Debate em SP: troca de acusações marca primeiro encontro

O primeiro debate na TV entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado neste domingo (7) pela Band, foi marcado por acusações entre os candidatos mais bem colocados. Fernando Haddad (PT), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB) buscaram associar os adversários às fraquezas de seus padrinhos políticos – respectivamente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL) e João Dória (PSDB) e explorar temas sensíveis de seus adversários. 

Os candidatos Vinícius Poit (Novo) e Elvis Cezar (PDT) também participaram do debate. Ambos usaram a exposição para se apresentarem ao eleitorado. Poit se mostrou alinhado com pautas ultraliberais e apresentou um discurso antipetista, chamando Lula de ‘ex-presidiário’. Cezar buscou valorizar sua experiência como ex-prefeito de Santana do Parnaíba, município da Grande São Paulo com 142 mil habitantes.

Embates

O momento mais tenso do debate aconteceu ainda no primeiro bloco. Tarcísio de Freitas ironizou a atuação de Fernando Haddad como prefeito de São Paulo. Ele pediu aos espectadores que pesquisassem ‘pior prefeito de São Paulo’ no Google. Em resposta, Haddad sugeriu que a busca fosse pelo termo ‘genocida’. “Não terá surpresa ao saber quem matou mais de 600 mil brasileiros por não ter comprado vacina. E pior: cortar o auxílio emergencial antes de vacinar as pessoas. Vocês são responsáveis pela crise sanitária.”

Haddad também entrou em embate direto com Rodrigo Garcia sobre obras inacabadas e diminuição do investimento no estado. O tucano buscou fugir das críticas associando o atraso com problemas relacionados às prefeituras parceiras e às construtoras, que estariam em dificuldades de funcionamento por conta da Operação Lava Jato

Haddad criticou a queda no investimento em obras no estado. “Se pegarmos o investimento do estado de São Paulo no quadriênio 2011-14, ele foi de R$ 96 bilhões em valores atualizados pela inflação. Nesse quadriênio, aumentando imposto de leite, de carro usado, confiscando professor, o investimento não vai chegar a R$ 50 bilhões. Tem alguma coisa muito errada acontecendo no estado de São Paulo”, disse o petista.

Em resposta, Garcia culpou o PT. “Você vê que a gente paga até hoje a crise que o PT deixou lá no governo federal. O Brasil afundando e infelizmente a covid acelerou esse processo.”

Em diversos momentos, os candidatos apresentaram suas propostas para a recuperação da economia. Haddad focou na importância de aumentar os salários e prometeu que, em caso de eleição, o salário mínimo paulista será de pelo menos R$ 1.580. Poit, Garcia e Freitas ressaltaram na importância de ações de fomento ao empreendedorismo.

Propostas sobre a Cracolândia

No início do debate, todos os candidatos responderam sobre suas propostas para a a região chamada Cracolândia. Em geral, os concorrentes citaram a necessidade de ações de segurança pública, saúde, habitação e assistência social.

Haddad lembrou, ainda, do Programa Braços Abertos, criado em sua gestão como prefeito de São Paulo, que teve bons resultados na diminuição do uso de drogas na região com ações de moradia, tratamento e emprego. O programa foi cortado por João Doria.

Sem resposta para feminicídio

No momento de perguntas livres entre os candidatos, Cezar questionou Garcia sobre sua estratégia para combater o feminicídio no estado. Na resposta, o tucano falou sobre segurança pública de forma geral, apresentando o estado como o “mais seguro do país”. Entretanto, não houve qualquer resposta específica sobre prevenção do feminicídio. 

Segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada em 30 de junho, Haddad lidera a disputa ao governo de São Paulo, com 34% das intenções de votos. Em segundo lugar, há um empate entre Rodrigo e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos com 13%. Poit e Cezar aparecem com 1% das intenções de voto.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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