“Organização social de saúde” presidida por Ludhmila Hajjar vence chamamento do Ministério da Saúde para gerir “Hospital Inteligente”, tendo como sócios Carlotti Jr. e Guido Cerri; contrato de gestão envolve R$ 1,95 bilhão em quatro anos
Informativo Adusp Online (Associação dos Docentes da USP)
No último dia 24 de julho, o Diário Oficial da União publicou o resultado preliminar do Chamamento 14/2026 do Ministério da Saúde, “referente ao processo seletivo de pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, interessada em se qualificar como Organização Social, para celebrar contrato de gestão que tem por objeto a execução de atividades a serem desenvolvidas no âmbito da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão mediante apoio à gestão da rede de UTIs Inteligentes e do Instituto Tecnológico de Emergência (ITE)”.
O contrato de gestão terá dez anos de duração, prorrogáveis, e o Edital 14/2026 prevê um desembolso total, por parte do governo federal, de R$ 1,95 bilhão nos primeiros quatro anos — “para viabilização das metas, serviços, obrigações contratuais e manutenção da infraestrutura tecnológica da rede” — assim distribuídos: R$ 505,1 milhões no primeiro ano, R$ 923,4 milhões no segundo, R$ 455,1 milhões no terceiro e R$ 45 milhões no quarto ano.
“Essa importância global poderá ser revista, observando-se as disponibilidades financeiras de recursos alocados nos orçamentos dos anos subsequentes e operações de crédito internacionais vinculadas”, diz o documento.
A Comissão de Seleção apontou como “proponente classificado em primeiro lugar” a associação privada Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI), com 63,41 pontos, e em segundo lugar a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que obteve 57,34 pontos.
Outras duas concorrentes menores foram desclassificadas. Eventuais recursos administrativos contra a decisão tinham de ser apresentados até 4 de agosto, devendo a Comissão de Seleção se pronunciar a respeito deles até 9 de agosto.
O ITMI, cujo CNPJ foi cadastrado apenas em 4 de março de 2026, e tem como principal interesse econômico declarado “atividades de apoio à gestão da saúde”, é presidido pela cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, professora da Faculdade de Medicina (FM-USP), e tem como sócios, entre outros, o ex-reitor Carlos Gilberto Carlotti Jr., o ex-secretário estadual da Saúde Giovanni Guido Cerri e o ex-diretor da FM-USP, e vice-presidente da Fundação Faculdade de Medicina (FFM, privada), Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho.
O projeto de criação do ITE ou “Hospital Inteligente” foi apresentado ao Ministério da Saúde pela própria Ludhmila. Em janeiro último, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que é mantido pelo BRICS e presidido por Dilma Rousseff, ex-presidenta da República, concedeu ao governo brasileiro, com a finalidade de financiar o ITE, um empréstimo de R$ 1,76 bilhão (320 milhões de dólares).
Não deixa de ser estarrecedor, mesmo no admirável mundo novo do neoliberalismo, que o Ministério da Saúde tenha decidido confiar a gestão do novo equipamento a uma “organização social de saúde”; que Ludhmila tenha constituído uma “pré-OSS”, o ITMI, com o intuito de disputar a gestão do projeto; que o dito ITMI tenha sido declarado vencedor do chamamento público; e que outros três docentes da FM-USP com passagem por importantes cargos públicos, inclusive um ex-reitor, se disponham a fazer parte da empreitada privatizante.
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Uma das contrapartidas do governo estadual paulista, no âmbito do projeto, seria providenciar um terreno para a construção do “Hospital Inteligente”.
O plano original para isso (ao que parece, agora abandonado) previa a demolição de parte do Instituto Adolfo Lutz e que ele fosse desalojado de seu centenário prédio principal, tombado pelo Condephaat. Ludhmila achou razoável a proposta: “Eles vão ser removidos para algo definitivo e muito melhor. Hoje eles estão ali temporários. ‘Tá’ tudo solto. Tem laboratórios espalhados em 4 locais. Eles vão para lugar novo, adequado, ‘zero’, de acordo com as orientações deles” (destaques nossos).
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Publicação de: Viomundo
