A primeira pesquisa Genial/Quaest depois da eleição de 25 de outubro mostra um eleitorado dividido na avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva: 48% aprovam a gestão, 44% desaprovam e 8% não souberam ou não responderam. O levantamento ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em todo o país, entre 30 de outubro e 2 de novembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O saldo de quatro pontos é o mais apertado entre presidentes reeleitos na série recente, segundo o Estadão. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso tinha 54% de aprovação e 44% de desaprovação; em 2006, Lula terminou com 69% e 31%; em 2014, Dilma Rousseff ficou com 59% e 41%. A pesquisa também aponta que 94% dos entrevistados torcem para que o novo mandato dê certo.
As prioridades apontadas dão a medida do que o governo vai enfrentar. O fim da escala 6×1 é citado por 17%; o imposto zero na cesta básica, por 16%; a valorização do salário mínimo, por 11%; e o pacto contra o feminicídio, por 10%. O fim da escala 6×1 foi aprovado pelo Congresso entre o primeiro e o segundo turnos e já é questionado no Supremo Tribunal Federal (STF) por entidades de empregadores. Uma audiência de conciliação sobre o cronograma de implementação está marcada para 10 de novembro, segundo a apuração do Blog do Esmael.
A economia é a principal preocupação para 27% dos entrevistados, que citam gastos públicos, dívida e juros. A segurança pública aparece em segundo lugar, com 17%, seguida por corrupção e governabilidade, com 12% cada. Para 70%, o novo governo terá mais conflitos com o Congresso do que o anterior; 46% esperam mais embates com o STF. A expectativa sobre os próximos 12 meses está empatada: 39% acham que a situação vai melhorar e 39% que vai piorar.
O levantamento também mede o desgaste do senador Flávio Bolsonaro, do PL, depois da fuga para os Estados Unidos. Para 62%, a decisão de deixar o país foi errada; 29% a consideram certa. Para 56%, o motivo foi fugir da Justiça; 35% veem perseguição política. O episódio chegou a 89% dos entrevistados. Para 60%, Flávio Bolsonaro se comportou mal diante da derrota; 25% dizem que ele agiu bem. O questionamento ao resultado das urnas é reprovado por 59%, e 61% consideram as eleições limpas e justas, contra 30% que acreditam em fraude.
Lula é visto como líder forte por 73% e como alguém que sabe o que está fazendo por 61%. A honestidade é o único atributo com avaliação negativa: 57% dizem que não veem o presidente como honesto, contra 34% que o veem.
Na prática, o ranking de prioridades é o ponto que mexe com o bolso: jornada 6×1, cesta básica e salário mínimo afetam renda e custo de vida, e todos dependem de votação no Congresso ou de decisão no STF. A pesquisa não decide nada, mas mostra onde o governo tem apoio para avançar e onde a resistência se concentra. A cobertura completa está no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
