Sandro Alex, pré-candidato do Partido Social Democrático (PSD) ao Governo do Paraná, marcou convenção para 25 de julho próximo sem fechar MDB, Progressistas (PP) e Podemos; a demora mantém a base de Ratinho Junior fragmentada e empurra aliados para a data-limite eleitoral.
Sandro Alex chega à reta das convenções com data marcada, palanque em montagem e base incompleta.
A convenção estadual do PSD está prevista para 25 de julho de 2026, em Curitiba, para oficializar a candidatura do deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura ao Palácio Iguaçu. O problema político é que a data não resolveu a equação principal: MDB, PP, União e Podemos ainda não aderiram ao projeto do governador Ratinho Junior (PSD).
O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixa de 20 de julho a 5 de agosto o período para partidos e federações escolherem candidaturas e deliberarem sobre coligações. Os registros devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
A pressa do PSD contrasta com a cautela dos aliados.
O Blog do Esmael apurou que PP e União Brasil, reunidos na Federação União Progressista, trabalham com 5 de agosto para a convenção partidária no Paraná. A data é a última permitida pela Justiça Eleitoral. Na prática, Ricardo Barros ganha tempo para negociar sem entregar o partido antes da hora.
A Federação União Progressista foi registrada pelo TSE em 26 de março passado e reúne União Brasil e Progressistas. Como federação, os dois partidos atuam como uma única agremiação no ciclo eleitoral, o que aumenta o peso de qualquer decisão tomada no Paraná.
A Federação Brasil da Esperança, formada por Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), também cogita 25 de julho. O bloco sustenta a candidatura presidencial de Lula e deve organizar o palanque de Gleisi Hoffmann ao Senado no Paraná. O TSE registra oficialmente a federação com PT, PCdoB e PV.
O Partido Democrático Trabalhista (PDT), que apresenta Requião Filho como pré-candidato ao Governo do Paraná, tende a levar sua convenção para 5 de agosto. A escolha da data fatal preserva margem de negociação e impede que a campanha comece engessada antes da fotografia final das alianças. No entanto, Requião Filho já parte com o apoio da Federação Brasil da Esperança.
O dado político é simples: Sandro Alex marcou a largada, mas parte da base de Ratinho Junior preferiu ficar no acostamento.
O PSD marcou a convenção de Sandro Alex para 25 de julho e apenas o Republicanos embarcou de fato no projeto até aqui, enquanto MDB, Podemos e PP seguem sem definição. Enquanto isso, Ratinho Junior continua em férias na Disney, nos EUA.
O PSD sustenta que Sandro Alex defenderá o legado do governo Ratinho Junior e lembra que o ex-secretário comandou obras de infraestrutura desde 2019. O partido confirmou, em 30 de abril, que ele deve encabeçar a chapa de situação após a convenção.
A questão é que obra entregue não substitui aliança fechada.
No Paraná, o governador tenta transferir prestígio administrativo para um candidato que ainda precisa transformar capilaridade de prefeitos em intenção de voto, tempo de televisão, palanque regional e composição partidária. A convenção do PSD, sozinha, não responde se MDB, PP e Podemos aceitarão ser linha auxiliar de Sandro Alex ou se buscarão caminhos próprios.
A fragmentação estadual conversa com a fragmentação nacional da direita.
O Novo marcou para 27 de julho, em Brasília, a convenção que deve oficializar Romeu Zema como candidato à Presidência da República. A decisão confirma que a direita chega às convenções com mais de uma candidatura presidencial competitiva no campo conservador, e não apenas com uma agenda partidária isolada.
O PSD também decidiu jogar nacionalmente com candidatura própria. Em 1º de julho, o partido anunciou Gilberto Kassab como pré-candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado. Na fala registrada pelo PSD, Caiado afirmou que “a chapa está posta”.
Esse movimento cria uma pergunta incômoda para Sandro Alex: o candidato de Ratinho Junior subirá no palanque nacional de Caiado e Kassab ou tentará preservar pontes com outros setores da direita paranaense?
A mesma contradição atinge o Novo no Paraná. Com Zema candidato ao Planalto, o partido terá de explicar se defenderá candidatura própria nacional enquanto mantém, no estado, aproximação política com o campo de Flávio Bolsonaro (PL). A dupla lealdade pode render palanque, mas também cobra coerência pública.
A convenção de Sandro Alex, portanto, não é apenas ato formal. É teste de autoridade de Ratinho Junior sobre a própria base.
Se MDB, PP e Podemos ficarem para 5 de agosto, o PSD abrirá a janela eleitoral com o candidato oficializado e com aliados calculando o custo de embarcar. Se a União Progressista demorar até o último dia, Ricardo Barros poderá negociar com mais força a vice, o Senado, a Câmara Federal e a relação com o próximo governo.
No arranjo paranaense, a data virou recado.
Sandro Alex quer mostrar que é o candidato do governo. Os aliados ainda querem saber se o governo consegue transformá-lo no candidato da base.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
