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O senador Sergio Moro (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) reagiram nas redes sociais ao afastamento da juíza Gabriela Hardt pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), decidido nesta terça-feira (4). Os dois pré-candidatos ao Senado e ao Governo do Paraná transformaram a punição disciplinar em bandeira de campanha, atribuindo à decisão do CNJ motivação política contra o legado da Lava Jato.
As declarações
Em publicação no Instagram, Moro classificou Hardt como “uma juíza corajosa afastada sem causa” e afirmou que ela “confrontou a arrogância do Lula em audiência”. Sustentou ainda que “o CNJ já não serve para preservar a independência da magistratura” e que o país vive “uma época de covardia e de inversão de valores”.
Deltan Dallagnol seguiu linha semelhante. Em vídeo publicado nas redes, questionou se a punição representaria “a vingança de Lula” e alegou que a decisão do CNJ não apontou “roubo, propina, desvio de dinheiro ou benefício pessoal”, mas teria decorrido apenas da homologação de um acordo da Lava Jato. Associou o caso à condenação de Lula no processo do sítio de Atibaia, sentenciado por Hardt em 6 de fevereiro de 2019, e defendeu a eleição de “um Senado sério” para, segundo ele, impedir que “quem ousou enfrentar os poderosos” continue sendo punido.
O que os autos mostram
As falas de Moro e Dallagnol são declarações políticas, não descrevem o teor do processo julgado pelo CNJ. A apuração contra Hardt, aberta pela Corregedoria Nacional de Justiça em 2024, tratou da homologação, em 2019, de um acordo que previa a criação de uma fundação privada para administrar cerca de R$ 2 bilhões em multas da Lava Jato, sob gestão dos próprios integrantes da força-tarefa, e não da condenação de Lula no caso do sítio de Atibaia, ação em que a magistrada de fato o sentenciou a 12 anos e 11 meses de prisão, decisão posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba.
A decisão do CNJ pela disponibilidade de Hardt foi unânime quanto ao mérito: todos os nove conselheiros votantes reconheceram irregularidade na conduta da magistrada, divergindo apenas sobre o prazo do afastamento, dois anos, posição vencedora, ou um ano, defendida pelo presidente do CNJ, ministro Edson Fachin. Ao votar, Fachin resumiu o entendimento do colegiado: “não se combate irregularidade cometendo irregularidade”.
Disputa eleitoral como caixa de ressonância
As manifestações de Moro e Dallagnol ocorrem no início da fase decisiva da campanha paranaense. Moro foi oficializado candidato ao Governo do Paraná pelo PL em 1º de agosto, em aliança com Novo, Podemos e Democracia Cristã; Dallagnol e o deputado federal Filipe Barros (PL) disputam as duas vagas ao Senado pela mesma coligação. Os partidos têm até 15 de agosto para pedir o registro das candidaturas à Justiça Eleitoral, com primeiro turno marcado para 4 de outubro.
Transformar a punição de Hardt em narrativa de perseguição política permite à chapa reforçar o discurso de vitimização da Lava Jato entre o eleitorado bolsonarista e lavajatista, público que Moro e Dallagnol vêm tentando consolidar no Paraná desde o lançamento das pré-candidaturas, em maio. A estratégia, porém, tensiona com o próprio texto da decisão do CNJ, que não discutiu o mérito de nenhuma condenação de Lula, mas a gestão de recursos públicos por parte da força-tarefa.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
