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O fim da temporada das convençoes partidárias nesta quarta-feira (5) sacramentou a candidatura de Alexandre Curi ao Senado, pelo grupo governista, e acionou um movimento de consolidação que já provoca reações nos principais palanques e redesenha o mapa de forças para 2026 . A entrada definitiva do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na disputa não é apenas um lance protocolado, é o gatilho para um rearranjo que atinge Ratinho Junior, Sergio Moro, Álvaro Dias, Deltan Dallagnol, Filipe Barros e o próprio PSD.
Curi discursou para 300 prefeitos e parlamentares de diferentes siglas na convenção do Republicanos, na segunda-feira (3), afirmou que abriu mão da pré-candidatura ao governo para priorizar a união da base aliada e defendeu que o Paraná “volte a ter protagonismo” no Senado Federal . A crítica aos atuais senadores foi direta: “estão distantes, estão ausentes. Se perguntarmos a qualquer prefeito quando lembram da visita de um senador fora do período eleitoral, a grande maioria não vai responder” .
As agendas dos próximos dias
Curi afirmou que sua campanha será construída ao lado de Sandro Alex (PSD), pré-candidato ao governo, com foco em “mostrar o trabalho” e comparar trajetórias . Após a temporada das convenções, encerrada na noite de quarta, no evento do União Progessista (UP), a estratégia do presidente da Alep é percorrer o interior do estado com deputados candidatos e defender “a continuidade desse bom momento que estamos vivendo” .
A definição do segundo nome da coligação para a disputa ao Senado ficou a cargo do PSD, que anunciou na terça (4) a jornalista Cristina Graeml, a despeito dos protestos de Rafael Greca (MDB), vice na chapa de Sandro Alex, e do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que ainda não cicatrizaram as feridas provocadas pelo segundo turno de 2024 na capital.
O que causou surpresa em Curi foi o “jabuti” Alvaro Dias (MDB), que veio acoplado ao anúncio de Greca. O ex-prefeito de Curitiba era defendido por Curi como vice de Sandro Alex, porém ele esperava ser candidato único na chapa patrocinada por Ratinho Junior.
A avaliação interna do Republicanos era de que a composição costurada para ampliar a chapa governista poderia ter criado “sua maior crise política”. Curi, no entanto, não tomou atitude antes da convenção e optou por manter a aliança.
A resposta à pergunta do leitor exige separar o que é fato confirmado, o que é declaração atribuída e o que é hipótese política.
Álvaro Dias (MDB): foi o primeiro a perder espaço. Curi ocupa a vaga que originalmente seria destinada ao ex-senador na articulação que trouxe Greca para a chapa. A desistência de Álvaro Dias da disputa ao Senado foi anunciada antes da convenção, e Curi, ao discursar, elogiou sua trajetória e afirmou que pretende “resgatar a força que o Paraná já teve no passado” . Na prática, Curi herdou o espaço que seria do MDB.
Sergio Moro (PL): Curi não o citou diretamente, mas a ofensiva do deputado se baseia em críticas à “ausência” dos senadores atuais . A estratégia de Curi, ser o senador “municipalista”, presente nas cidades, que conhece o Paraná, é um contraponto direto ao perfil de Moro, que tem mandato no Senado mas concentra sua campanha na disputa pelo governo. Curi pode capturar o eleitorado do interior e dos prefeitos que se sentem abandonados por Brasília.
Deltan Dallagnol (Novo): Curi e Deltan disputam o mesmo eleitorado, o Paraná profundo, o voto municipalista e o eleitor que quer renovação com pragmatismo. Deltan, ainda em fase de comprovação de sua elegibilidade, pode ser o mais prejudicado pela capilaridade de Curi no interior, ampliada pela aliança com PSD e MDB e pela presença em centenas de cidades.
PSD: o partido de Ratinho ganha, mas perde controle. Curi, pelo Republicanos, ocupa a primeira vaga ao Senado e tem agora autonomia para construir sua própria campanha. O PSD, que indicou o segundo nome, perde a exclusividade sobre a base governista. A relação entre Curi e o PSD, já tensionada pela articulação com Greca e Álvaro Dias, seguirá sob vigilância, embora jurem que estão “unidos e em paz”.
Ratinho Junior: o governador mantém a unidade da base, mas a um custo. Curi, ao discursar na convenção, deixou claro que “abriu mão de uma pré-candidatura ao governo” em busca da unidade. O movimento de Ratinho foi costurar uma chapa competitiva para Sandro Alex, mas criou um senador com peso próprio, que não deve obediência ao PSD.
O xadrez sucessório paranaense tem agora mais uma peça em movimento, e as próximas semanas mostrarão se Curi joga junto ou começa a atuar por conta própria.
Veja o quadro eleitoral do Paraná após as convenções
| Coligação / Partido | Governador | Vice | Candidatos ao Senado |
|---|---|---|---|
| PSD, PP, União Brasil, PSDB, Republicanos, Avante, Cidadania e MDB | Sandro Alex (PSD) | Rafael Greca (MDB) | Alexandre Curi (Republicanos) Cristina Graeml (PSD) |
| PL, Novo, Podemos e DC | Sergio Moro (PL) | Edson Vasconcelos (PL) | Deltan Dallagnol (Novo) Filipe Barros (PL) |
| PDT, PT, PV, PSOL, PCdoB, Rede, PRD e Solidariedade | Requião Filho (PDT) | Michele Caputo (Solidariedade) | Dr. Rosinha (PT) Gleisi Hoffmann (PT) |
| Missão | Luiz França (Missão) | João Adolfo (Missão) | Karen Guerreiro (Missão) |
| PSTU | Samuel de Mattos (PSTU) | Helena Figueiredo (PSTU) | Não informado |
| Unidade Popular (UP) | Tayná Miessa (UP) | Willian Araki (UP) | Joaquim Maciel (UP) |
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
