Schabib Hany, aos jovens: Desculpem-nos por não termos conseguido vencer nossos verdugos

<a href="http://” data-wplink-url-error=”true”>Por Ahmad Schabib Hany*, no blog O caminho se faz ao caminhar

Cinquenta anos atrás, quando, no auge de nossa juventude, críamos inocentemente vencer os verdugos da humanidade, jamais nos ocorreu que eles não só seriam aclamados heróis como cinicamente empurrariam o Planeta à beira de sua destruição total.

A sensação de impotência, fracasso e entrega das futuras gerações à própria sorte, nesta quadra da história em que um pedófilo mentiroso fascista sob o comando de um genocida contumaz sionista tomou de assalto os destinos da humanidade, nos levam a um inadiável pedido de desculpas por não termos conseguido vencer os nossos verdugos — não que não tenhamos, com todas as nossas forças, argumentos e determinação, tentado até o último round.

Este pedido sincero de desculpas à juventude, fazemos questão de esclarecer, não é capitulação, acovardamento, claudicação, sucumbência ou rendição. Jamais.

Trata-se de necessário ato de autocrítica honesta para a ineludível retomada de fôlego para continuarmos a sagrada pugna por uma sociedade menos injusta e um mundo melhor, em que a imensa maioria das populações de seres viventes deixem de ser reféns de um crime em série desde que o império romano (seguido por seus herdeiros milênios a fio) atribuiu para si o ‘santo’ direito supremo de impingir aos demais povos seus desvarios e sua cobiça.

Compreendemos que, ante a desfaçatez e perversidade de Donald Trump e seus cúmplices por ação ou omissão, chegamos ao limite da razoabilidade conquistada no pós-guerra de 1945, que não foi o melhor, mas foi o possível depois do genocídio representado pelo nazifascismo, salazarismo, franquismo, sionismo e congêneres.

Entre os cúmplices,  estão desde os servis títeres da União Europeia, dos países-membro da OTAN, do Reino Unido (patrocinador ou copatrocinador das mais sórdidas tragédias, como a divisão da Irlanda, África do Sul, Palestina e de todos os estados artificiais criados no acordo de Sykes-Picot, de triste memória) aos governantes fantoches como Javier Milei, Rodrigo Paz, Santiago Peña, Daniel Noboa, José Antonio Kast, José María Balcázar, José Raúl Mullino e todos os petromonarcas árabes.

Não há cinismo maior que a indiferença dos ‘civilizados’ do ocidente ante o genocídio contra a população indefesa e inofensiva de Gaza, Cisjordânia, Síria, Líbano, Iêmen, Sudão, Congo, Ruanda, Burkina Faso, Etiópia, Somália, Eritreia, Guiné, Nigéria e Miammar.

Estados Unidos e seus cúmplices estão diretamente envolvidos nessas atrocidades difundidas em tempo real nas redes sociais.

Neste contexto não há como esquecer da cínica dinastia de falsos patriotas, como o presidiário covarde e seus filhos. Todos lacaios dos genocidas e saqueadores Trump e seu líder Netanyahu.

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O primogênito vem acenando como candidato à Presidência e a mídia corporativa lhe dá tratamento de ‘estadista’.

É um ato de traição à pátria sua manifestação, ao lado do irmão foragido da justiça brasileira, em que arriou sua dignidade e de quatro pediu que Trump o fizesse feliz, entregando à cobiça e pilhagem as riquezas que não lhe pertencem, mas ao povo brasileiro.

Senador medíocre sequer apresentou algum projeto que visasse algo de interesse popular, mesmo assim é proclamado por obtusos seres como o novo ‘messias’ (da própria família, pois só pensam neles, por eles e sobre eles mesmos).

Como deputado estadual, ficou célebre por ter abrigado no gabinete cônjuges e parentes de milicianos, inclusive aquele que executou a vereadora Marielle Franco em 2018. Isso sem falar da corrupção com as vergonhosas ‘rachadinhas’ em que amealhou dinheiro de seus empregados para aquisição de imóveis caríssimos.

Voltando às atrocidades praticadas por Trump e Netanyahu.

Eduardo Galeano sabiamente observou: a guerra sempre é proclamada em nome dos mais ‘elevados’ princípios da humanidade — pela democracia, pela paz, pelos direitos humanos, pela civilização, pelo progresso, por razões humanitárias etc –, mas a verdadeira motivação, desde os funestos tempos das ‘grandes navegações’, o que instiga as elites ocidentais é o saque, a ganância, a cobiça, a pilhagem (como explicou, aliás, em sua obra pioneira, “As veias abertas da América Latina”, de 1971).

Depois da capitulação suspeita de Mikhail Gorbatchev e sua trupe em 1991, com o melancólico fim da União Soviética, os Estados Unidos e seus cúmplices da OTAN tiraram a máscara e revelaram sua verdadeira face: sem qualquer disfarce, invadem estados soberanos, destroem países desenvolvidos, promovem o desmonte retrógrado e a limpeza étnica de sociedades humanas milenares, sempre recorrendo ao mais cínico e criminoso discurso de arautos da justiça e da liberdade, tal qual seus ancestrais piratas e corsários.

Este modesto mas sincero texto é a propósito da celebração da Páscoa e do transcurso de 62 anos do golpe cívico-militar de 1964 (minuciosamente gestado desde 1960 por assessores do Departamento de Estado e da CIA da potência que atribuiu para si um direito que ninguém, absolutamente ninguém, lhe conferiu, com a conivência de falsos cristãos, falsos democratas, falsos humanistas, falsos ambientalistas, falsos pensadores, falsos jurisconsultos).

Para concluir, cito expressamente parte do poema “De mãos dadas”, de Carlos Drummond de Andrade, do livro “Sentimentos”, publicado na década de 1940, em pleno auge da Segunda Guerra Mundial: “Estou preso à vida e olho meus companheiros. / Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. / Entre eles, considero a enorme realidade. / O presente é tão grande, não nos afastemos. / Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”

*Ahmad Schabib Hany é graduado em História, já lecionou a disciplina em Corumbá, Mato Grosso do Sul. Ativista de movimentos por democracia, direitos humanos, cidadania, saúde pública, povos indígenas, preservação do meio ambiente. Atualmente, está empenhado na criação da Universidade Federal do Pantanal, em torno da qual se reúne o Movimento UFPantanal.

Publicação de: Viomundo

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