Jude Law afirmou neste domingo (31), no Festival de Cinema de Veneza, que não teme repercussões por interpretar Vladimir Putin em O Mágico do Kremlin, novo filme político de Olivier Assayas. O ator britânico, vencedor do Bafta, disse confiar na força do roteiro e destacou que o papel não busca “polêmica pela polêmica”, mas sim um retrato com “nuance e consideração”.
Law contou que a maior dificuldade foi retratar um líder cuja imagem pública sempre foi controlada a ponto de parecer intransponível. “Chamavam-no de ‘o homem sem rosto’. Era uma máscara. Mostrar emoção sem revelar demais foi o grande conflito”, explicou o astro, que divide cena com Alicia Vikander, Paul Dano, Tom Sturridge e Jeffrey Wright.
O longa é inspirado no best-seller de Giuliano da Empoli e foca em Vadim Baranov, personagem vivido por Paul Dano, inspirado em Vladislav Surkov, estrategista que consolidou o poder de Putin nos anos 1990. “Rotular o personagem como apenas mau seria uma simplificação”, afirmou Dano.
Assayas, mais conhecido por Clouds of Sils Maria, estreia em língua inglesa com este projeto. Ele afirmou que a obra reflete o nascimento da política contemporânea. “Parte desse mal começou com a ascensão de Putin ao poder. O que acontece hoje é ainda mais assustador porque não encontramos respostas”, disse o diretor francês, de 70 anos.
Jeffrey Wright aproveitou para refletir sobre os EUA. “Também tivemos impulsos autocráticos. Mas a ideia de que podemos aspirar a algo melhor sempre nos salvou. Se isso se perder, caímos no que o filme mostra”, avaliou.
O lançamento ocorre três anos após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o que dá ao filme inevitável carga política. Além do debate sobre autoritarismo, o festival também foi palco para a polêmica em torno da Mubi, acusada de ligação com o Exército de Israel. Jim Jarmusch, que estreou seu novo filme no evento, criticou a parceria da distribuidora.
Assim, Veneza se confirmou novamente como espaço em que cinema, política e cultura se entrelaçam – reforçando o peso simbólico da sétima arte em tempos turbulentos.
Jude Law traz para as telas um Putin enigmático, mas é o filme que revela como a política moderna se constrói pela manipulação da narrativa. Assayas acerta ao mostrar que o problema não é um rosto, mas o sistema que produz máscaras.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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Publicação de: Blog do Esmael
