Candidatura de Caiado sobe no telhado com divisão do União
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), lançou nesta sexta (4) sua pré-candidatura à Presidência da República em Salvador, mas o que era pra ser uma arrancada triunfal virou um desfile de ausências e constrangimentos políticos.
Sem o presidente nacional do partido, Antônio Rueda, nem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o evento escancarou o racha interno no União Brasil e deixou claro: a candidatura de Caiado subiu no telhado antes mesmo de sair da garagem.
A cerimônia em Salvador foi recheada de discursos inflamados e promessas de combate à criminalidade, com Caiado tentando capitalizar seu histórico na segurança pública em Goiás.
Mas o que mais chamou atenção foram os que não apareceram.
- Antônio Rueda (presidente do União): ausente.
- Alcolumbre (União-AP): também faltou.
- Caciques regionais: silêncio constrangedor.
Nem mesmo a entrega simbólica do título de Cidadão Baiano conseguiu ofuscar o vazio deixado por líderes-chave da legenda.
O União Brasil vive uma crise de identidade:
- Ala governista: tem três ministérios e quer manter portas abertas com Lula;
- Ala bolsonarista: aguarda decisão do inelegível Jair Bolsonaro;
- Ala independente: tenta emplacar uma candidatura própria — representada por Caiado.
Mas como confiar em um partido que caminha para uma federação com o PP e não consegue reunir sua própria tropa num lançamento nacional?
“Aqui não tem candidato de colete, nem de barra de saia”, disse Caiado, tentando mostrar força, mas soando mais como desabafo de quem fala para a parede.
Mesmo sem os caciques, algumas figuras apareceram:
- ACM Neto (vice-presidente do União): elogiou Caiado, mas sem empolgar;
- Sergio Moro (União-PR): falou pouco e se esquivou da polêmica;
- Otoni de Paula (MDB) e Paulinho da Força (Solidariedade): marcaram presença, mas sem peso decisivo.

E Caiado partiu para o ataque:
- Chamou Lula de “sem plano de governo”;
- Criticou Gleisi Hoffmann como “elefante em loja de louça”;
- Disse que “ou bandido muda de profissão ou muda de estado”.
A mágoa do governador goiano com a ministra Gleisi Hoffmann, da Articulação Política, aflorou porque ela relatou como “muito positivo” o encontro entre o presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, na última quarta (2).
Frases de impacto que agradam ao eleitorado conservador, mas afastam pontes com o centro político — essencial para qualquer presidenciável competitivo em 2026.
Caiado não está sozinho nesse enrosco partidário.
Seu colega da região Sul, Ratinho Junior (PSD-PR), enfrenta dilema semelhante. Ambos tentam se viabilizar em partidos fragmentados, onde o projeto nacional perde para os interesses regionais.
Assim como o PSD de Kassab, o União de Rueda também cogita neutralidade em 2026 — o que sepultaria qualquer voo solo de Caiado.

O próprio União Brasil já sinalizou que a prioridade será a federação com o PP. E, nesse cenário, Caiado teria que:
- Convencer o PP a endossar seu nome;
- Agradar a ala governista que hoje apoia Lula;
- Disputar protagonismo com bolsonaristas órfãos do ex-presidente.
Difícil? Difícil não, quase impossível.
Enquanto isso, pesquisas como a Genial/Quaest mostram que 63% dos eleitores sequer sabem quem é Caiado. E o tempo corre.
? Racha no União inviabiliza Caiado
Quem é Ronaldo Caiado?
Ronaldo Caiado é governador de Goiás pelo União Brasil, médico, ex-senador e ex-deputado federal. Nesta sexta (4), lançou pré-candidatura à Presidência.
Caiado é oficialmente candidato à Presidência?
Ainda não. A candidatura só será oficializada pelo TSE em 2026. Atualmente, Caiado apenas se declara “pré-candidato”.
Por que o União Brasil está rachado?
O partido tem alas governistas, bolsonaristas e independentes, o que dificulta consenso em torno de uma candidatura única para 2026.
Caiado tem chance de ser candidato em 2026?
Com o partido dividido e pouco conhecido nacionalmente, a pré-candidatura enfrenta grandes obstáculos — inclusive dentro do próprio União.
Qual é o foco da campanha de Caiado?
Caiado aposta na segurança pública como carro-chefe de sua pré-campanha e se posiciona como alternativa à esquerda e à direita bolsonarista.
Ronaldo Caiado tentou mostrar força, mas o que se viu foi um ensaio de isolamento político.
Faltaram as presenças que selam acordos, sobrou retórica para as redes sociais. Caiado gritou, mas ninguém do partido pareceu ouvir.
Com um União Brasil dividido e prestes a se federar com o PP, a tal “musculatura” do goiano pode acabar virando só pose de espelho.
E você, acha que Caiado tem alguma chance em 2026? Comente, compartilhe e acompanhe todos os bastidores no Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael