O governador Ratinho Junior (PSD) entra na sucessão de 2026 com um medo que já circula no Palácio Iguaçu e na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep): uma eventual vitória de Sergio Moro (PL) poderia abrir uma devassa política e administrativa sobre contratos, obras, pedágios, educação, concessões e privatizações do governo estadual.
O ponto sensível não é uma acusação criminal. É o receio político de troca de comando em um estado governado desde 2019 pelo mesmo grupo, agora obrigado a defender a continuidade com Sandro Alex (PSD), ex-secretário de Infraestrutura e Logística e nome escolhido por Ratinho para tentar segurar o Palácio Iguaçu.
Nos corredores do poder, Moro deixou de ser apenas adversário eleitoral. Para parte do entorno governista, ele passou a representar o risco de revisão de atos, abertura de gavetas e disputa pública sobre áreas que sustentaram a vitrine administrativa de Ratinho.
A tensão não nasceu do nada. A escolha de Sandro Alex repercutiu na Alep em abril, com deputados avaliando a decisão do PSD de lançar o ex-secretário como pré-candidato ao governo do Paraná. O Blog do Esmael registrou a movimentação no plenário e a surpresa de parte do ambiente político com a opção de Ratinho.
Sandro Alex tentou apresentar a candidatura como projeto de unidade pelo Paraná. Em entrevista à imprensa, disse que era pré-candidato havia apenas 48 horas e que a prioridade seria trabalhar a campanha eleitoral. A fala buscou reduzir ruído, mas não apagou a disputa interna aberta pela sucessão.
O problema para o Iguaçu está nos números. Levantamento da Paraná Pesquisas divulgado pelo Blog do Esmael mostrou Moro com 42,6%, Requião Filho (PDT) com 19,7% e Sandro Alex com 8,6% no cenário mais amplo. A mesma sondagem registrou aprovação de 79,6% para Ratinho, mas mostrou que esse capital ainda não passou automaticamente para o candidato governista.
A pesquisa também revelou uma contradição dura para o Palácio Iguaçu: quando o eleitor foi perguntado sobre quem merece o apoio de Ratinho, Moro apareceu com 38,5%, contra 11% de Sandro Alex. O governador tem força pessoal, mas o eleitorado de direita ainda olha para o ex-juiz da Lava Jato como alternativa competitiva.
Esse descompasso explica o incômodo palaciano. Sandro Alex carrega a máquina, o histórico de obras e o apoio formal do governador. Moro carrega recall nacional, base conservadora, discurso anticorrupção e presença diária no debate político de 2026.
O choque entre esses dois ativos é o centro da pauta. A infraestrutura que Ratinho tenta vender como vitrine eleitoral também pode virar alvo de cobrança em uma campanha marcada por pedágios, concessões, privatizações, contratos e promessas de entrega. O Blog já mostrou que o pedágio tem potencial para chegar à urna contra Sandro Alex, justamente por ligar obra, tarifa e memória do motorista paranaense.
A entrada de Gustavo Guedes no jurídico de Sandro Alex aumentou a leitura de que a sucessão paranaense será judicializada. O Blog registrou que o advogado, antes ligado a casos eleitorais de Moro, passou a atuar na estrutura do pré-candidato do PSD.
O movimento revela mudança de fase. A campanha governista deixou o ensaio de unidade e passou a montar defesa jurídica, comunicação de crise e linha de confronto contra o adversário que lidera as pesquisas.
Na Alep, o medo tem outra tradução. Deputados da base avaliam o impacto de uma candidatura governista fraca sobre suas próprias campanhas proporcionais. O Blog já mostrou que a definição de Sandro Alex abriu preocupação dentro do PSD, maior bancada da Casa, com risco de perda de votos e redução de força na próxima legislatura.
A leitura política é direta: se Moro vencer, não herdará apenas o Palácio Iguaçu. Herdará a chave do “armário com esqueletos” de oito anos de governo Ratinho, com poder para revisar prioridades, expor contratos, cobrar explicações e redesenhar a relação entre Executivo, Alep e grupos econômicos que orbitam o Estado.
Não há, porém, elemento público que autorize transformar esse medo em sentença contra secretários, ex-secretários ou operadores do governo. A disputa real, por enquanto, está no campo político: quem controla a narrativa da sucessão, quem explica o legado e quem impõe ao eleitor a pergunta sobre o que deve ser preservado ou revirado no Paraná.
Ratinho precisa fazer Sandro Alex crescer sem abrir fissura na própria base. Sandro Alex precisa defender a gestão sem virar refém dos pontos vulneráveis do governo. Moro precisa manter a dianteira sem parecer apenas candidato de revanche.
O fantasma que ronda o Iguaçu não é uma cela, é a possibilidade de uma devassa eleitoral transformar obras, contratos, privatizações e pedágios no centro da campanha de 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.
Publicação de: Blog do Esmael
