Ratinho Júnior confirma que deixará o governo em abril

Ratinho Júnior confirmou que deixará o governo do Paraná em abril para cumprir a regra da desincompatibilização e viabilizar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. A informação foi confirmada ao Blog do Esmael por fontes do Palácio Iguaçu, sede do Executivo estadual.

A saída abre oficialmente o ciclo de transição no Centro Cívico e acelera a disputa interna pela sucessão. Na prática, Ratinho Júnior passa a priorizar o próprio projeto nacional, enquanto o xadrez local entra em modo de espera por sua bênção.

Nos bastidores, três nomes se engalfinham pela herança política do governador. Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná. Guto Silva, secretário das Cidades. Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e atual secretário do Desenvolvimento. Todos eles estão filiados ao PSD.

Com Ratinho focado no Planalto, cresce a leitura de que a escolha do sucessor ficará em segundo plano nas próximas semanas. Palacianos relatam que o governador quer preservar capital político para a corrida nacional antes de arbitrar a disputa doméstica.

Nesse cenário, ganha força a hipótese de um entendimento com o senador Sergio Moro (União-PR), que trabalha nos bastidores para disputar o governo do Paraná. Para o ex-juiz da Lava Jato, apoiar a pré-candidatura presidencial de Ratinho Júnior tem utilidade direta: amplia sua vitrine nacional e o credencia como aliado preferencial do governador no arranque da sucessão estadual. A costura faz sentido no cálculo eleitoral, Moro preserva capital fora do estado enquanto se posiciona, aqui, como herdeiro político de um projeto nas eleições de outubro.

Se o acordo avançar, a engenharia política desenhada por interlocutores do governo inclui Guto Silva como vice em uma chapa majoritária estadual, desde que consiga atravessar ileso as denúncias que rondam seu entorno. Alexandre Curi e Filipe Barros (PL) ficariam com as duas vagas ao Senado.

Nos corredores do Palácio Iguaçu, porém, há desconfiança. Auxiliares mais próximos de Ratinho repetem que Moro carrega um histórico de rompimentos e embates internos, o que poderia transformar a aliança de hoje no conflito de amanhã. O cálculo é frio: se Ratinho não emplacar nacionalmente, pode voltar em 2030 para disputar o governo do Paraná, tendo Moro como principal adversário.

A confirmação da saída em abril, portanto, não é apenas um rito eleitoral. É o marco inicial de uma reconfiguração de poder que mistura ambição presidencial, sucessão estadual e um jogo de alianças em que ninguém confia plenamente em ninguém.

No jogo, Ratinho aposta alto. No roteiro, os aliados sabem que cada movimento agora pode definir quem manda no Paraná e quem sobra na próxima década.

Ratinho Júnior escolheu mirar Brasília mesmo sabendo que isso empurra o Paraná para uma transição turbulenta. Ao priorizar o próprio projeto, ele deixa aliados em disputa aberta e abre espaço para acordos de risco. Política é aposta, mas o eleitor costuma cobrar quando a ambição fala mais alto que o compromisso com o Estado.

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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.  

Publicação de: Blog do Esmael

Lunes Senes

Colaborador Convidado

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