Líder sindical leva falta de democracia no PSB ao TRE

O líder sindical Paulo César Rossi acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), nesta quarta-feira, 29 de julho, para contestar sua exclusão da convenção estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB). A disputa judicial atinge a direção comandada pelo deputado federal Luciano Ducci e amplia o conflito sobre o posicionamento do partido nas eleições de 2026.

Rossi defende que o PSB integre no Paraná o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado e de Requião Filho (PDT) ao governo estadual. Esse objetivo político, porém, não integra os pedidos apresentados à Justiça Eleitoral.

O mandado de segurança nº 0600597-56.2026.6.16.0000 trata da alegada falta de democracia interna na convenção realizada em 20 de julho. Rossi afirma que recebeu o link oficial, entrou na reunião virtual e foi removido antes das deliberações, sem justificativa registrada na ata.

A ação foi protocolada com pedido de liminar. Não há decisão judicial nos documentos disponibilizados ao Blog do Esmael.

Segundo a petição, a convenção começou às 19 horas, terminou às 19h37 e reuniu 49 participantes. O encontro homologou uma chapa para deputado federal, mas decidiu não apresentar candidaturas a deputado estadual, ao governo, ao Senado nem proposta de coligação majoritária.

Rossi pretendia disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e sustenta que sua exclusão impediu o debate sobre a formação da chapa estadual. A ata não registra seu nome na lista de presença nem informa por que ele foi retirado da sala virtual.

O sindicalista pede que o TRE-PR suspenda apenas a parte da convenção que descartou candidaturas a deputado estadual. Também solicita uma nova deliberação, dentro do prazo legal das convenções partidárias, com seu direito de participação assegurado.

A chapa de candidatos à Câmara dos Deputados não é contestada. A petição afirma expressamente que não pretende retirar nomes escolhidos, impor candidaturas ou substituir a decisão dos convencionais.

A defesa de Rossi também acusa Ducci de conflito de interesses. O argumento é que o presidente estadual do PSB, candidato à reeleição para deputado federal, conduziu uma convenção que manteve somente a chapa federal. Essa é uma alegação do autor da ação e ainda será submetida ao contraditório.

Os documentos anexados não contêm manifestação de Luciano Ducci ou do diretório estadual do PSB sobre o mandado de segurança.

No campo político, Rossi acusa os dirigentes paranaenses de aproximarem o PSB da direita e romperem com as posições nacionais da legenda. Ele cita como exemplo a resistência de partidos desse campo ao fim da escala de trabalho 6×1.

A crítica não aparece como fundamento jurídico do mandado de segurança. O processo discute o direito de participação na convenção, a validade da exclusão e a possibilidade de reabrir a deliberação sobre candidaturas à Alep.

A diferença importa porque eventual decisão favorável não obrigará o PSB a apoiar Lula, Gleisi Hoffmann ou Requião Filho. A Justiça poderá, caso aceite os argumentos apresentados, determinar que o partido refaça parte da convenção com participação democrática dos filiados habilitados.

A crise interna, no entanto, alcança diretamente a montagem dos palanques. O PSB integra a base nacional de Lula e ocupa a Vice-Presidência com Geraldo Alckmin, enquanto a direção paranaense evitou definir apoio nas disputas majoritárias durante a convenção de 20 de julho.

Em 2024, PT e PDT apoiaram Luciano Ducci na eleição para a Prefeitura de Curitiba. A decisão do PSB de não retribuir a aliança estadual em 2026 alimenta a cobrança por reciprocidade e abre espaço para uma disputa entre a orientação nacional da legenda e os interesses eleitorais de sua direção no Paraná.

O Blog do Esmael mantém espaço aberto ao contraditório e publicará manifestações do diretório estadual do PSB e do deputado federal Luciano Ducci sobre os fatos e as alegações apresentados nesta reportagem.

Acompanhe no Blog do Esmael a formação dos palanques para as eleições de 2026.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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