Trump defende Meta e entrega vitórias a Zuckerberg

De ameaçado de prisão a aliado estratégico do presidente americano

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, já foi chamado de “conspirador” e ameaçado de prisão por Donald Trump. Um ano depois, o jogo virou: Trump não só perdoou como passou a defender ativamente os interesses da empresa. Em encontros frequentes na Casa Branca, o presidente dos EUA se tornou aliado central do bilionário na guerra contra regulações no país e no exterior.

Em 2024, Trump chegou a escrever que Zuckerberg deveria “passar o resto da vida na prisão”. A acusação era de que doações do casal Zuckerberg à infraestrutura eleitoral teriam “virado” a eleição de 2020. Pesquisas acadêmicas mostraram o contrário: o impacto do Facebook e Instagram foi mínimo no pleito.

O cenário mudou após a vitória de Trump. A Meta investiu pesado para estreitar laços com a Casa Branca: encerrou programas de checagem de fatos nos EUA, afrouxou moderação de conteúdo e liberou discursos antes barrados por ódio ou desinformação. Além disso, pagou US$ 25 milhões para encerrar um processo de Trump e doou US$ 1 milhão para sua posse.

  • Janeiro: Trump assinou ordem executiva contra a “censura federal”, limitando pressões sobre redes sociais.
  • Fevereiro: Memorando do presidente retaliou países que taxavam serviços digitais. Índia, Nova Zelândia e Canadá recuaram.
  • Maio: O secretário de Estado Marco Rubio prometeu negar vistos a autoridades estrangeiras que restringirem “liberdade de expressão” online.
  • Julho: O governo abriu investigação contra o Brasil e aplicou tarifas de 50%, citando impacto em big techs.
  • Agosto: Trump considerou sanções a autoridades da União Europeia por causa da Lei de Serviços Digitais, que a Meta acusa de censura.

A ofensiva de Trump contra regulações digitais chegou ao Brasil. O governo dos EUA incluiu o país em uma investigação comercial após o Congresso Nacional avançar em propostas que cobram impostos sobre serviços digitais e reforçam obrigações de transparência das plataformas. Para o Palácio do Planalto, em meio à preparação das eleições presidenciais de 2026, o fortalecimento da regulação das big techs é questão de soberania: o objetivo é evitar manipulações externas como as verificadas em 2018, quando disparos em massa via WhatsApp influenciaram o pleito.

O Ministério da Justiça e a Secretaria de Comunicação Social defendem que empresas como a Meta cumpram regras claras de combate à desinformação eleitoral. Porém, o lobby de Zuckerberg encontrou em Trump um escudo poderoso. A pressão dos EUA, via tarifas e ameaças de retaliação, é vista em Brasília como tentativa direta de enfraquecer a regulação brasileira.

Além do viés eleitoral, o governo federal passou a tratar a regulação das redes sociais como questão econômica. Em agosto, o Ministério da Fazenda enquadrou as big techs no campo da concorrência desleal, alegando que empresas como Google e Meta concentram poder de mercado, manipulam algoritmos e impõem barreiras ao acesso democrático à informação.

O Blog do Esmael já havia proposto, em 2023, um debate sobre regulação com viés consumerista e a criação de um Marco Civil dos Algoritmos, voltado a coibir práticas abusivas e ampliar a transparência. Agora, a Fazenda reforça esse caminho, ampliando a agenda para combater monopólios digitais e proteger tanto consumidores quanto concorrentes.

Apesar dos avanços, a Meta não conseguiu suspender o processo antitruste da FTC nos EUA e continua sob pressão em assembleias estaduais. Na Europa, enfrenta a Lei de Mercados Digitais, que exige alternativas ao modelo de anúncios personalizados. Zuckerberg pressiona Trump para que o governo intervenha também nesse front.

No Brasil, a disputa é ainda mais sensível. Para o Planalto, permitir que plataformas atuem sem regulação robusta significa abrir as portas à desinformação e ao uso eleitoral das redes por atores estrangeiros, algo que poderia comprometer a lisura do processo de 2026.

A trajetória recente mostra como a relação entre política e big techs é permeada por barganhas. Trump transformou um inimigo declarado em parceiro estratégico, e Zuckerberg pagou o “pedágio” sem pestanejar. O problema é que, enquanto o CEO da Meta colhe vitórias regulatórias, a conta recai sobre a sociedade: menos transparência, mais desinformação e retrocesso no debate público.

No caso brasileiro, é vital que a regulação avance para proteger a democracia. Trump pode até blindar Zuckerberg em Washington e Bruxelas, mas não deveria ditar as regras do jogo em Brasília.

Leia mais análises sobre política internacional, Donald Trump, big techs e a democracia brasileira no Blog do Esmael.

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Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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