Tem coisas que o jornalismo brasileiro, a “grande imprensa”, poderia ter feito por você, pelo Brasil, ao longo dos últimos quatro, oito anos, não de última hora.
Por Hugo Souza, no Come Ananás
No debate da Globo, ouvimos Flávio Bolsonaro prometer ser “o carioca mais nordestino da face da Terra”, uma vez eleito presidente da República. Momentos depois, ouvimos Flávio Bolsonaro apresentar seu sofisticado programa de governo para a região Nordeste do Brasil: “você vai receber a sua gorjeta em dólar e em euro”.
Ouvimos Flávio Bolsonaro enaltecer várias vezes o governo de seu pai e ouvimos Flávio Bolsonaro dizer que “saneamento básico é saúde”, como se Bolsonaro pai, quando presidente, não tivesse debochado da saúde e da falta de saneamento, no início da pandemia: “brasileiro pula em esgoto e não acontece nada”.
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Ouvimos Flávio Bolsonaro, “irmão do tigrinho”, suspeito de ser sócio oculto de uma bet, acusar Lula, que acabou com as bets, de endividar o povo brasileiro. Ouvimos Flávio Bolsonaro, cujo pai liberou empréstimo consignado em programa de combate à pobreza, para tentar se reeleger, ouvimos Flávio Bolsonaro acusar Lula de endividar o povo brasileiro.
Ouvimos Flávio Bolsonaro dizer que um uísque que Lula ganhou de presente é tão caro que daria para pagar 70 parcelas do Bolsa Família. Falou quem ganhou, de propina e numa orgia náutica em plena pandemia, um Rolex tão caro que daria para pagar 400 parcelas do Bolsa Família.
Ouvimos o homenageador de matadores de aluguel, o repassador de emenda parlamentar para condenado pelo assassinato de Marielle Franco, o senador-advogado do assassino de uma menina de cinco anos de idade, ouvimos Flávio Bolsonaro perguntar a Lula por que Lula “põe os interesses dos criminosos na frente dos interesses das vítimas”.
Ouvimos Flávio Bolsonaro prometer “um governo do futuro, não do passado’“, logo ele, defensor do “movimento de 64”, da ditadura.
Nada disso foi desmentido pela força-tarefa de fact-checking do Grupo Globo. Não há um selo de fact-checking — “fato”, “fake”, “verdade”, “mentira”, “não é bem assim” — para colar, por exemplo, na declaração de Flávio Bolsonaro de que vai combater as milícias. Seria necessário um selo “logo quem”, um selo “olha quem fala”, um selo bem grande “NÃO PODE SER PRESIDENTE”, mas esses selos não existem.
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Tem coisas que o jornalismo brasileiro, a “grande imprensa”, poderia ter feito por você, pelo Brasil, ao longo dos últimos quatro, oito anos, não de última hora, em vez de normalizar os Bolsonaro e o bolsonarismo. Lula conseguiu expor o bufão que quer sentar no trono do rei quando arrancou-lhe um farisaico pedido de desculpas pelo deboche com o dedo perdido pelo presidente na prensa mecânica, num acidente de trabalho.
Poderia ter conseguido mais, muito mais, mas é isso e vai lá e “explode!”.
Vamos vencer!
Publicação de: Viomundo
