Moro promete “choque de gestão” no Paraná e agência anticorrupção

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O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, apresentou nesta sexta-feira (7) suas principais propostas para uma eventual gestão no Palácio Iguaçu durante sabatina promovida pelo UOL em parceria com a Folha de S.Paulo. Entre as promessas estão transformar o Paraná no estado “mais seguro do Brasil”, criar uma agência estadual anticorrupção, ampliar o ensino integral, instituir uma espécie de “tabela SUS paranaense” e aumentar a fiscalização sobre concessões de rodovias.

Moro também afirmou que pretende dar continuidade aos projetos positivos do governador Ratinho Junior (PSD), mas disse que quer levar ao governo estadual a mesma “energia” que, segundo ele, marcou sua atuação na Lava Jato, no Ministério da Justiça e na oposição ao governo Lula (PT).

O candidato resumiu sua proposta com a ideia de transformar o Paraná, que classificou como um estado “acima da média”, em um estado de “excelência”.

“Eu quero um Paraná de excelência. Eu quero ter o Paraná em primeiro lugar”, afirmou.

Uma das principais propostas apresentadas por Moro foi a criação de uma estrutura estadual dedicada ao combate à corrupção. Segundo ele, a agência, que poderia funcionar como uma secretaria, teria um diretor com mandato de quatro anos e autonomia para evitar interferências políticas.

A estrutura reuniria servidores públicos para cruzar dados, identificar possíveis fraudes em licitações e detectar sinais de enriquecimento ilícito.

Moro disse que pretende estabelecer uma atuação preventiva, além de encaminhar casos identificados ao Ministério Público e às polícias.

“Vamos criar agência estadual anticorrupção no âmbito do governo estadual”, declarou.

O candidato associou a proposta à experiência que teve como juiz federal e ministro da Justiça, destacando sua atuação contra organizações criminosas e casos de corrupção.

Saúde: Moro promete “tabela SUS paranaense”

Na área da saúde, o candidato afirmou que pretende enfrentar o que considera um subfinanciamento do setor no Paraná.

A principal proposta é criar uma “tabela SUS paranaense”, com complementação estadual dos pagamentos pelos serviços prestados por hospitais públicos e filantrópicos.

Segundo Moro, o objetivo seria aumentar a oferta de atendimento e reduzir gargalos, especialmente em procedimentos eletivos.

Ele citou como referência a experiência de São Paulo, que possui uma tabela estadual complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS), e afirmou que o modelo teria contribuído para ampliar o número de cirurgias eletivas.

Moro também afirmou que destinou R$ 69 milhões de suas emendas parlamentares, durante o mandato no Senado, a hospitais filantrópicos do Paraná.

Sanepar: privatização não está decidida

Questionado se pretende privatizar a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Moro não descartou a possibilidade, mas afirmou que não existe decisão tomada nesse sentido.

A primeira medida, segundo ele, seria promover um “choque de eficiência” na companhia, com redução de burocracia e revisão de cargos ocupados por indicação política.

“Não existe nenhuma decisão tomada da realização da privatização dela, mas nós queremos sim um choque de gestão e de eficiência”, afirmou.

Moro disse não ter “preconceito” contra privatizações, mas usou a experiência recente da Companhia Paranaense de Energia (Copel) para fazer uma ressalva.

Segundo ele, a privatização da Copel não teria produzido a melhora de serviço esperada e haveria aumento das reclamações sobre interrupções de energia e demora no restabelecimento.

O senador citou o caso de uma empresa de Ponta Grossa que, segundo informações recebidas por seu gabinete, teria ficado o equivalente a 15 dias parada em 2025 em razão de problemas no fornecimento de energia.

Pedágio: candidato evita prometer redução

Na discussão sobre as concessões rodoviárias, Moro evitou assumir um compromisso genérico de redução das tarifas de pedágio.

O candidato afirmou que pretende respeitar os contratos de concessão e, ao mesmo tempo, verificar eventuais excessos de arrecadação e negociar alterações pontuais com as concessionárias.

“Não”, respondeu quando questionado diretamente se prometia reduzir o preço do pedágio.

A proposta apresentada foi criar um observatório digital para acompanhar a execução das obras, a arrecadação dos contratos e o cumprimento das obrigações pelas concessionárias.

Moro afirmou que o governo estadual também precisaria fortalecer a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar) e buscar uma delegação do governo federal para ampliar a fiscalização sobre as concessões.

O candidato citou ainda a saturação do trecho entre Curitiba e Ponta Grossa como exemplo de gargalo de infraestrutura.

Transporte público: sem definição sobre tarifa

Ao ser questionado sobre a tarifa do transporte metropolitano, Moro não apresentou um valor ou compromisso específico de manutenção do congelamento.

Ele afirmou que pretende trabalhar com as prefeituras para buscar tarifas que não penalizem os trabalhadores e estudar novas formas de transporte para reduzir o tempo de deslocamento.

Quando os entrevistadores perguntaram especificamente sobre a tarifa de Curitiba, de R$ 6 no dinheiro e R$ 5,90 no cartão metropolitano, Moro afirmou que seria necessário analisar os dados de cada região antes de definir uma política.

“Como que a gente vai poder fazer isso para reduzir, manter ou, se tiver necessariamente que subir num futuro, para que seja o aumento mais baixo possível. O que a gente tem que fazer é sempre trabalhar com dados e com estatísticas”, disse.

Educação: foco no ensino integral e profissionalizante

Na educação, Moro afirmou que pretende ampliar o ensino integral no Paraná, com maior oferta de disciplinas técnicas, profissionalizantes e tecnológicas.

A proposta é concentrar parte dessa formação no período da tarde, aproximando a escola das necessidades do mercado de trabalho de cada região.

O candidato também questionou a forma de avaliação do desempenho educacional. Embora tenha reconhecido os bons resultados recentes do Paraná no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), afirmou que é necessário verificar se os estudantes estão efetivamente aprendendo.

Moro também disse que pretende avaliar o modelo de terceirização da gestão administrativa de escolas públicas, sem antecipar se pretende expandi-lo ou encerrá-lo.

Segundo ele, a autonomia pedagógica e a atuação dos professores devem ser preservadas.

O candidato defendeu ainda medidas para reforçar a disciplina nas escolas e afirmou que professores precisam ser protegidos de agressões físicas e morais.

Escolas cívico-militares

No chamado “pinga-fogo” ao final da entrevista, Moro declarou ser favorável às escolas cívico-militares.

Ele relacionou esse modelo ao problema da disciplina em sala de aula e defendeu sua utilização como uma das alternativas para enfrentar a questão.

Também afirmou ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos, principalmente em crimes considerados graves.

Na segurança pública, Moro prometeu uma política de tolerância zero contra organizações criminosas e corrupção.

O candidato afirmou que pretende dar autonomia às forças policiais e usar sua experiência como magistrado e ministro da Justiça para reorganizar a área.

“Queremos fazer do Paraná o estado mais seguro do Brasil”, afirmou.

Moro também disse que não pretende repetir, no Paraná, interferências políticas sobre os órgãos de segurança.

Durante a entrevista, foi questionado sobre as acusações de interferência na Polícia Federal durante o governo Jair Bolsonaro, do qual foi ministro da Justiça. Moro reiterou que não retira as críticas feitas naquele período, mas afirmou que houve uma reaproximação política a partir de 2022 por causa da oposição ao governo Lula.

Questionado se teme que Flávio Bolsonaro possa interferir na Polícia Federal caso seja eleito presidente, Moro respondeu que não faria prognósticos sobre um governo que ainda não existe.

Afirmou, entretanto, que no Paraná dará “ampla autonomia” aos órgãos policiais.

Embora tenha apresentado o governo Lula como seu principal adversário político, Moro afirmou que manteria uma relação institucional com o presidente da República caso ambos fossem eleitos.

“Será republicano, institucional”, disse.

O senador afirmou, porém, que continuará trabalhando pela eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Na avaliação de Moro, um governador do Paraná alinhado ao governo Lula seria mais prejudicial ao estado do que um governador de oposição.

Ele também criticou os partidos que, segundo sua avaliação, evitam assumir posição na disputa presidencial sob o argumento de que as “brigas de Brasília” deveriam ficar em Brasília.

Para Moro, decisões federais afetam diretamente os paranaenses.

A entrevista também explorou a contradição apontada pelos entrevistadores entre a imagem de Moro como símbolo da Lava Jato e sua convivência política com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL e condenado no processo do mensalão.

Moro respondeu que Costa Neto cumpriu a pena e que hoje se encontra em outra situação.

O candidato afirmou que sua coligação representa, segundo ele, a direita e a centro-direita no Paraná, reunindo PL, Novo e Podemos.

Na avaliação de Moro, o campo adversário está dividido entre a esquerda, representada por PDT e PT, e partidos do chamado Centrão.

Banco Master: Moro evita condicionar apoio a Flávio

Moro também foi questionado sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e as explicações apresentadas por Flávio Bolsonaro sobre recursos solicitados ao empresário Daniel Vorcaro para um projeto relacionado a um filme sobre Jair Bolsonaro.

O entrevistador perguntou se Moro consideraria romper a aliança caso uma investigação da Polícia Federal apontasse irregularidades nos recursos.

O senador classificou a pergunta como especulativa.

Segundo Moro, Flávio Bolsonaro apresentou suas explicações e o caso deve seguir para investigação.

“Vamos aguardar os desdobramentos”, respondeu.

Moro afirmou ainda que assinou requerimentos para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado e de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso para investigar o Banco Master.

Também disse que participou de investigações relacionadas às suspeitas de ligação do banco com organizações criminosas.

Posições no “pinga-fogo”

No bloco final, Moro foi questionado sobre temas nacionais e respondeu de forma direta:

Câmeras nos uniformes policiais: favorável, mas com regras e protocolos. Disse ser contra câmeras funcionando 24 horas sem critérios.

Voto impresso: afirmou que confia nas urnas eletrônicas, mas considera possível discutir mecanismos adicionais de fiscalização e controle.

Bets: contra.

Legalização do aborto: contra.

Redução da maioridade penal: favorável a 16 anos, principalmente para crimes graves.

Anistia aos condenados pelo 8 de janeiro: favorável à anistia total.

Fim do foro privilegiado: favorável.

Escolas cívico-militares: favorável.

Reeleição para presidente: contra.

Reeleição para governador: favorável.

Ao definir uma qualidade e um defeito, Moro escolheu a “coragem” como principal qualidade e admitiu ser “teimoso demais” como defeito.

A promessa de Moro para o Palácio Iguaçu

Na consideração final, o senador condensou sua campanha em três referências de sua trajetória: o combate à corrupção na Lava Jato, a atuação contra organizações criminosas no Ministério da Justiça e a oposição ao governo Lula no Senado.

A promessa, segundo ele, é levar essa mesma postura para o governo do Paraná.

Moro disse que pretende atuar sobre saúde, educação, infraestrutura e segurança e transformar o estado em uma “fortaleza das liberdades” e em um modelo de excelência.

A candidatura também será marcada pela disputa nacional. O senador deixou claro que, caso seja eleito governador, continuará trabalhando pela eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência.

A sabatina marcou a primeira entrevista da rodada de candidatos ao governo do Paraná promovida pelo UOL em parceria com a Folha de S.Paulo. Requião Filho (PDT), adversário de Moro na corrida pelo Palácio Iguaçu, foi anunciado como próximo entrevistado da série.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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