, a TV Globo se gaba de uma presença dominante no Brasil, alcançando 99,47% da população por meio de sua rede de transmissão linear. Ou seja, o sinal da emissora chega a quase todos os domicílios com televisão no país, atingindo mais de 200 milhões de telespectadores potenciais.

Voltemos à bronca americana.

O caso ganhou peso político com a volta de Donald Trump à Casa Branca em 2025 e a chegada de Brendan Carr ao comando da FCC. Carr lançou a agenda “Delete, Delete, Delete”, prometendo eliminar regras que, segundo ele, pesam sobre as empresas.

A Nexstar diz que precisa crescer para enfrentar a perda de receita para plataformas digitais como Netflix e YouTube. A empresa argumenta que a concentração ajudaria a sustentar o jornalismo local, mas críticos veem risco de monopólio editorial e de fechamento de redações.

O conflito ficou mais visível em setembro, quando a Nexstar anunciou que deixaria de exibir Jimmy Kimmel Live! após a ameaça de Carr contra emissoras que transmitissem comentários ligados ao assassinato de Charlie Kirk. A ABC suspendeu o programa por um curto período e depois recuou, após reação nacional e boicote à emissora.

Nem a aproximação com Trump blindou a Nexstar. A Newsmax processou a fusão, alegando que a empresa usa taxas de retransmissão para pressionar concorrentes e favorece sua própria rede, a NewsNation, com preços menores.

Em 27 de março, o juiz Troy Nunley, em Sacramento, concedeu ordem de restrição de emergência para impedir a Nexstar de assumir os ativos da Tegna. Em 17 de abril, ele reforçou a decisão e determinou que a Tegna continue operando de forma independente até novos passos judiciais.

Enquanto isso, a disputa já mexe com o conteúdo das emissoras locais. Segundo a NPR, jornalistas da Tegna receberam ordem para parar de retransmitir material de ABC, CBS e NBC e passar a usar conteúdo da NewsNation.

O caso mostra como a concentração da mídia, a pressão política e a disputa por audiência estão redesenhando a TV local nos Estados Unidos.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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