Moro perde para Ratinho Junior no TRE-PR e acirra guerra da pré-campanha

Sergio Moro sofreu uma derrota jurídica para Ratinho Junior no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que rejeitou pedido do Partido Liberal (PL) para multar o governador por suposta propaganda eleitoral antecipada em favor de Sandro Alex, pré-candidato do Partido Social Democrático (PSD) ao governo estadual.

A decisão não resolve a eleição de 2026, mas revela o estágio real da disputa no Paraná: antes da campanha oficial, a briga já é pela imagem de Ratinho Junior, pelo direito de usar o legado do governo e pela tentativa de impedir que o adversário ocupe a vitrine da pré-campanha.

O PL de Moro queria multa de R$ 25 mil contra Ratinho Junior. A ação questionou declarações do governador em evento oficial no Palácio Iguaçu, em Curitiba, quando ele falou sobre Sandro Alex como nome escolhido por seu grupo para dar continuidade à gestão estadual.

A Justiça Eleitoral não aceitou o enquadramento como propaganda antecipada. Segundo a decisão noticiada pela imprensa local, a fala ficou no campo da exaltação de qualidades pessoais, da referência à trajetória administrativa de Sandro Alex e da opinião política sobre a continuidade do governo, sem pedido explícito de voto.

Esse ponto muda a temperatura da pré-campanha. Moro tentou transformar a fala de Ratinho Junior em ilícito eleitoral. Ratinho Junior saiu da rodada com liberdade para continuar defendendo seu projeto de sucessão, desde que não avance para pedido direto de voto antes de 16 de agosto.

A cartilha “Pode X Não Pode”, atualizada pelo TRE-PR nesta quarta-feira (24), reforça a fronteira dessa disputa. Pré-candidato pode mencionar a pretensa candidatura, participar de entrevistas, divulgar posicionamento político, pedir apoio político e exaltar qualidades pessoais. O que segue proibido é pedir voto, usar fórmula equivalente a pedido de voto ou converter ato público em propaganda eleitoral fora do prazo legal.

A derrota de Moro, portanto, não é apenas processual. Ela mostra que a campanha paranaense entrou na fase da apropriação de imagem. Quem consegue aparecer perto de Ratinho Junior tenta vender continuidade. Quem disputa o mesmo eleitorado tenta separar o governador de Sandro Alex ou impedir que essa transferência política ocorra antes da campanha.

Sandro Alex é o maior interessado no resultado. Deputado federal e ex-secretário estadual, ele precisa provar que o apoio de Ratinho Junior não é apenas declaração de cúpula, mas capacidade de herdar voto, estrutura, prefeitos, deputados e tempo político no interior do Paraná.

Moro joga em terreno oposto. O senador precisa atacar a costura governista sem romper com todo o eleitor conservador que aprova Ratinho Junior. Por isso, a ofensiva judicial contra a fala do governador revela uma dificuldade política: bater em Sandro Alex é uma coisa; enfrentar o dono do espólio estadual é outra.

Alexandre Curi também entra no cálculo. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e filiado ao Republicanos, ele saiu do PSD em 2026 e passou a disputar espaço próprio no campo governista. O movimento ampliou a pressão sobre Ratinho Junior, porque a sucessão deixou de ser uma fila organizada e virou disputa por protagonismo dentro e fora da base.

A decisão do TRE-PR favorece, por ora, o governador. Ratinho Junior ganha margem para falar de seu sucessor, defender continuidade e marcar território político. Moro perde a primeira tentativa de limitar essa exposição pela via judicial.

Mas o caso também impõe risco ao Palácio Iguaçu. Quanto mais Ratinho Junior for usado como ativo eleitoral, maior será a fiscalização sobre agenda oficial, evento público, vídeo institucional, postagem, corte de entrevista e presença de pré-candidato em ato de governo.

A consequência para o eleitor paranaense é concreta. A campanha começou antes da campanha, não no horário eleitoral, mas no vídeo curto, no evento de entrega, na coletiva, na foto compartilhada, na legenda calculada e na ação protocolada na Justiça.

O calendário aumenta o peso dessa guerra. As convenções partidárias serão realizadas de 20 de julho a 5 de agosto. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026. Até lá, cada fala de Ratinho Junior será lida como movimento de sucessão.

Moro perdeu no TRE-PR porque a Justiça Eleitoral não viu, no episódio, pedido explícito de voto. Ratinho Junior ganhou fôlego porque preservou o direito de defender seu projeto político. Sandro Alex ganhou oxigênio porque segue colado ao governador. Curi ganhou motivo para intensificar sua caminhada rumo ao Senado.

A disputa, no entanto, está longe de acabar. A decisão apenas confirma que a eleição do Paraná já entrou na fase em que imagem vale tanto quanto palanque, e em que cada candidato tenta decidir quem pode carregar Ratinho Junior na fotografia de 2026.

O Blog do Esmael seguirá acompanhando a pré-campanha no Paraná, a judicialização da disputa pelo governo estadual e os movimentos de Moro, Ratinho Junior, Sandro Alex, Alexandre Curi e demais atores da eleição de 2026.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

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