O candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) passou a usar a frase “Mais Paraná, menos Brasília”, praticamente invertendo o slogan “Menos Brasília, mais Paraná” adotado por Alexandre Curi (Republicanos), e abriu uma nova frente de disputa na corrida pelas duas vagas do Paraná. A campanha de Curi acusou o adversário de copiar a identidade da comunicação eleitoral; Dallagnol respondeu que não vive de slogans e contrapôs uma mensagem sobre combate à corrupção.
A troca de frases ocorre no momento em que a eleição para o Senado paranaense se tornou uma das disputas mais apertadas da campanha. A mais recente pesquisa Paraná Pesquisas, realizada de 13 a 16 de agosto com 1.520 eleitores em 65 municípios, mostra Dallagnol com 34%, Alexandre Curi com 29,6%, Gleisi Hoffmann (PT) com 28,1% e Filipe Barros (PL) com 26%. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais.
Nesse cenário, a briga pelo slogan deixa de ser apenas uma disputa de publicidade. Os dois candidatos tentam ocupar um espaço político semelhante na comunicação eleitoral: a defesa dos interesses do Paraná diante de Brasília.
Curi havia apresentado “Menos Brasília, mais Paraná” como síntese de sua defesa de maior autonomia para Estados e municípios e de uma revisão do pacto federativo. Em entrevista à Rádio Cultura Foz, em junho, ele vinculou explicitamente a frase à ideia de ampliar a participação do Paraná na distribuição de recursos federais e fortalecer a representação do Estado no Senado.
Em outra manifestação pública, Curi voltou a defender “menos Brasília e mais Paraná” como bandeira para a atuação parlamentar. A proposta, segundo ele, é fazer do Senado um instrumento de defesa dos interesses paranaenses e de articulação por investimentos federais.
A versão de Dallagnol apareceu mais recentemente: “Mais Paraná, menos Brasília”. A diferença está na ordem das palavras, mas a estrutura da mensagem é praticamente a mesma.
A campanha de Curi reagiu com ironia. Segundo o Painel, da Folha de S.Paulo, aliados do candidato passaram a dizer que Dallagnol teria feito um “Ctrl+C, Ctrl+V”, expressão usada para caracterizar uma cópia. A equipe de Curi afirmou ainda que, em vez de recorrer à Justiça Eleitoral, preferiria satirizar o episódio na comunicação política.
Dallagnol respondeu por meio de sua assessoria com outra provocação: “Vote em quem não vive de slogan!”. Em seguida, associou a frase “Mais Paraná, menos Brasília” a uma crítica aos chamados Diários Secretos, esquema de corrupção revelado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Alexandre Curi, por sua vez, prevendo o tema na campanha, já havia antecipado sua tréplica durante a convenção do Republicanos, no início do mês, quando exultou que era “ficha limpa”, enquando Dallagnol foi cassado por “fraude à lei” justamente pela Lei da Ficha Limpa.
A resposta também elevou o conflito de identidade eleitoral para o terreno da biografia política. Dallagnol tenta apresentar sua trajetória no Ministério Público Federal e na Operação Lava Jato como marca de campanha, enquanto Curi procura consolidar a imagem de representante do Paraná capaz de articular recursos e interesses estaduais em Brasília.
O episódio, portanto, produz uma disputa sobre quem pode reivindicar determinada bandeira política. A questão não é apenas quem utilizou primeiro determinada combinação de palavras, mas quem consegue associar a mensagem ao próprio personagem eleitoral.
A coincidência ganha peso porque Dallagnol e Curi estão entre os nomes que disputam diretamente o eleitorado das duas vagas ao Senado. Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 17 de agosto, Dallagnol tinha 34%, enquanto Curi, Gleisi e Filipe estavam separados por apenas oito pontos entre o segundo e o quarto colocados.
Outro levantamento recente reforça a dimensão competitiva da corrida. O Real Time Big Data, que ouviu 1.600 pessoas entre 13 e 17 de agosto, apontou Dallagnol com 19%, Curi e Filipe Barros com 17% cada e Gleisi com 15%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A diferença metodológica entre as pesquisas impede uma comparação direta dos percentuais, mas ambas registram uma eleição com vários candidatos disputando espaço relevante.
É nesse ambiente que a guerra dos slogans ganha importância. Para Curi, a expressão “Menos Brasília, mais Paraná” funciona como uma assinatura política construída antes da apropriação da ideia pela campanha adversária. Para Dallagnol, a resposta procura deslocar o debate para uma mensagem mais ampla, na qual o slogan aparece acompanhado da promessa de combate à corrupção.
O conflito também evidencia uma sobreposição de territórios eleitorais. Curi tenta falar ao eleitor paranaense com uma mensagem de representação estadual e articulação política. Dallagnol procura combinar esse discurso com a identidade anticorrupção que marcou sua trajetória pública.
Não há, até o momento, notícia de uma representação formal de Curi contra Dallagnol na Justiça Eleitoral por causa do slogan. O que existe é uma disputa pública entre as campanhas, com acusação de cópia de um lado e rejeição da ideia de que a campanha dependa de slogans do outro.
A briga pode ter vida longa justamente porque a eleição para o Senado permite dois votos. Um candidato não precisa apenas ampliar sua própria preferência; precisa também disputar o segundo voto do eleitor. Isso transforma qualquer sobreposição de discurso, identidade visual ou bandeira em terreno potencial de conflito.
A guerra “Menos Brasília, mais Paraná” versus “Mais Paraná, menos Brasília” chega, portanto, em uma campanha na qual cada detalhe de comunicação pode ser usado para conquistar território eleitoral. O slogan de Curi ganhou um concorrente direto. E a resposta de Dallagnol indica que a disputa não deve terminar na troca de palavras.
Cobertura do Blog do Esmael sobre a disputa pelas duas cadeiras do Senado e os movimentos das campanhas paranaenses.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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