Índice de Tópicos
O Partido dos Trabalhadores (PT) leva a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva às ruas neste domingo, 13 de setembro, com bandeiraços, carreatas, panfletagens e rodas de conversa em várias regiões do país. No Paraná, a agenda inclui uma atividade de agitação e propaganda na Feira do Largo da Ordem, em Curitiba, às 10h, um dia depois do comício de Lula na Boca Maldita.
A mobilização ocorre a 21 dias do primeiro turno e em meio ao estreitamento da disputa presidencial. Levantamentos divulgados nesta semana mostram Lula ainda na liderança do primeiro turno, mas com Flávio Bolsonaro (PL) mais próximo nas simulações para a segunda etapa. O agregador de pesquisas do UOL apontava, em 12 de setembro, Lula com 38,7% e Flávio com 33,5% no primeiro turno.
O Datafolha divulgado em 11 de setembro também mostrou a redução da distância entre os dois principais candidatos. Lula apareceu com 38% e Flávio com 33% no primeiro turno. Nas simulações de segundo turno, os levantamentos recentes passaram a registrar empate técnico ou vantagem numérica de Flávio dentro da margem de erro, dependendo do instituto.
A resposta do PT é territorial. A direção nacional convocou os diretórios municipais, coordenações estaduais, candidaturas e movimentos sociais a ocuparem bairros, praças e comunidades com atividades descentralizadas. A orientação inclui bandeiraços, carreatas, distribuição de material, adesivaços e conversas com eleitores.
A própria legenda informou que as ações serão cadastradas na plataforma Comitê Popular para formar uma agenda nacional integrada. O secretário nacional de Organização, Laércio Ribeiro, e a secretária nacional de Nucleação, Claudinha Lima, coordenam a mobilização.
Curitiba vira ponto de mobilização após comício de Lula
No Paraná, a movimentação acontece poucas horas depois da passagem de Lula por Curitiba. O presidente reuniu cerca de 20 mil pessoas na Boca Maldita, segundo estimativas divulgadas sobre o ato, que contou com candidatos petistas ao Senado, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, além de Requião Filho (PDT), candidato ao governo estadual.
A agenda deste domingo desloca a campanha do palanque presidencial para a militância organizada. Em Curitiba, o PT programou uma atividade de agitação e propaganda do Levante e do Comitê Loukas por Lula, às 10h, na Feira do Largo da Ordem. A agenda consta da relação nacional de mobilizações divulgada pelo próprio partido.
A escolha do local permite ao grupo petista manter a presença no centro da capital paranaense depois do comício de sábado. O movimento também busca transformar a passagem de Lula pelo Estado em trabalho de base, com contato direto entre militantes e eleitores.
A primeira-dama Janja também reforçou a convocação durante o comício de Curitiba. Ela pediu que os apoiadores utilizassem materiais de campanha para conversar com vizinhos, familiares e eleitores indecisos.
“Domingo é todo mundo nas ruas em mobilização”, afirmou Janja durante o ato, ao apresentar o domingo como uma data nacional de organização da campanha.
Investigação contra Flávio entra no ambiente eleitoral
A mobilização ocorre também depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a abertura de investigação contra Flávio Bolsonaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A investigação foi aberta em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal (PF) e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A apuração examina suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros crimes relacionados ao financiamento da produção.
A PGR afirmou haver indícios que justificavam aprofundar a investigação e pediu o levantamento de propostas legislativas apresentadas ou apoiadas por Flávio que pudessem beneficiar o Banco Master, empresas ligadas ao grupo ou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As hipóteses investigadas ainda dependem de apuração.
Flávio nega irregularidades e, em manifestações recentes, criticou a atuação de integrantes do STF e classificou determinadas medidas envolvendo o caso como tentativa de interferência eleitoral.
O episódio adiciona uma frente jurídica à disputa eleitoral, mas a mobilização do PT foi anunciada antes da divulgação pública de parte dos elementos da investigação. A convocação partidária tem como justificativa oficial fortalecer a candidatura de Lula e ampliar a presença da campanha nos territórios.
PT tenta recuperar terreno onde Lula precisa ampliar presença
A estratégia revela uma preocupação eleitoral mais ampla: transformar a vantagem de Lula no primeiro turno em capacidade de mobilização territorial antes que a campanha entre nas últimas três semanas.
O Sul é um dos espaços dessa disputa. Lula passou por Porto Alegre e Curitiba durante o giro pela região, enquanto o Paraná permanece como um Estado em que a eleição presidencial convive com uma disputa local altamente competitiva.
A mobilização deste domingo, portanto, não substitui o palanque presidencial. Ela tenta prolongar seus efeitos nos bairros, feiras, praças e comunidades, justamente onde a campanha precisa converter exposição nacional em voto.
No cenário nacional, o desafio é reduzir a capacidade de crescimento de Flávio Bolsonaro e preservar a liderança de Lula até 4 de outubro. No Paraná, a tarefa adicional é transformar a presença do presidente na capital em capilaridade política para a reta final.
A campanha petista aposta que a resposta ao avanço do adversário passa menos por um novo discurso de palanque e mais pela presença organizada de seus apoiadores nas ruas.
Acompanhe no Blog do Esmael a agenda das eleições de 2026, as pesquisas e os movimentos das campanhas no Paraná e no Brasil.
Receba as notícias do Blog do Esmael
Um resumo editorial sobre política, Paraná e Brasil. Confirme sua inscrição pelo link enviado ao seu e-mail. Você poderá sair quando quiser.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
