Durante o pré-jogo de Brasil x Haiti, nesta sexta-feira (19), a cobrança contra André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou força nas redes após a operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner (PT-BA). A militância de esquerda quer saber por que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado em áudios e mensagens sobre o financiamento milionário do filme Dark Horse, ainda não foi alvo de medidas semelhantes.
O pré-jogo de Brasil x Haiti, pela Copa do Mundo, dividiu a atenção das redes nesta sexta-feira (19) com uma treta política de alto potencial eleitoral: a pressão contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito do Banco Master.
A cobrança explodiu depois que a Polícia Federal (PF) deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero, com 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. O alvo político mais sensível foi o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.
A investigação apura suspeitas de vantagens indevidas ligadas ao ecossistema financeiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Wagner nega irregularidades, afirma que não é réu, não foi denunciado e sustenta que valores encontrados em endereços ligados a ele têm origem legal.
O ponto político é outro. A partir da operação contra Wagner, apoiadores de Lula e do PT passaram a cobrar de Mendonça a mesma régua no chamado Caso BolsoMaster, que envolve Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Reportagem do The Intercept Brasil revelou áudios, mensagens e documentos que indicam negociação direta de Flávio Bolsonaro com Vorcaro para viabilizar um financiamento previsto em cerca de R$ 134 milhões. A mesma apuração apontou que ao menos R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 para o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro nega ilegalidade e tem tratado o episódio como busca por investimento privado para um filme privado. O problema político é que, antes da revelação dos áudios, o senador vinha tentando empurrar o escândalo do Master para o colo do governo Lula.
A cobrança nas redes, portanto, não é abstrata. Ela nasce da comparação entre dois movimentos concretos: contra Wagner houve busca e apreensão; contra Flávio Bolsonaro, até a noite desta sexta-feira (19), não havia registro público de uma operação da Polícia Federal de mesma intensidade sobre os áudios, as mensagens, o cronograma de pagamentos e a relação direta com Vorcaro.
Uma das postagens que circulam no Instagram resume o incômodo da militância governista: “Existem áudios divulgados, cobranças milionárias noticiadas e uma série de questionamentos que seguem sem resposta. Então a pergunta é simples: por que André Mendonça não autoriza medidas que poderiam esclarecer os fatos, como quebra de sigilo e outras diligências?”
A publicação prossegue no ponto que virou palavra de ordem digital: “Quem não deve, não teme investigação. Se a Justiça deve ser rigorosa com uns, deve ser rigorosa com todos. O cidadão não quer perseguição. Quer transparência. Quer respostas.”
A pressão atinge Mendonça porque o ministro comanda o inquérito do Master no STF. Foi sob sua relatoria que avançaram medidas contra personagens ligados ao banco, inclusive a fase que alcançou Wagner. Por isso, a pergunta que agora atravessa as redes é direta: o mesmo critério investigativo será aplicado a Flávio Bolsonaro?
O caso tem impacto eleitoral imediato. Flávio Bolsonaro é pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo campo bolsonarista e tenta se apresentar como alternativa a Lula em 2026. O áudio revelado pelo Intercept atravessou essa estratégia porque aproximou o senador de Vorcaro, justamente o personagem que a direita tentava usar como munição contra o governo.
A esquerda viu na operação contra Wagner um teste de coerência para o Supremo, para a Polícia Federal e para a Procuradoria-Geral da República. Se há diligência contra um líder do governo com base em suspeitas ligadas ao Banco Master, argumentam os petistas, também deve haver apuração robusta sobre o elo entre Flávio Bolsonaro, Vorcaro e o dinheiro destinado ao filme.
Não se trata, do ponto de vista institucional, de inverter perseguição. Trata-se de exigir simetria. A Justiça não pode ter um apito para o PT e outro para o PL. A PF não pode ser celebrada quando mira adversário e relativizada quando toca no próprio campo político.
No gramado, Brasil x Haiti vale tabela, moral e audiência. Fora dele, o Caso BolsoMaster virou disputa de narrativa, pressão institucional e termômetro da eleição de 2026.
O pós-jogo deve continuar carregado. Além da repercussão da partida, o Blog do Esmael acompanhará a pressão sobre André Mendonça, os próximos passos do inquérito do Master e a pesquisa Datafolha que será divulgada neste sábado (20), com intenções de voto para presidente e avaliação do governo Lula.
A treta não termina no apito final. Ela apenas muda de tela.
Acompanhe a cobertura do Caso BolsoMaster, da Copa e da eleição de 2026 pelo Blog do Esmael.


Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
