Pesquisa Indexa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08944/2026 mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% no voto total e 48,8% dos votos válidos calculados a partir dos percentuais divulgados; Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31%, e a consequência política é direta: Lula não fecha matematicamente o primeiro turno, mas fica a 1,2 ponto percentual da linha de 50% dos válidos.
O dado principal da rodada não é apenas a vantagem de 11 pontos de Lula sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A conta eleitoral muda quando entram todos os candidatos listados pela pesquisa. Lula tem 42%. Flávio Bolsonaro marca 31%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, Romeu Zema (Novo) com 3%, Renan Santos (Missão) com 3%, Joaquim Barbosa (DC) com 1% e Augusto Cury (Avante) com 1%. Samara Martins (UP) e Cabo Daciolo (Mobiliza) registram 0%.
Com esses números, os votos em candidatos somam 86%. Lula tem 42 desses 86 pontos, o que equivale a 48,8% dos votos válidos divulgados. A soma dos adversários chega a 44 pontos no voto total, ou 51,2% dos válidos. Pela regra do primeiro turno, não basta empatar ou chegar a 50% arredondados; é preciso obter mais da metade dos votos válidos. A pesquisa, portanto, coloca Lula perto da linha de corte, mas não permite afirmar vitória na primeira rodada.
A segunda rodada nacional da Indexa Pesquisas foi realizada entre 18 e 20 de junho de 2026, com 2.000 entrevistas por telefone, método CATI, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento informa universo de 156.781.716 eleitores brasileiros com 16 anos ou mais, conforme dados do TSE de abril de 2026. A própria ficha técnica registra que a ponderação era prevista como recurso técnico, quando necessária, mas não foi aplicada nesta rodada.
No primeiro turno estimulado, Lula subiu de 39% em maio para 42% em junho. Flávio Bolsonaro passou de 30% para 31%. Caiado recuou de 7% para 5%, Zema caiu de 5% para 3%, e Renan Santos subiu de 2% para 3%. Brancos e nulos permanecem em 8%, e indecisos caíram de 10% para 6%. O movimento favorece Lula, mas a presença de candidatos menores impede a leitura apressada de primeiro turno fechado.
O ponto delicado está no arredondamento. A conta de 48,8% dos válidos usa os percentuais publicados no relatório. O resultado oficial de uma eleição usa votos nominais, não percentuais arredondados de pesquisa. Por isso, é seguro dizer que Lula aparece próximo da maioria dos votos válidos, 1,2 ponto abaixo da linha de 50%, sem tratar a eleição como resolvida.
A cristalização do eleitorado aumenta o peso dessa diferença. A Indexa aponta que 67% dos entrevistados dizem que o voto está definido, ante 65% em maio. Outros 25% afirmam que podem mudar, e 8% não sabem ou não opinaram. Entre os eleitores de Lula, 81% dizem estar decididos. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 74% afirmam o mesmo. A disputa por pouco mais de um ponto nos válidos terá de ocorrer num eleitorado menos disponível.
A polarização também aparece no potencial eleitoral. Lula tem 35% de voto certo, 14% de possíveis e 49% de rejeição firme. Flávio Bolsonaro tem 31% de voto certo, 15% de possíveis e também 49% de rejeição firme. Os dois principais candidatos crescem sobre bases consolidadas, mas carregam teto negativo alto. A diferença é que Lula aparece mais perto da maioria válida, enquanto Flávio Bolsonaro precisa impedir que o presidente ultrapasse a soma dos demais candidatos.
A terceira via soma pouco voto, mas ainda decide o primeiro turno. Caiado, Zema, Renan Santos, Joaquim Barbosa e Augusto Cury reúnem 13% no voto total. Esse bloco está longe de ameaçar Lula ou Flávio Bolsonaro, mas funciona como trava matemática contra a vitória imediata do presidente. Se parte desse eleitorado migrar para Lula, a tese de primeiro turno ganha força. Se permanecer espalhado ou crescer, o segundo turno continua provável.
Caiado é o caso mais sensível entre os alternativos. O percentual de eleitores que dizem não conhecê-lo o suficiente caiu de 52% em maio para 31% em junho, sinal de maior exposição nacional. O ganho de conhecimento, porém, veio acompanhado de 35% de rejeição firme e apenas 3% de voto certo. Zema tem 39% de rejeição firme, 27% de desconhecimento e 2% de voto certo. Renan Santos registra 38% de rejeição firme, 32% de desconhecimento e 4% de voto certo.
No segundo turno, Lula vence todos os cenários testados pela Indexa. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente marca 47%, ante 40% do senador, com 9% de nulos e brancos e 4% de indecisos. Na rodada de maio, Lula tinha 46% e Flávio Bolsonaro, 41%. A vantagem cresceu numericamente, mas segue dentro de uma disputa nacional marcada por rejeição alta e voto fiel.
Contra Renan Santos, Lula venceria por 48% a 28%, com 18% de nulos e brancos e 7% de indecisos. Contra Zema, o placar seria de 47% a 36%, com 16% de nulos e brancos e 2% de indecisos. Contra Caiado, Lula aparece com 47%, ante 39% do governador goiano, com 12% de nulos e brancos e 2% de indecisos. A direita fora do PL aparece menos competitiva no confronto direto, mas ainda tem votos suficientes para alterar a conta do primeiro turno.
A continuidade de Lula segue como contradição para o governo. A pesquisa mostra que 36% acham que o presidente merece mais quatro anos de mandato, enquanto 51% dizem que não merece. O grupo que não sabe ou não opinou chegou a 14%. Lula lidera a corrida e se aproxima da maioria válida, mas ainda não converteu sua dianteira eleitoral em aprovação majoritária de renovação do mandato.
Na comparação direta de atributos, Lula leva vantagem em economia. Para 35% dos entrevistados, ele tem mais competência para administrar a economia do Brasil, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Outros 22% não escolhem nenhum dos dois, e 13% não sabem ou não opinam. Em segurança, a disputa fica praticamente empatada: 34% apontam Lula, 33% citam Flávio Bolsonaro, 26% não escolhem nenhum dos dois, e 7% não sabem. Em corrupção, há empate em 31% para cada um, com 28% escolhendo nenhum dos dois e 11% sem opinião.
O Pix aparece como tema de consenso nacional e munição de soberania. Segundo a Indexa, 93% consideram o sistema uma conquista importante, 3% discordam e 4% não sabem. Apenas 12% acreditam que os Estados Unidos podem participar ou influenciar nos assuntos do Pix, enquanto 73% rejeitam essa possibilidade e 15% não sabem. Quando a hipótese é apresentada como interferência americana, 60% dizem que seria indevida, 16% afirmam que não seria indevida, 20% ficam no meio e 4% não sabem.
O tarifaço de Donald Trump entrou no radar do eleitor. A pesquisa mostra que 82% dizem saber das novas ameaças de tarifas contra o Brasil, 8% dizem não saber, e 10% não opinam. Quando a Indexa pergunta a quem se atribui mais responsabilidade pela tentativa de interferência de Trump na política e na economia brasileira, 20% citam Lula, 20% citam o próprio Trump, 15% apontam Flávio Bolsonaro, 10% falam em outro responsável e 35% não sabem. O dado mostra conhecimento alto do tema, mas disputa aberta sobre quem paga a conta política.
Essa indefinição interessa diretamente à campanha. Lula tende a explorar soberania, Pix e tarifaço como defesa nacional contra interferência estrangeira. Flávio Bolsonaro tenta impedir que o tema cole na sua candidatura e no bolsonarismo. A Indexa indica que parte expressiva do eleitorado ainda não fixou a autoria política do conflito, o que transforma tarifa e Pix em campo de disputa narrativa até 2026.
No combate ao crime organizado, 50% dizem que a responsabilidade principal cabe ao Brasil, 28% defendem prioridade para cooperação internacional, 8% atribuem papel maior a outros países e 14% não sabem. Entre as medidas vistas como mais eficazes, 23% citam cooperação internacional, 21% defendem maior atuação das forças policiais, 20% apontam redução da maioridade penal, 18% falam em presídios mais rígidos, 15% escolhem outra medida e 3% não sabem. Segurança pública aparece como tema de conflito real, não como propriedade exclusiva de um campo político.
Pesquisa eleitoral não prevê resultado. Ela mede um momento, dentro de metodologia, margem de erro, data de campo e percentuais arredondados. A Indexa mostra Lula na liderança, Flávio Bolsonaro consolidado em segundo e um primeiro turno em disputa nos votos válidos. O fato principal é que Lula não está a 8 pontos de fechar a eleição, como sugeriria a leitura do voto total; ele está a 1,2 ponto da linha de 50% dos votos válidos divulgados.
A eleição de 2026 entra, portanto, numa fase de disputa milimétrica. Lula lidera, vence todos os cenários de segundo turno e se aproxima da maioria válida. Flávio Bolsonaro mantém base forte, mas precisa preservar a soma da direita e dos candidatos alternativos para levar a disputa à segunda rodada. A terceira via não ameaça vencer, mas pode decidir se haverá segundo turno. A pesquisa Indexa mostra uma polarização cristalizada, mas também revela que a linha de corte do primeiro turno virou o centro da batalha.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
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